Emojis são um degrau extra na derrocada rumo aos grunhidos

Por
24/6/15, 14h59 3 min 30 comentários

Em 2009, Saramago foi questionado por um repórter sobre o Twitter. “Conhece? O que acha? Pretende ter um perfil lá?” A resposta do escritor ecoa até hoje:

Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres refletem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.

Mal sabia ele que, seis anos depois, um novo degrau da escada que desce rumo ao grunhido tomaria a sociedade de assalto: o emoji.

Eu gosto dos emojis. São uma evolução dos emoticons do MSN Messenger e ICQ, que já eram uma evolução de sinais gráficos criados para dar um pouco de contexto e simpatia à frieza da palavra escrita. Um “seu otário :)” soa bem diferente de “seu otário!”

A ascensão dos emojis no momento em que mídias sociais estão estabelecidas e são locais onde todos estão e que a maioria compreende, gerou o inevitável: uma saturação meteórica que, combinada com a falta de timing e senso de publicitários, desenvolvedores e outros “criativos,” cansa. “Leia resenha de ‘Jurassic world’ em ‘dinofaurês’,” por exemplo, ilustra o ápice de outro meme recente, usado, abusado, desgastado e inutilizado em tempo recorde.

A última campanha de marketing de um banco brasileiro é toda baseada em emojis. Uma montadora americana lançou um comunicado em emoji — o fato de ele ser ininteligível é mero detalhe. À luz desses e outros exemplos, a Wired questiona: “Emoji: modinha ou uma linguagem totalmente nova?”

Eu torço muito para que seja só uma modinha. Não por ser alguém de coração gélido que os detesta (hey, eu já disse que gosto!), mas pela limitação no discurso que esses desenhos, isolados de palavras, representam. O emoji empobrece o diálogo, remove nuances e, claro, facilita a mineração de dados sobre como nos sentimos — muito mais simples de ser feita com um conjunto definido de variáveis (emojis) do que com a infinidade de combinações entre palavras e a liberdade de distorcê-las, deturpá-las e derivá-las em novas impõe.

A língua é flexível, está em constante mutação, e isso é maravilhoso. Não vamos deixar que uns desenhos bobos atrapalhem. Ainda que o destino, caso a profecia de Saramago se concretize, seja os grunhidos, até lá ainda teremos muito a escrever, e das mais variadas formas.

Qual o limite do Facebook?

Por
3/2/17, 13h50 5 min 7 comentários

Mais um trimestre se passou e, outra vez, o Facebook bateu recordes de receita. O lucro da empresa foi de US$ 3,5 bilhões, aumento de 177% em relação ao mesmo período do ano passado. Embora num ritmo menor, a base de usuários da rede continua crescendo; hoje, está em 1,86 bilhão de pessoas.

Em paralelo, nos últimos dias o Facebook anunciou diversas iniciativas em todos os seus apps para impulsionar o uso delas pelas pessoas: Continuar lendo Qual o limite do Facebook?

DuckDuckGo como alternativa ao capitalismo de vigilância do Google

Por
27/1/17, 9h10 6 min 65 comentários

Na página inicial do buscador DuckDuckGo, logo abaixo do campo de busca, ou seja, em local de destaque, lê-se a seguinte frase: “A ferramenta de busca que não rastreia você”. É uma cutucada no Google, maior buscador do mundo, uma das maiores empresas de publicidade e das mais lucrativas da história. Quais as chances do pequeno DuckDuckGo frente a esse titã? Continuar lendo DuckDuckGo como alternativa ao capitalismo de vigilância do Google

O que a foto vazada do G6 diz sobre o mercado de smartphones

Por
25/1/17, 9h15 5 min 67 comentários

O site norte-americano The Verge vazou a primeira imagem do que será o G6, novo smartphone topo de linha da LG. Mesmo escura e mostrando só metade do aparelho, percebe-se que a empresa adotará uma linguagem visual conservadora, similar à dos concorrentes mais populares. Outro detalhe importante, confirmado pela LG, é que o G6 abandonará o conceito de módulos que estreou ano passado, no G5. Como se vê, é difícil inovar. Continuar lendo O que a foto vazada do G6 diz sobre o mercado de smartphones

Gilberto Kassab diz que banda larga fixa terá limite de franquia até o fim do ano

Por
13/1/17, 8h55 6 min 52 comentários

Um dos debates mais acalorados de 2016, no Brasil, foi sobre a limitação das franquias na banda larga fixa. Historicamente, nunca se limitou o consumo de dados desse tipo de conexão. A Vivo iniciou um movimento para mudar esse cenário ano passado, baseada nos planos móveis dela mesma e de outras operadoras, mas esbarrou numa oposição fortíssima da sociedade. Como resultado, a Anatel proibiu, temporariamente, as operadoras de fazerem essa alteração. Agora, tudo indica que elas tentarão de novo. E, desta vez, com o apoio do Governo Federal. Continuar lendo Gilberto Kassab diz que banda larga fixa terá limite de franquia até o fim do ano