Um ano e três meses depois, o estado do ultrabook Série 9, da Samsung

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10/12/13, 15h31 17 min 16 comentários

Não dando o azar de receber uma unidade defeituosa de fábrica, é quase certo que produtos novos funcionarão muito bem. Com hardware de ponta e sem as marcas de uso e dos acidentes do cotidiano, seria estranho se um smartphone novinho, ou um notebook que acabou de sair da loja, funcionasse mal.

É assim que praticamente todos os reviews publicados em sites, pequenos ou grandes, conhecidos ou obscuros, são feitos. Eu também faço isso, é praxe e há bons motivos para focar em lançamentos, mas e depois? Passados alguns meses, como aquele ultrabook bonitão se comporta? Depois de mais de um ano de uso contínuo, ele ainda segue em forma? Um produto não conta a história toda, mas ainda assim achei válido relatar aqui como está o meu notebook do dia a dia, um Samsung Série 9, passado um ano e três meses desde que o adquiri.

Este é um review em três partes:

  • A primeira, escrita com dois dias de uso do Série 9;
  • A segunda, com três meses de uso; e
  • A última, um ano e três meses depois da aquisição.

Delas, apenas uma é realmente nova. As duas primeiras são reformulações (em estilo e adequação ao formato) de textos que publiquei no meu blog pessoal. A última é inédita.

Antes, porém, um pouco de contextualização.

Na época em que comprei o Série 9, em setembro de 2012, ele já era um modelo ultrapassado. Equipado com um processador Core i5 de segunda geração (“Sandy Bridge”), naquela altura a sua atualização, com processador “Ivy Bridge”, já existia. Não no Brasil, onde ela só foi lançada há alguns meses. O que é estranho, já que esse anúncio se deu alguns dias depois do da novíssima geração do agora chamado ATIV Book 9 Plus, com tela sensível a toques, tela com resolução monstruosa, bateria com grande autonomia e um novíssimo Intel Core i5 “Haswell” dentro. Esse ainda não desembarcou no Brasil.

Voltando ao meu modelo, embora ultrapassado trata-se de um ultrabook com tudo o que se poderia esperar de um equipamento dessa categoria. A configuração se completa com 4 GB de RAM, um SSD de 128 GB e, hoje, rodando o Windows 8.1 (ele veio de fábrica com o Windows 7 Home Premium que foi atualizado para o Windows 8 e, recentemente, para a última versão do sistema).

Aperte os cintos e segure-se na poltrona: vamos começar nossa viagem no tempo!

Primeiras impressões do Samsung Série 9

Trecho escrito em setembro de 2012.

Visão de cima do Série 9.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Samsung Série 9 é uma lâmina negra de duralumínio. Com bordas cromadas e um visual bem sóbrio, acho que dá para descrevê-lo como bonito. É bem bonito, na realidade. O esmero começa pela embalagem: uma caixa luxuosa contendo, além do próprio notebook, o carregador, um adaptador para a porta RJ-45 e uma caixinha com manuais e um CD (!?) de recuperação.

Sobre o notebook em si, chama muito a atenção a espessura mínima e a leveza — apenas 1,16 kg. O desenho das bordas, que concentra perto das dobradiças as portas e conexões e vai “afinando” até a frente, passa a impressão de que o equipamento é ainda mais fino (na prática são 12,9 mm). É um notebook amigo da coluna.

Falando em portas, é aqui que a portabilidade cobra seu preço. São apenas duas portas USB (uma delas 3.0), saída micro-HDMI, outra minúscula de rede, uma mini-VGA, o conector de energia e saída de áudio “mista” (para fones e microfone, como nos celulares). Escondido em uma portinhola do lado direito, fica um leitor de cartões 4-em-1. Nada extravagante e tudo muito dependente de adaptadores — que não acompanham o produto com exceção do da porta Ethernet.

A proximidade das portas gera uma situação inusitada: a menos que o seu plug USB seja bem fino ele não pode ser encaixado junto com o carregador. Como as duas entradas ficam bem próximas, uma toma espaço da outra. Ah, e o conector do carregador se comporta de forma diametralmente oposta à do MagSafe, da Apple: ele fica muito bem preso ao notebook. Um esbarrão no fio não o remove de jeito algum e, se duvidar, leva notebook e tudo mais para o chão. Muito cuidado com o fio.

Avancemos para dentro do Série 9, para o teclado e touchpad. Com tudo se acostuma, mas à primeira vista não gostei muito do teclado — o que me leva a imaginar o quão ruim deve ser o da versão mais atualizada/com processador Ivy Bridge, cujo teclado o Gizmodo US detonou em review.

O confortável teclado do Série 9 foi estranho no primeiro contato.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O feedback tátil é ok, mas a altura das teclas é mais baixa do que o esperado e o espaçamento entre elas, um pouco grande; nessas primeiras horas de uso, por exemplo, tenho apertado muito o botão [ em tentativas de teclar Enter. De positivo, o teclado é bem limpo, com telas F1-12 como padrão, botões alternativos (Fn) diretos e um backlit sutil e automático de quatro níveis. Há indicadores de LED nas próprias teclas (Wi-Fi, trava do Fn, Caps Lock). De ruim, algumas invencionices da Samsung herdadas de outros modelos: / e ? acessíveis via Alt Gr e teclas Page Up/Down, Home e End nas setas direcionais, acessíveis via Fn — um saco para mim que uso muito elas; com esse layout, não consigo usá-las com uma mão.

Já sobre o touchpad, menos críticas. Uma coisa legal é que os gestos multitouch simplesmente funcionam. Correr páginas com os dois dedos, arrastar três para baixo para abrir a multitarefa, zoom com pinça… tudo isso é suave e responsivo, coisa que não se vê em notebooks mais simples. Ele inteiro é um botão (na parte inferior) e dependendo do lado onde se clica, aperta-se o botão esquerdo ou direito. Essa divisão é um pouco confusa e complica na hora de fazer alguma seleção com o botão apertado (ação para a qual, justiça seja feita, também há um gesto que facilita). Entre vantagens e desvantagens, achei ele bem agradável, a ponto de fazer com que aquela vontade de ter um mouse Bluetooth derivada de frustrações com o touchpad não se manifestasse.

Touchpad do Samsung Série 9.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Ainda nessa parte, reitero a sobriedade do layout. Em certo ponto, é sóbrio até demais — faltam LEDs indicadores de atividade do disco, por exemplo (embora o SSD não tenha me deixado esperando nada até agora). Mas mesmo com toda essa pegada premium e minimalista, senti falta de terem ido além e sumido com os adesivos chatos tão conhecidos de notebooks Windows. Em vez de fazer algo como a Dell com o XPS 13, que colocou essas coisas todas numa chapa na parte de baixo do notebook, a Samsung manteve os adesivos de processador e Windows. “Cinzas” e uniformes (ou seja, menos ruins, no padrão ultrabook), mas ainda assim…

E essa tela? Com 13,3″, resolução de 1600×900 e acabamento fosco, é um deleite. Mesmo não sendo uma tela Retina, é bem bacana. O brilho é muito bom e o ajuste automático, bastante funcional. Os ângulos de visão são incríveis. Se o Série 9 chama a atenção pela beleza externa, a tela mantém essa impressão quando a tampa é aberta.

No que diz respeito ao desempenho, ainda não fiz nada que exigisse muito dele. É um Core i5 2467M com 4 GB de RAM DDR3. Mas o que mais impacta o uso corriqueiro, nas atividades básicas (inicialização e abertura de aplicativos) é, sem dúvida, o SSD. É um de 128 GB (com muito espaço “desaparecido”, provavelmente para guardar arquivos de recuperação que não devem durar muito por aqui) e a velocidade encanta. Boot “frio” em menos de 20 segundos, aplicativos mais pesados abrindo instantaneamente. Isso é lindo. E olha que o SSD que equipa o Série 9 nem é dos mais rápidos.

O grande problema do Série 9 é o adaptador de rede sem fio. Não sei se é culpa do Centrino Advanced-N 6230 (que já sai de fábrica com driver atualizado) ou se a construção do notebook compromete a comunicação sem fios, mas essa chateação, somada a uma infeliz configuração padrão da Samsung nas configurações de economia de energia resultam em uma navegação web impossivelmente lenta, com quedas sucessivas do sinal Wi-Fi. Corrigir a configuração melhora muito as coisas (o Felipe Machado dá a dica), mas um teste básico de ping ainda releva desempenho aquém do esperado, principalmente em um notebook de ponta como o Série 9 se propõe a ser. Farei mais testes no decorrer da semana para ver se isso compromete o uso, mas até agora, com a alteração nas configurações de energia, ele tem se comportado bem.

O Samsung Série 9 (modelo NP900X3B-AD1BR) é um ultrabook extremamente leve, fino e, aparentemente, com desempenho adequado para tarefas básicas — navegação, digitação, aquele uso que boa parte das pessoas faz de computadores. Comprei o meu na FastShop por R$ 3.200.

Três meses depois, como vai o Samsung Série 9?

Trecho escrito em meados de dezembro de 2012.

Samsung Série 9 e alguns celulares espalhados na mesa.
Foto: Rodrigo Ghedin.

É fácil se afeiçoar ao Série 9, ultrabook topo de linha da Samsung. Mesmo com algumas falhas grotescas, eu adoro o meu.

Pouco mais de três meses depois, já trabalhei bastante com o Série 9, instalei o Windows 8, gravei e editei podcast, viajei, até joguei (se To The Moon for considerado jogo)… enfim, fiz praticamente tudo o que poderia fazer em um notebook. É hora de rever aquelas impressões iniciais.

Há três coisas irritantes no Série 9.

A primeira é o Wi-Fi. Com aquele hack citado no post anterior o problema é amenizado, mas o desempenho do sinal wireless é patético comparado a qualquer outro equipamento. Colocá-lo para baixar alguma coisa é um teste de paciência e uma sessão de dedos cruzados (na esperança de que a conexão não caia no meio do processo). É ruim, absurdamente ruim para um equipamento desse porte. Sempre tive notebooks baratos e todos, sem exceção, tinham módulos Wi-Fi melhores que o do Série 9. A única explicação plausível para a Samsung ter colocado no mercado um negócio tão podre é o Wi-Fi não ter passado por testes de (falta de) qualidade.

A segunda chateação é a bateria. Em média, consigo ficar cerca de quatro horas longe da tomada. Para um notebook de entrada seria fenomenal, para um ultrabook, é risível. Não sei se a limitação física (ele é muito leve e muito fino) impediu a Samsung de colocar mais energia ali dentro, mas essa autonomia pífia causa uma péssima segunda impressão.

Por fim, os sinais de uso. Sei que todo notebook fica com as teclas brilhantes após um tempo, mas poxa, dois meses? Até o touchpad já mostra marcas de batalha… As minhas mãos não suam tanto, não tenho problema com ácido úrico, nem uso o notebook enquanto como frango frito. Esperava maior durabilidade, ainda que seja apenas uma falha estética.

Marcas do tempo precoces no Samsung Série 9.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Bônus: o LED do carregador é muito brilhante, do tipo que ilumina o quarto à noite. É um detalhezinho de nada, mas me obriga a tirar o carregador da tomada para conseguir dormir.

Vou parecer mulher de malandro, mas mesmo com essas falhas, duas delas graves, ainda gosto do Série 9. A leveza e a espessura mínima são elegantes e deixam o manuseio super de boa. Não é raro eu segurá-lo aberto com apenas uma mão, pela borda frontal, sem fazer esforço. O material é rígido e emana firmeza, não se ouve nenhum tipo de rangido e ele não entorta.

O desempenho também segue ótimo, em muito impulsionado pelo SSD. A diferença desse sistema de armazenamento para um disco rígido com partes móveis é brutal. No uso cotidiano, aplicativos abrem instantaneamente, a manipulação de arquivos é rápida, a multitarefa, mesmo com 4 GB, é suave. Essa quantidade de RAM e o SSD, somados a um processador legal (Core i5), tornam a máquina um deleite. Leio, navego, assisto a vídeos, escrevo, até edito podcasts sem nenhum engasgo.

O teclado e o touchpad são bem bacanas. Quando comentei aqui as minhas primeiras impressões, reclamei do espaçamento das teclas. Era questão de costume mesmo. Hoje digito bem rapidamente e com poucos erros. Meus dedos deslizam no touchpad sem dificuldade e a superfície é bem responsiva, inclusive para os gestos multitouch. Se quando ele chegou eu descartei a compra de um mouse Bluetooth, hoje digo que nem se ganhasse ou tivesse um dando sopa aqui o usaria.

Outros pontos positivos? Tela estupenda, áudio bom para um portátil. Um pouco baixo, mas não dá para esperar muito. O Série 9 esquenta, mas não dissipa calor pelo teclado e a temperatura não chega a níveis “ficarei estéril se usar isso no colo por meia hora”.

Resistindo ao tempo

Trecho escrito ontem.

O Samsung Série 9 é como o vinho.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Desde janeiro de 2013 tenho usado o Série 9 com mais frequência. Depois que me mudei, transformei meu desktop, até então também usado para trabalhar, em uma estação multimídia ligada à TV. O notebook passou a ser o titular para minhas atividades profissionais.

O desempenho continua ótimo, pelo menos nas partes em que o SSD é exigido. Em outras atividades mais pesadas, porém, a diferença de poder para o desktop se faz notar e é, sim, sentida.

Nada muito extravagante ou que me faça desejar muito voltar ao computador de mesa, mas mesmo em coisas mais simples, como uma página web pesada (oi, Google+!), a fraqueza do conjunto móvel é sentida. Editar vídeo aqui? Não tente isso para não se frustrar. Para essa finalidade peço licença aos jogos e Netflix no desktop e subo o editor de vídeos lá mesmo, direto na TV.

Mas se estou até hoje trabalhando no Série 9, é porque ele, ao contrário do que o parágrafo acima pode dar a entender, está longe de ser ruim. Para navegação web, escrita e outras atividades menos intensivas, ele é um senhor equipamento. E é esse desempenho econômico, mas eficiente, somado às suas características físicas (leveza, beleza, ergonomia) que me fazem gostar tanto dele. É isso aí: o Série 9 é um notebook adorável.

Surpreendentemente, acho que o Série 9 melhorou com o tempo. O módulo Wi-Fi, que tanto irritava nos primeiros meses, melhorou da água para o vinho com o Windows 8 e novos drivers lançados pela Intel. Aquelas quedas intermitentes sumiram por completo e hoje tenho confiança o bastante para deixá-lo ligado à noite baixando alguma coisa ou fazendo uma atividade qualquer.

Do teclado, que causou estranheza a princípio, já fiquei íntimo. Digito com muita velocidade e pouquíssimos erros, da mesma forma ou até melhor do que fazia no teclado ergonômico da Microsoft que usava no desktop. O touchpad continua maravilhoso e reitero que prefiro ele a qualquer mouse. Aquela ideia de que touchpad em máquinas Windows não prestam, mais do que justificada pela presença maciça de modelos simplesmente ruins em máquinas mais baratas ou até da mesma categoria, tem lá suas exceções. O do Série 9 é, sem dúvida, uma delas.

Esse tempão com o Série 9 também serviu para extirpar velhos hábitos. Nas primeiras impressões reclamei da falta de indicadores de atividades, aqueles LEDs que apontam a atividade do disco, da rede, etc. A estabilidade do sistema e a velocidade derivada do SSD tornam essas coisas dispensáveis. Não é um tablet, mas a filosofia deles, de apenas funcionar da forma como se é esperada e sem engasgos, aplica-se aqui. E quem precisa de um LED de atividade do hardware em um tablet?

O desgaste precoce do teclado e touchpad, com apenas dois meses de uso, limitou-se àquilo. Não houve pioras nesse sentido. E chega a ser digno de nota, dado o tanto que já digitei nessas teclas, todas elas ainda estarem com a tinta dos caracteres fortes, sem sinais de que irão se apagar em breve.

Como uso-o majoritariamente em casa e, portanto, ligado à tomada, nunca exijo muito da bateria. Em viagens a trabalho acabei tendo que recorrer a ela e seus números, infelizmente, não melhoraram em nada — não que eu tivesse esperança de que milagrosamente a bateria passasse a dura algumas horas a mais, mas enfim. Consigo ficar de quatro a cinco horas mesmo longe da tomada. No que faço quando estou fora, ou seja, redigir algum texto, tomar notas em apresentações, cobrir feiras, dá para o gasto. Poderia sem melhor? Não, deveria ser melhor. Mas já estava ciente dessa limitação quando o comprei, logo seria injusto reclamar dela agora.

Valeu a pena?

Poucas conexões, mas o suficiente.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Sempre relutei bastante em recomendar o Série 9 com processador Sandy Bridge, mesmo custando bem menos do de um MacBook Air equivalente — o paradigma extra oficial para ultrabooks.

Hoje é difícil encontrá-lo no varejo, já que uma versão mais atualizada está disponível no Brasil. Algumas lojas ainda têm estoque; em uma rápida pesquisa no Buscapé, uma ainda o vende por R$ 2.500, valor que mesmo hoje é interessante para um notebook desse porte. O ATIV Book 9, com processador Core i5 “Ivy Bridge”, é encontrado na mesma loja por R$ 3.600. Vale a diferença? Difícil dizer. Embora goste muito desse ultrabook, recomendaria ao comprador em potencial erguer a cabeça e olhar a concorrência — Lenovo e Asus estão com modelos bacanas com valores equivalentes.

Quando decidi comprar um notebook a minha primeira opção era o MacBook Air. Acabei optando pelo Série 9 porque a diferença de preço entre eles era grande, de R$ 800. E como já estava acostumado com Windows, não teria curva de aprendizado e, de quebra, continuaria com meu workflow intacto. Meio comodismo, vá lá, mas é um ponto importante — imagino que ter a mesma desenvoltura que tenho no Windows, onde acumulo anos de experiência, no OS X não seria algo trivial.

Apesar dos problemas iniciais e de projeto, no longo prazo classifico essa como uma boa compra e estou satisfeito com o que o equipamento proporciona. Talvez o Samsung Série 9 seja exceção e de qualquer forma, ainda que longo para um review, um ano e poucos meses é um período mediano na vida de um gadget. Mas ele vem envelhecendo bem, até melhorando alguns aspectos com o tempo (e atualizações de software), e sem dar problemas de hardware. Continue assim por mais um ou dois anos e poderei dizer, enfim, que esta foi uma ótima compra.