Mi S2, smartphone da Xiaomi.

Por algumas horas, a Xiaomi foi a terceira maior fabricante de smartphones do mundo

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31/10/14, 9h03 5 min 7 comentários

Se o mercado de smartphones chacoalhasse literalmente a cada novidade anunciada, os sismógrafos responsáveis por medir essas oscilações teriam ficado malucos essa semana. Com a divulgação de relatórios financeiros, estudos de consumo e a fusão de duas gigantes, a topografia das fabricantes mudou — e isso pode ter reflexos a longo prazo.

A Samsung, ainda a maior fabricante de celulares do mundo, revelou aos acionistas que no intervalo de um ano seu lucro despencou 60,1%, de ₩ 10,16 trilhões para ₩ 4,06 trilhões. As vendas de smartphones caíram 8%, e se esse número já seria suficiente para acender a luz de alerta em Seul, ele fica ainda pior quando quando posto ao lado do crescimento de 25% do setor no mesmo período. As previsões apontam que este será o pior ano da empresa desde 2011.

Galaxy Alpha, novo da Samsung.
Foto: Samsung.

Por que a Samsung teve uma queda tão repentina e acentuada? Não é novidade — no penúltimo trimestre o desempenho também ficou aquém do esperado. Nesse, analistas apontam alguns fatores, sendo o mais forte a concorrência pesada nos dois extremos da cadeia de smartphones: em cima, a Apple e os novos iPhones; embaixo, Xiaomi e outras fabricantes chinesas, como Oppo, OnePlus e Lenovo, com preços agressivos para produtos muito bons. No trimestre de referência ela também não teve um grande lançamento para ajudar — as vendas do Galaxy Note 4 em países estratégicos, como os Estados Unidos, começaram depois.

A fim de reverter essa tendência, o vice-presidente sênior da Samsung, Kim Hyun-joon, disse na conferência com os acionistas que a empresa pretende capitalizar em cima do rápido crescimento dos segmentos intermediário e de entrada dos smartphones. Para tanto, ela continuará competindo em cada faixa de preço possível, mas com linhas de produtos mais enxutas para melhorar custo e os próprios aparelhos, e trazer diferenciais marcantes, como telas flexíveis e molduras metálicas. Os primeiros representantes dessa nova filosofia parecem ser os recém-anunciados Galaxy A3 e Galaxy A5, ambos feitos a partir de uma única peça de metal, com câmeras frontais de alta qualidade e perfil fino — ambos têm menos de 7 mm de espessura.

Isso tudo vale para tablets, que tiveram vendas e faturamento maiores nesse trimestre. Dispositivos vestíveis, como relógios inteligentes, foram citados nos planos para 2015 como o próximo “motor de crescimento” da Samsung — uma grande aposta, ao que parece. Saindo dos dispositivos móveis, a Samsung acredita que no próximo trimestre os números serão puxados para cima pelo aumento nas demandas por TV e memória.

Apesar do discurso de mudança e da necessidade real de reverter a percepção dos seus smartphones junto ao público, a Samsung ainda é líder em vendas. E em um mercado tão difícil, no qual HTC, Sony e Motorola, para ficar nas maiores, vêm acumulando prejuízos nos últimos anos, lucrar cerca de US$ 4 bilhões em apenas um trimestre não é de todo mal se visto isoladamente. O problema é mais a longo prazo e vem um país específico: a China.

Mi4, último smartphone da Xiaomi.
Foto: Ron Amadeo/Ars Technica.

Por um curto período a Xiaomi, uma espécie de símbolo do grupo de fabricantes chinesas que produzem aparelhos de qualidade, tornou-se a terceira maior fabricante de smartphones do planeta. Operando somente na China e em alguns outros países asiáticos, a empresa de apenas quatro anos já responde por 5,3% de todos os smartphones vendidos no mundo, segundo os últimos números da IDC. Em um ano, ainda segundo o instituto, o aumento nas vendas de smartphones da Xiaomi foi de 211,3% (!), indo de 5,6 milhões de unidades vendidas no terceiro trimestre de 2013 para 17,3 milhões no mesmo período desse ano.

A Xiaomi planeja uma expansão para vários países que deve começar ainda em 2014. O Brasil, terra natal do vice-presidente global, Hugo Barra, é um dos destinos. A fabricante já está montando um escritório em São Paulo e, nos últimos dias, começou a migrar parte da sua infraestrutura na nuvem para a Índia, ação tomada para aumentar a confiança dos consumidores daquele país que não estavam tão seguros com seus dados armazenados no país sede da empresa. Essa medida deve se repetir em outros lugares.

Foto: Motorola.
Foto: Motorola.

A terceira posição durou pouco, porém. Com a venda da Motorola Mobility finalizada, o bronze continua na China, mas em outras mãos: nas da Lenovo. O negócio, que custou US$ 2,9 bilhões, tirou do Google a marca Motorola, os funcionários e o portifólio de produtos. As patentes não foram envolvidas, embora haja um acordo de cessão dos direitos de uso. Um laboratório de pesquisas avançadas da Motorola, responsável pelo Projeto Ara, o smartphone de montar do Google, também ficou de fora da aquisição.

E ainda diziam que o mercado de smartphones estava desacelerando. No topo pode ser verdade, mas a disputa pelo consumidor mais sensível a preços está bastante aquecida e, num futuro bem próximo, pode incomodar a Apple. No meio da tabela, ainda estamos vendo o amadurecimento da tecnologia e os preços sendo empurrados ainda mais para baixo. Isso explica o crescimento de 25,2% nas vendas de smartphones em relação a 2013, número averiguado pelo IDC.

Com estratégias tão agressivas e a meta de faturar em serviços agregados em vez do dispositivo em si, a tendência é que os preços continuem caindo. Até onde? Ninguém sabe. Quem sobreviverá? Não arrisco dizer.

Foto do topo: 月明 端木/Flickr.

  • @Ghedin, o que vc achou do novo Monster X, ops, Moto Droid Maxx ? IMHO, ele veio a ser aquilo que se esperava do Nexus… mas, não se pode criticar a estratégia da Motorola, tendo em vista que a segunda geração dos Moto G e X veio matadora em custo x benefício.

    o Nexus 6, apesar da hipertrofia que o acometeu, deve arrebanhar muita gente.

    eu, de cá comigo, estou pensando seriamente se troco meu N4 pelo novo X ou espero mais um pouco pra ver esse Monster X (hehe). se ele não vier custando um rim, fico no X mesmo, pq minha única chiação com o N4 é a bateria que morre às 16h e a câmera que enxerga mal no escuro, coisas que o X atende satisfatoriamente.

    agora, esse Monster X… ah, bateria de 3.900… ah, câmera de 21mpx… ai meu bolso… ¬¬

    queria ver ele na tua mão pra fazer um review daquele de dar inveja até em fanboy da maçã!

    =)

    abs,

  • ah sim, a Samsung que se cuide se a Motorola enveredar por esse caminho do Monster X… a linha Galaxy S dela vai ver o cometa só pela cauda

  • Duvido das possibilidades da Samsung nesse mercado, não vejo muito o que ela pode fazer para superar seus concorrentes de forma consistente. Inclusive, acho que atualmente eles estão atrás da concorrência:

    1 – O hardware já está bem nivelado no que tange a processamento, a única possibilidade é que os Exynos cheguem a um novo patamar como na época do S e SII. Duvido muito que a Qualcomm deixe isso acontecer, além disso processamento bruto não é tão importante assim para smartphones. Seria legal conseguiram algo como a linha AX da Apple: baixo consumo de energia que culminaria em baterias mais duradouras.

    2 – O design da Samsung pode atingir o dos concorrentes. Atualmente, acho que está bem atrás de todos os concorrentes…historicamente não há motivo algum para acreditar que eles possam se diferenciar nesse aspecto.

    3 – O software seria outra alternativa de diferenciação, mas eles estão conseguindo é piorar o software que os outros fabricantes usam. Acho que eles têm mais potencial nesse mercado que investir em design, mas o retrospecto não é muito positivo.

    4 – As câmeras sempre foram boas, mas os outros high-end possuem um desempenho similar. Algo como as câmeras da linha Lumia seria um diferencial legal, mas difícil de conseguir.

    5 – Inovações radicais seria a melhor forma, inventando recursos que ninguém mais tem (e não consigam copiar muito rápido). Entretanto, o histórico deles novamente não colabora tanto: não me lembro de nada que fosse indispensável feito pela Samsung.

    • Concordo com você: o hardware e o software dos smartphones está muito parecido e quando todos os concorrentes são iguais, ou se briga pelo menor preço ou faz como a Apple, que tenta se firmar como símbolo de status.

      Pessoalmente acharia mais fácil apostar em câmeras melhores: estabilização ótica, zoom decente e, principalmente qualidade das imagens. Sou leigo no assunto, mas não preciso ser um especialista para ver que o iPhone 5 do meu amigo tira fotos muito superiores ao meu Lumia 820, independente das características técnicas de ambos.

      E no caso específico do Android, onde o S.O. é o mesmo para todos, talvez seja interessante melhorar a parte de fotografia como diferencial. Sei que os aparelhos top (acima de R$ 2 mil) possuem câmeras decentes, mas se conseguirem colocar no mercado algo bom com preço abaixo de mil Reais, haverá um público para esses smartphones…

      • O problema é que baixar os preços significa baixar o lucro também, então não é uma forma muito boa de melhorar a situação. Teria que ser algo tipo a câmera do Lumia 1020: quer ter essa câmera, tem que ser o meu smartphone.

        Acho meio errado dizer que a Apple investe em ostentação. Até tem essa questão, mas é bem diferente da Beats que é praticamente um acessório de moda apelas. Ela tem um SO próprio, nenhum concorrente tem algo tão forte como diferencial do produto. Ela tem muito mais “lastro” para vender um produto mais caro: compre Apple e ganhe nosso eco-sistema.

  • Plínio Cesar

    Faz parte. Nokia passou por isso e a Samsung caminha para o mesmo destino. Talvez ela reaja mais rápido com base no erro que a Nokia cometeu. Contudo acho inevitável evitar.

  • Celso Nunes

    Faz tempo que penso em ter um telefone da Xiamoi. Utilizo o software dele (android personalizado) MIUI no meu Samsung. Mas ao invés de importar, eu vou esperar as vendas começarem no Brasil…