[Review] Lumia 1520, um grande Windows Phone

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1/7/14, 11h18 8 min Comente

O Lumia 1520 encerra, por ora, uma sequência de smartphones enormes que passaram pela minha análise. Por coincidência, é o mais caro e poderoso de todos esses. Com tela de 6 polegadas, especificações de ponta e rodando Windows Phone, existem queixas nesse dispositivo para além do tamanho incômodo? É o que tentarei responder neste review. Continuar lendo [Review] Lumia 1520, um grande Windows Phone

[Review] Lumia 1320, um Windows Phone enorme com crise de identidade

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14/5/14, 14h48 9 min 11 comentários

Qual o limite físico para um smartphone? A resposta a essa questão, hoje, pode estar ultrapassada na próxima geração de celulares espertos. Afinal, quem imaginaria alguns anos atrás que aparelhos com telas de 6 polegadas seriam não só aceitáveis, mas desejáveis? De olho nessa demanda, a Nokia anunciou não um, mas dois modelos grandalhões: o topo de linha Lumia 1520, e o intermediário Lumia 1320, que agora passa pela análise do Manual do Usuário.

Se a tela chama a atenção, em outros aspectos tão importantes quanto o Lumia 1320 não salta à vista. Ele é o ápice de uma tendência recente e disseminada, a de colocar configurações medianas atrás de telas enormes numa tentativa de levar o conforto e prazer visual de modelos caríssimos, como os da linha Galaxy Note, da Samsung, a bolsos menos privilegiados.

Recentemente vimos aqui, por exemplo, o Xperia C, smartphone da Sony com tela de 5 polegadas e configurações que não convencem. Mas e nesse caso do Lumia 1320, no que a mistura resulta? O Windows Phone pesa a favor ou contra no uso diário? Essas e outras perguntas, respondidas abaixo.

Cara de high end, tamanho de gente (muito) grande

O tamanho do Lumia 1320 intimida.
Foto: Rodrigo Ghedin.

A linha Lumia, da Nokia, vai de modelos simples e baratos até os super avançados, com tecnologias inovadoras, algumas inigualadas, e que cobram um preço alto por isso. Apesar da flexibilidade em preço e qualidade, uma coisa não muda: a identidade visual dos smartphones.

Seja um Lumia 520, seja um 1520, é fácil identificá-los como membros de uma mesma família. Apesar dessa uniformidade, existem algumas rupturas estéticas entre esses celulares irmãos. O Lumia 1320 combina mais com modelos que não foram grandes destaques da Nokia, casos do Lumia 820, ou Lumia 620. Os cantos arredondados e a câmera simples no corpo são os maiores indicativos de que não temos aqui um “garoto propaganda” da Nokia, muito menos um que brilhe em configurações.

A crítica acima não significa, em absoluto, que o Lumia 1320 é feio. Ele é um smartphone sem invencionices que deve agradar a um público maior do que outros mais arrojados, como o Lumia 1020 e seu calombo traseiro. São poucos botões, os tradicionais/obrigatórios do Windows Phone, dois conectores, um para os fones de ouvido em cima, outro para o cabo microUSB embaixo, e os três botões táteis frontais do sistema da Microsoft. As câmeras são discretas, bem como os microfones e saídas de áudio. É um aparelho que exala sobriedade, e talvez em excesso: ele chega a flertar com a falta de inspiração.

Bordas arredondadas do Lumia 1320.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Embora prefira os modelos mais ousados, é impossível reunir críticas consistentes ao design do Lumia 1320 com uma exceção inescapável: seu tamanho. E olha que a Nokia ainda tentou, com alguns artifícios ergonômicos, mitigar esse “problema”: vistos isoladamente, alguns atributos físicos parecem exagerados, mas colocados em contexto (afinal, estamos falando de 6 polegadas de tela), a espessura de 9,8mm e o peso de 220g não transforma o aparelho em um trambolho. Pelo contrário, ele parece mais fino e mais leve do que os números nos levam a pensar.

O problema é que não há mágica ou engenharia que consiga tornar as outras medidas espaciais, 164,2mm de altura e 85,9mm de largura, confortáveis. É impossível manejar o Lumia 1320 com apenas uma mão e colocá-lo no bolso é, para dizer o mínimo, desconfortável. Ações triviais, como sentar-se em uma cadeira, entrar no carro e até mesmo andar não podem ser feitas sem que aquele volume no bolso não se faça sentir. O Lumia 1320 te lembra sempre da sua presença, ininterruptamente, e essa atenção obsessiva não é exatamente um ponto positivo. É incômoda.

Tela grande, especificações nem tanto

As configurações do Lumia 1320 estão longe de serem ruins. No período de testes, ele não demonstrou lentidão, ou me fez esperar muito por qualquer comando – salvo o irritante “Retomando…” ao voltar em apps, mas aí é coisa do Windows Phone já que ainda está para nascer hardware capaz de evitar esses pequenos atrasos na multitarefa. Ele é, para todos os efeitos, tão rápido quanto outros modelos topo de linha que vieram antes, como os Lumias 920, 925 e 1020.

Lá dentro, temos um SoC Snapdragon S4 com processador dual core rodando a 1,7 GHz, combinado com 1 GB de RAM e apenas 8 GB de memória interna – com generosos 7,28 GB de espaço para o usuário, é verdade. Se o Lumia 1320 sobra em desempenho, em outros aspectos, começando pelo espaço para armazenar apps, jogos, fotos, músicas e outros arquivos do usuário, ele poderia ser melhor.

Nesse caso específico, existe um slot para cartão microSD (até 64 GB), acessível ao remover a tampa traseira. É suficiente para aliviar a falta de espaço, mas não é o ideal. (Embora a tampa seja removível, a bateria não é. Essa configuração, que vem aparecendo com frequência na indústria, permitem armazenar cartões, como o SD e o SIM card, sem comprometer a estética, além de permitir a troca de capas, um ponto de personalização que, aparentemente, as pessoas gostam bastante.)

Lumia 1320 suspenso.
Foto: Rodrigo Ghedin.

A tela do Lumia 1320 chama a atenção pelo tamanho – ainda são raros e, portanto, impressionantes smartphones enormes. Além de grande, a tela é bem boa: responde bem aos toques, os ângulos de visão são bem amplos, a fidelidade de cores, acertada. Ela também é brilhante e conta com algumas tecnologias de melhoramento da Nokia, como a ClearBlack, que dá um reforço nos pretos, algo importante por se tratar de um painel IPS e não AMOLED, que leva vantagem na reprodução dessa cor.

Tudo muito bonito, tudo muito bom, com uma exceção: a resolução. O Lumia 1320 tem resolução HD – 1280×720. É uma resolução alta. Já disse, em outras oportunidades, que ela pode ser suficiente, mas desde que outra medida, o tamanho físico da tela, não seja tão grande quanto 6 polegadas. Feitas as contas, ficamos com 245 pixels por polegada, uma densidade que, para uma tela desse porte, se faz notar de um jeito negativo.

Comparativo entre Lumia 920 e Lumia 1320.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Vista sozinha, a tela do Lumia 1320 dá sinais de que faltaram pixels. Não que ela seja ilegível, ou ruim de modo geral, mas textos menores não são tão definidos quanto em telas mais densas, e ícones e textos pequenos mostram serrilhados com os quais não estamos acostumados há pelo menos dois anos em dispositivos de ponta. Se colocada ao lado de uma tela mais densa, como a do Lumia 920/925 (mesma resolução, mas com 4,5 polegadas), as deficiências de uma tela tão grande com uma resolução intermediária ficam mais evidentes.

Mais uma vez esse modelo revela que é, afinal, um intermediário – longe de ser ruim, mas cheio de características que não chegam ao que existe de melhor hoje no mercado. A resolução menor traz um efeito colateral positivo, a economia de energia. Ele meio que se anula ante a tela enorme (iluminá-la deve consumir muita bateria), mas é aí que o tamanho físico do Lumia 1320 traz o trunfo definitivo para uma longa autonomia: ele permite acomodar uma bateria enorme, com 3400 mAh. É uma carga altíssima, suficiente para ficar um dia e meio, até dois de uso intensivo longe da tomada. Raras são as baterias que chegam a esse patamar, nesse ritmo de uso. A do Lumia 1320 é uma dessas poucas e merece elogios portanto.

A câmera indiferente do Lumia 1320.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Fechando o rol de configurações, a câmera também não chama empolga. Tem 5 mega pixels e nada que lembre a qualidade dos Lumias com tecnologia PureView. Espere dela o mantra para câmeras em celulares que, nos últimos anos, apenas modelos topo de linha têm conseguido ultrapassar: quebra o galho com bastante luz, vai se tornando cada vez mais inútil na medida em que a escuridão aumenta.

Alguns exemplos:

Pudim ao ar livre: bom (nos dois sentidos).
Esta foto ficou tão boa quanto o pudim — cortesia do Sol.
Sem luz natural, a câmera do Lumia 1320 decepciona.
À noite, o ruído fica bem aparente e é mais difícil focar.
O Lumia 1320 não resiste ao teste da foto com luz artificial.
Crop em 100%. Repare como há bastante ruído e perda de definição.

Para ver essas e outras fotos em resolução máxima, visite esta página.

O Lumia 1320 é um smartphone a procura de público

Detalhe na tela do Lumia 1320.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Desde que liguei o Lumia 1320 pela primeira vez, venho tentando entender a quem ele se destina. Smartphones grandes costumam trazer configurações de ponta, o que não é o caso. Modelos intermediários têm telas mais mundanas, de apelo maior. Novamente, não é o caso. Talvez o público que coloca tela gigante como prioridade seja relevante o bastante para levar a Nokia a construir algo como o Lumia 1320, um smartphone que tem cara de high end, mas não passa perto de ser um.

Apesar dessa crise de identidade, o fator preço pode pesar favoravelmente e tornar o Lumia 1320 um sucesso comercial. Seu sugerido é de R$ 1.399, o que coloca em uma disputa ingrata com smartphones Android superiores, como Nexus 5, Moto X, G2 e Galaxy S4. Mas em promoção, o Lumia 1320 já rompeu a barreira dos R$ 1.000. Aí, nesse patamar, as coisas ficam mais interessantes: é um valor condizente com o que ele oferece e, de quebra, o consumidor interessado ainda leva uma telona para casa – para o bem e para o mal, ainda é um grande diferencial nessa faixa de peço.

Links para comprar o Lumia 1320.

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[Review] Moto X, o surpreendente smartphone pé no chão da Motorola

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17/12/13, 19h19 15 min 72 comentários

Em agosto de 2011 o Google anunciou a compra da Motorola Mobility, a parte da empresa responsável pelo que a tornou conhecida: celulares. O valor da aquisição foi de US$ 12,5 bilhões e o primeiro fruto dela levou dois anos para ser revelado. É o preço (e o tempo) de uma guinada na forma de se fazer smartphones, de se voltar às pranchetas, corrigir os erros e ressurgir com um aparelho no mínimo diferente.

O Moto X não é o smartphone mais poderoso do mundo, nem o mais caro, ou o mais bonito. Ele é equilibrado, provavelmente o mais razoável — características especialmente importantes no universo Android, insanamente obcecado por números enormes que na prática nem sempre se traduzem em uma experiência à altura.

Fazendo o arroz com feijão certinho e com alguns ingredientes secretos que dão sabor ao tempero, a Motorola descobriu a receita de como fazer um Android que agrada entusiastas e pessoas comuns. Como Joseph Volpe escreveu no review do Engadget, o Moto X é o iPhone do universo Android — na melhor acepção da comparação:

“O Moto X não tem aquela aura tecnológica como o Galaxy S 4 ou o HTC One porque ele é a soma das médias. Eis como eu o vejo: sabe aquelas pessoas que têm iPhones mas não sabem qual modelo e se referem a todos os celulares Android como Droids? Este smartphone é para elas.”

Vídeo

Menos robô, mais humano

Simples e competente.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Comparando o Moto X com outros smartphones, é difícil acreditar que ele tenha uma tela de 4,7 polegadas. Mas ele tem, sim, e o segredo para parecer menor está em… bem, em ser menor. A utilização de botões virtuais, como nos smartphones da linha Nexus, mais o encurtamento extremo das bordas frontais fazem com que ele seja pouca coisa maior que um iPhone.

O tamanho compacto ajuda na ergonomia e, nessa área, sobram elogios. O Moto X é, como bem definiu Daniel Junqueira no Gizmodo Brasil, o mais humanos dos Androids. Ainda que essa definição se deva em grande parte ao software (chegaremos lá), o design também conta colabora com alguns pontos de humanidade.

O Moto X se encaixa na mão. A parte de trás tem uma curvatura confortável, as bordas, embora anguladas, não incomodam e o material é agradável ao toque. Em todo o corpo existe apenas uma referência à Motorola, um vão nas costas com o “M” característico da empresa. Além de contribuir para um visual mais limpo, essa inscrição tem uma utilidade: naquele espaço repousa o dedo indicador. Um toque sutil de ergonomia que ao usuário transmite algo como “viu só como pensamos em tudo?”

A filosofia do Moto X se distancia muito da da antiga Motorola, aquela do RAZR e Droid/Milestone cheios de referências a robôs e uma linguagem visual agressiva, absortos na catastrófica skin Motoblur. Dos materiais usados ao tratamento dado ao Android, as duas se parecem muito pouco e o Moto X reflete tudo isso.

Quem precisa de especificações de ponta? Não o Moto X

O Moto X tem o tamanho certo.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Smartphones Android contemporâneos ao Moto X saíram de fábrica equipados com o SoC quad-core Snapdragon 800. A Motorola diz que seu aparelho vem com o Sistema de Computação Móvel X8 composto por oito núcleos, dentre eles os do Snapdragon S4 Pro.

São oito núcleos de fato, mas a terminologia parece confusa quando contraposta à padrão usada por outras fabricantes. Os oitos núcleos são dois do processador, um Krait 300 de 1,7 GHz; quatro da GPU Adreno 320; e dois exclusivos para ajudar nos recursos humanos do Moto X, os de computação contextual e linguagem natural.

Confusão à parte, nada disso importa muito na prática. Dual core, quad core, dois ou cinquenta núcleos, o que interessa, como sempre digo por aqui, é a experiência. E nisso o Moto X não deve nada a ninguém.

É impressionante o que a Motorola alcançou com o Moto X. O sistema é responsivo, não deixa o usuário esperando, não trava, não engasga. Smartphones topo de linha de outras fabricantes recebem queixas de problemas do tipo de alguns usuários — e suspeito que as interferências feitas no Android sejam as culpadas. Com o sistema limpo e bem otimizado, o Android desliza pela tela do Moto X.

Tela que para mim é a única parte do hardware conciso do Moto X que dá uma derrapada. Não que eu quisesse um painel Full HD — ela tem 720p de resolução e é suficiente para seu tamanho físico, de 4,7 polegadas, números dos quais se extrai uma densidade de 312 pixels por polegada. É a tecnologia usada, AMOLED, que não me agrada. A tela é super saturada, com imagens vívidas. Demais, até. Quando surge alguma coisa vermelha ou laranja é como se ela estivesse em chamas.

A saturação exagerada da tela é um ponto fraco do Moto X.
À esquerda, a ótima tela do Nexus 4. À esquerda, a do Moto X, excessivamente saturada. Foto: Rodrigo Ghedin.

Há quem goste de telas saturadas e no caso do Moto X existe uma justificativa racional para seu uso: as notificações ativas. Uma das vantagens do AMOLED é que o preto é mais profundo porque dispensa o uso de energia — em vez de iluminar os pixels para mostrar essa cor, a tela simplesmente não os acendem. Dessa forma dá para mostrar as notificações ativas ligando apenas uns poucos pixels, o que não compromete a autonomia do smartphone. (Tela é um dos componentes mais gastões de energia.)

É uma troca válida. As notificações ativas, como explico mais abaixo, são um recurso excepcional, daquelas coisinhas que no dia a dia fazem uma diferença enorme. Eu entendo a opção feita, mas ainda assim me incomoda um bocado a saturação.

Câmera ClearPixel

Câmera do Moto X: software legal, porém limitado.
Foto: Rodrigo Ghedin.

É bom deixa claro desde já que a câmera ClearPixel do Moto X não é nada de outro mundo. Ela é competente dentro do que se esperaria de um topo de linha, mas não se excede como uma PureView da Nokia, ou mesmo as câmeras dos últimos iPhones.

O batismo da câmera se deve a uma tecnologia que, segundo a Motorola, permite a passagem de mais luz na hora de tirar fotos. Câmeras comuns possuem um filtro RGB que, com a passagem da luz, a absorvem de diferentes modos compondo a imagem final. No Moto X existe um filtro RGBC — e esse “C” é de Clear, como se fosse uma via exclusiva para que mais luz passe pela lente. Isso, somado a pixels maiores, de 1,4 µm, em tese deveria melhorar o desempenho da câmera em situações de pouca luz.

No papel a ideia é boa: com baixa luminosidade, o filtro RGB tem dificuldades em absorver luz. O RGBC deveria, em tese, amenizar essa deficiência e entregar fotos melhores em situações difíceis. Ele até consegue, mas seus resultados passam vergonha perto de outras câmeras que, com abordagens diferentes, acabam lidando melhor com o pepino que é fotos noturnas.

Fiz um rápido comparativo com o que tenho à mão aqui: um Lumia 920 e um iPhone 5. Ambos se saíram bem melhores que o Moto X. Confira no detalhe:

A câmera ClearPixel do Moto X deixa a desejar com pouca luz.
Comparativo de câmeras em situação de pouca luminosidade. (Clique para ampliar.) Fotos: Rodrigo Ghedin.

Não é como se fosse uma câmera horrível. Dá para fazer fotos muito legais com a do Moto X, ainda que algumas coisas, especialmente o alcance dinâmico, sejam difíceis de domar. Quando é exigida nessa condição, geralmente o resultado é oito ou oitenta: ou a foto sai escura, ou estourada. É o preço que se paga pela simplicidade.

Veja o exemplo abaixo:

Ou a foto sai escura, ou sai estourada. E o HDR nem deu sinal de vida.
Fotos: Rodrigo Ghedin.

Existe a opção de fazer fotos com HDR e ela vem no automático por padrão. Só que o software é meio imprevisível. O cenário acima grita pelo seu uso, mas ainda assim o Moto X não o ativou. Em situações menos extremas, em que o HDR teve menos impacto na foto final, ele… funcionou estando em automático. Felizmente a simplificação da interface da câmera não eliminou a ativação manual do HDR. Use-a.

Por falar em software, a Motorola jogou fora o app padrão de câmera do Android e fez um muito agradável. Simples de tudo, ele reduz a interface a dois botões (alternar entre as câmeras e gravar vídeo) e transforma o viewfinder inteiro em disparador, da mesma forma que é no Windows Phone.

As opções ficam em um disco oculto na margem esquerda. Arraste o dedo de fora para dentro da tela, e ele aparece. Não se anime muito, porém, já que elas são poucas.

Uma das mais importantes é o controle de foco e exposição que mudou drasticamente com a atualização para o Android 4.4. Antes, um toque na tela fazia os ajustes necessários e já disparava a foto, em uma tacada só. Agora, com essa opção ativa, um disco aparece na tela e pode ser arrastado para a área em destaque. Depois, com outro toque, a foto é feita. O que se ganha em controle perde-se em agilidade, com o complicador extra de ser mais complexo entender o lance do círculo. E ainda dizem que minimalismo é sinônimo de simplicidade…

Outra legal, ou quase isso, é a de vídeos em câmera lenta. Não é como no iPhone 5s: ainda que a resolução seja a mesma (720p), no Moto X o vídeo rola a 15 quadros por segundo. Na prática quer dizer ele é meio truncado e bem menos divertido.

Algumas fotos feitas com o Moto X:

Vídeos de exemplo constam no review em vídeo, acima.

Recursos inteligentes que a gente usa de verdade

Aqueles núcleos extras de computação contextual e linguagem natural servem para o Moto X desempenhar seus truques sem que a bateria seja drenada por eles. Bateria, aliás, que dura tranquilamente um dia longe da tomada com atividades normais, alternando entre Wi-Fi e 4G, como é de praxe em smartphones modernos.

O Moto X está sempre de ouvidos atentos, preparado para receber seus comandos. Ele sabe quando você o pega na mão e se apronta para informá-lo antes mesmo qualquer botão seja pressionado ou a tela, tocada. O acesso à câmera é feito por um gesto simples.

Não são como os recursos “espertos” da Samsung que fazem uma ponta na apresentação ao público do novo Galaxy e depois caem no ostracismos quando chegam às mãos do consumidor. Na prática, esses vários atalhos que a Motorola incluiu no Moto X são, além de muito legais, veja só… úteis!

Um dos recursos mais legais do Moto X.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Será difícil, por exemplo, voltar pegar meu smartphone do dia a dia e não dar de cara com o relógio e os ícones de notificações na tela de bloqueio quando tirá-lo do bolso. As notificações ativas fazem isso no Moto X: ao pegá-lo, a tela acende revelando o relógio e notificações pendentes. Toque no círculo para ter mais detalhes delas Arraste a última (círculo maior) para cima, e o app correspondente abrirá. O movimento para baixo desbloqueia o celular.

Isso funciona de uma maneira tão boa que o uso do botão físico de desbloqueio da tela é reduzido à metade. Não precisa dele: o Moto X sempre exibe a notificação ativa quando é necessário e dali leva ao desbloqueio. É assombroso e, como explicado acima, a tecnologia AMOLED da tela evita o desperdício de energia.

Não menos impressionante é o Google Now acessível por voz. Diga “Ok Google Now” e o Moto X se desbloqueia e se ajeita para ouvir a ordem do seu dono. Com as recentes adições ao portfólio de comandos aceitos em português, ele ficou bem mais útil — desde então só programo alarmes falando com o celular. A interpretação ainda falha (ele teima em entender o meu “sete” falado como “ct” e já desisti de “manual”, que sempre aparece como “manoal”), mas o índice de acertos pende para o lado positivo.

Por fim, o gesto para abrir a câmera. A melhor forma de descrevê-lo é como se você estivesse girando uma maçaneta duas vezes. A Motorola diz que é mais rápido do que desbloquear o celular e abrir o app da câmera, mas convenhamos: esses milissegundos fazem tanta diferença? Mas o que começa como curiosidade, com o tempo passa a ser natural. Dos recursos humanos do Moto X, o gesto de abrir a câmera é o mais difícil de aprender. Ultrapassada essa curva, ele se integra à rotina. Vale o esforço.

Android puro com pequenas adições

Moto X e sua caixa.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Rolou uma pequena decepção com o fato de o Moto X sair de fábrica com o Android 4.2.2 — na época, a versão 4.3 já estava disponível.

Ter a última versão do Android é, também, uma exigência um tanto geek. Ainda mais em minor releases, como foi a 4.3, a absência da última não é algo que faça o usuário comum cortar os pulsos. Grandes saltos, como foi do Android 2.3 para o 4.0, sim; mas não era o caso. E se fosse, tudo bem: o Moto X brasileiro já recebeu o Android 4.4, a última versão do sistema.

Independentemente da versão, o que mais chama a atenção aqui é a pureza do Android. A Motorola preservou a maior parte do sistema da forma como concebida pela empresa-mãe. É o certo a se fazer: ainda há de surgir modificação que supere o Android original. Se consideramos as mexidas tímidas da Motorola como uma, talvez seja ela essa precursora.

Em vez de modificar, a Motorola acrescentou recursos em cima do Android. Estendeu o Google Now para ser ativado por voz e incluiu uma série de apps sob demanda, cada um útil à sua maneira.

Algumas telas do Android puro do Moto X.

Desses, destaco o Assist, uma evolução do ótimo SmartActions. A diferença entre o eles é que o primeiro é mais restrito e automático. Em vez de dar a liberdade (e o trabalho) ao usuário de criar regras e condições, o Assist vem com três pré-definidas: dirigindo, reunião e dormindo. Elas são contextuais e se utilizam de diversos parâmetros, dos sensores do smartphone aos eventos da agenda, para entrar em ação. E, correndo o risco de me tornar repetitivo, o app simplesmente funciona.

Outros apps exclusivos são um assistente de migração de dados, uma coletânea de apps nacionais (exigência legislativa para que o Moto X se beneficie de isenções fiscais), um canal de comunicação direta com o suporte (Moto Care) e o Motorola Connect, que faz a ponte entre Moto X e Chrome para o recebimento de notificações e a troca de mensagens de texto pelo computador.

E pensar que dessa mesma Motorola, ainda independente e nos primórdios do Android, saiu a aberração do Motoblur, talvez a pior mexida que o Android já sofreu em toda a sua existência. O mundo dá voltas.

O smartphone a ser batido

As costas arredondadas do Moto X.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Não são muitos os donos de iPhone que sabem qual a velocidade do SoC ou quantos mega bytes de RAM o aparelho possui. Isso nunca importou muito porque, na redoma da Apple, a promessa é simples e direita (e, importante, cumprida): compre um iPhone e ele funcionará direito.

As fabricantes que adotam o Android adotam uma estratégia diferente. Gostam de mostrar números enormes, apresentam benchmarks sintéticos, adotam tecnologias experimentais. Não é como se não houvesse zelo, mas parece que na ânsia por superar as concorrentes, elas se esquecem de olhar para quem importa no fim das contas: o usuário.

O Moto X foge à regra. É um smartphone competente e isso é tudo que você precisa saber se quiser comprar um — e o recomendo irrestritamente a qualquer pessoa que queira um smartphone bom, ponto. E pelo que o varejo cobra por ele, com promoções recorrentes a R$ 1.000, é difícil justificar a compra de outro Android high-end que não esse.

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[Review] Xperia T2 Ultra Dual: às vezes, parecer é o suficiente

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20/6/14, 9h59 10 min 42 comentários

Uma das últimas tendências no miolo da escala de preços dos smartphones é a das telas grandes, com tamanhos que vão de 5 a 6 polegadas. São aparelhos enormes com telas que, na vitrine, chamam a atenção e no bolso, incomodam. O Xperia T2 Ultra Dual é a aposta da Sony nesse emergente filão.

Outra tendência é a dos smartphones dual SIM. Enquanto o mítico topo de linha com suporte a dois SIM cards não vem, os intermediários seguem melhorando. Com configurações modestas, mas surpreendentemente melhores do que se poderia esperar, Xperia T2 Ultra Dual chega perto desse estado de união entre o melhor dos dois mundos. Quão perto? É o que descobriremos em mais uma análise. Continuar lendo [Review] Xperia T2 Ultra Dual: às vezes, parecer é o suficiente

[Review Rápido] Optimus L7 II, o topo da linha mid-range da LG

Por
19/11/13, 10h03 7 min 11 comentários

Ano passado a LG apresentou a linha Optimus L, composta por smartphones low-end e mid-range com preços atraentes e desempenho agradável principalmente nos modelos mais simples. Em 2013, sem muita criatividade e com poucas mudanças, a LG lançou a segunda leva desses aparelhos chamando-a de L II.

Um review rápido é o que o nome diz: a análise de um gadget feita com menos detalhamento do que reviews convencionais. Como sou um só e às vezes o volume de aparelhos é maior do que a minha capacidade de analisá-los, a saída encontrada para falar um pouquinho do excedente sem correr o risco de fazer julgamentos precipitados foi encurtar esses reviews.

Optimus L7 II: Android intermediário da LG.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Optimus L7 II é o modelo mais robusto desses novos — o L9, que existia na primeira geração, não fez a transição para a atual. Ele conserva diversas características do seu antecessor e traz algumas melhorias interessantes, ainda que insuficientes para destacá-lo — o que, convenhamos, é bem difícil no mar de smartphones Android.

Nos Optimus L do ano passado o design angular era um diferencial questionável. Os aparelhos eram bem quadrados, impactando até a ergonomia. O L7 II é diferente, assemelha-se mais ao padrão de outros aparelhos e fabricantes, com cantos e bordas traseiras arrendondadas. Ele é confortável de segurar.

A tampa traseira com acabamento em black piano.
Foto: Rodrigo Ghedin.
O tamanho do Optimus L7 II em perspectiva.
Da esquerda para a direita: Nexus 4, caneta BIC, Optimus L7 II e iPhone 5. Foto: Rodrigo Ghedin.

O acabamento é todo de plástico e para desespero de quem tem TOC com limpeza a tampa de trás é em black piano, aquele ímã de impressões digitais. Ela sai com facilidade, revelando a bateria e os slots para o SIM card e cartão micro SD — um de 4 GB acompanha o aparelho. Há ainda, no mercado local, o L7 II Dual, com suporte a dois SIM cards.

Na frente, chamam a atenção a borda prateado e o botão principal que traz um LED multicolorido no seu contorno, como o Optimus G Pro. Vem desse phablet, aliás, outro toque exclusivo: o botão extra do lado esquerdo, acima dos de volume, configurável nas opções do sistema.

O Optimus L7 II herda alguns detalhes do Optimus G Pro.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Configurações medianas com dois destaques

A tela do L7 II mantém a tradição da LG de fabricar painéis bonitos. Ela tem 4,3 polegadas, painel IPS, boa fidelidade de cores. Só escorrega na resolução, de 800×480, o que não chega a incomodar na maior parte do tempo, mas revela serrilhados na hora de reproduzir vídeos, jogos e fontes pequenas àqueles com olhos mais atentos. De qualquer forma, com 217 pixels por polegada é uma tela bacana.

Detalhe curioso (e chato): não há controle automático do brilho. Isso passa numa boa em modelos de entrada, mas para um que se posiciona como mid-range é uma ausência estranha.

Botões frontais do Optimus L7 II.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Para mostrar o que aparece na tela e receber os comandos do usuário, o L7 II conta com um Snapdragon S4 Play, um SoC mediano com processador Cortex-A5 dual core de 1 GHz, GPU Adreno 203 e 768 MB de RAM. Está longe de ser ruim; ele lida bem com o Android e as intervenções da LG no sistema, e na maior parte do tempo não é impedimento ao bom uso do smartphone. Mas basta exigir um pouco mais, com um jogo ou intensificando o uso da multitarefa, que algumas engasgadas se fazem notar.

Optimus UI: piora em relação ao Android puro.

O L7 II não foge à regra e, a exemplo dos demais Androids da casa, vem com uma camada extra sobre o Android (4.1.2, no caso), a Optimus UI. Elementos visuais e configurações, quando aplicáveis, são os mesmos do Optimus G Pro, incluindo o QuickMemo – que em uma tela abaixo das 5 polegadas não faz lá tanto sentido. As críticas feitas à Optimus UI no último review se repetem aqui: as alterações são feias, a usabilidade é pior que a do Android puro e, ainda que existam, é difícil encontrar pontos onde ela se justificam no sentido de serem benéficas ao usuário.

A câmera de 8 mega pixels é o que se esperaria de uma topo de linha em celulares há dois anos: passável em ambientes com bastante luz, sofrível com luz artificial e proibitiva em locais com baixa iluminação. É relativamente fácil deparar-se com ruído e o baixo alcance dinâmico atrapalha. Novamente: para um mid-range, está de acordo. São fotos que ficam bonitas em redes sociais, redimensionadas, e que são suficientemente boas para guardar para a posteridade. O mesmo não pode ser dito dos vídeos, dada a incapacidade de filmar em alta definição. O L7 II só grava vídeos em 480p a 30 quadros por segundo, o que é uma pena.

Além da tela, a bateria é outro ponto que se destaca no L7 II. Ela tem 2460 mAh, um valor alto nesse patamar. A título comparativo, o modelo anterior tinha uma bateria de 1700 mAh e alguns concorrentes do atual, como o Xperia M, da Sony, e o Lumia 620, da Nokia, ficam bem abaixo do que o L7 II oferece — 1750 e 1300 mAh, respectivamente. Dá para ficar mais de um dia longe da tomada com esse smartphone, uma coisa sempre boa independentemente da faixa de preço em que ele se insere.

Como telefone o aparelho cumpre bem o que se espera de um. O alto-falante traseiro, porém, é um tanto ruim, com volume baixo e um som pobre, carente de detalhes e graves. Os fones de ouvido que vêm na caixa são bem ruins também.

Vale a pena comprar um Optimus L7 II?

Um bom smartphone intermediário.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Quando lançado no Brasil, em abril, o L7 II com suporte a um SIM card tinha o preço sugerido de R$ 929. Hoje é encontrado em lojas virtuais confiáveis por valores que variam de R$ 720 a R$ 800, o que o coloca em choque com aparelhos bem atraentes.

O Nexus 4, também da LG, está em promoção eterna no varejo local e, enquanto não esgotarem os estoques, é a melhor compra não só nessa faixa, mas de todas do mercado. A uma cabeça de distância aparece o Moto G, da Motorola, que bate o L7 II em praticamente todos os quesitos e tem preço sugerido quase R$ 100 mais barato que o aparelho da LG já com descontos promocionais aplicados. Outros modelos correm por fora, como o Lumia 720, da Nokia, e o Xperia L, da Sony.

Comprar o Optimus L7 II não é mais um bom negócio. E é compreensível: ele foi lançado há oito meses, uma eternidade em se tratando de smartphones que parece ainda maior entre os modelos de entrada e intermediários. Se vê-lo em alguma promoção agressiva, porém, de repente pode ser uma boa. Apesar das mexidas infelizes da LG no Android e do SoC mediano, tela e bateria ainda estão acima da média e são capazes de deixar qualquer dono de um L7 II bem contente.

Compre o Optimus L7 II

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[Review] Optimus G Pro, o phablet amigo da natureza da LG

Por
12/11/13, 10h20 14 min 14 comentários

“Nossa, que grande!” é o que mais se ouve de quem vê o Optimus G Pro pela primeira vez. Lançado no Brasil no final de agosto de 2013, o telão de 5,5 polegadas realmente se destaca, mas há outras qualidades (e estranhezas) neste phablet da LG.

O Optimus G Pro foi anunciado durante o World Mobile Congress, na Espanha, em fevereiro deste ano. Na época, chamou a atenção por ser o primeiro smartphone com o então novo Snapdragon 600, SoC poderoso da Qualcomm, e por trazer diversas características superiores às do Galaxy Note II, da Samsung, concorrente direto na briga de grandões no universo Android.

A demora em chegar ao Brasil desgastou o brilho do aparelho? O que a LG fez para diferenciá-lo dos outros phablets? Com LG G2 e Galaxy Note 3 já disponíveis por aqui, ele ainda é uma boa compra? Tentarei responder essas e outras dúvidas neste review.

Review em vídeo

Amor e ódio com o tamanho

Como é atender uma ligação com um phablet.
Foto: Vitória “Toia” Santos Cruz.

Para meu alívio, o  Optimus G Pro coube em todas as calças e shorts em que tentei colocá-lo. Faltar espaço ali para colocar o phablet era o maior temor antes de receber essa unidade de testes, e um justificável, afinal são 150,2 x 76,1 x 9,4 mm.

Apesar da relação harmoniosa com os bolsos, o tamanho avantajado cobra seu preço em diversas situações. O manuseio com uma mão é difícil, mesmo com os truques de jogar os teclados para um dos lados da tela e as pequenas decisões de design que melhoram a empunhadura — bordas traseiras arredondadas, botões laterais colocados no meio do corpo, em vez do topo, e largura e moldura da tela mais finas. Alcançar o botão home (físico) e os táteis que o ladeia também é um exercício de malabarismo dos mais chatos, com o risco iminente de tocar a base da tela e desencadear algum comando sem querer. Bônus indesejado: a LG substitui o botão de multitarefa do design padrão do Android pelo de menu, e isso afeta a Action Bar de todos os apps. Afinal, para que seguir um padrão se podemos mudar tudo?

Quanto mais cedo se admite que o Optimus G Pro, a exemplo de todo phablet, é aparelho para duas mãos, mais rápida é a adaptação a ele.

Decisões estranhas de design da LG.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Embora tenham nomes parecidos, a LG posiciona o Optimus G Pro em uma categoria diferente da do Optimus G. A desse último seria a linha premium, que privilegia acabamento e design; a segunda, na qual se insere o Optimus G Pro analisado aqui, é a linha desempenho, com foco, também, em ergonomia.

Essa ruptura com o Optimus G, apesar da nomenclatura e visual similares, fica bem evidente quando se pega os dois na mão. O perfil fino, leve e com acabamento envidraçado dele (e do Nexus 4) cede lugar, no Optimus G Pro, ao plástico e soluções ergonômicas, citadas acima, para tornar o uso de um phablet mais natural.

São esforços válidos, mas em termos de design parece um passo atrás. O Optimus G Pro não é selado, ou seja, é possível remover sua tampa traseira e trocar a bateria, algo raro em smartphones topo de linha hoje. O plástico não tem um aspecto barato, parece resistente e tem até uma textura visual de quadradinhos brilhantes similar à dos irmãos com vidro menores, mas o conjunto é, de fato, menos “premium” que nesses outros. Ele também é pesado, com 172 g, embora seja algo esperado para um aparelho tão grande.

Acabamento mais simples no Optimus G Pro.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Bem servido de portas e botões, o Optimus G Pro guarda algumas invencionices legais. O conjunto básico está lá: porta micro USB, microfones (um normal, para falar, e outro para cancelamento de ruídos), botões de volume e liga/desliga e saída de áudio. Ao lado dessa última, começam as surpresas: um sensor infravermelho.

Alguns modelos high-end recentes, como Galaxy S 4 e HTC One, vêm com ele. No phablet da LG, o app QuickRemote pré-instalado permite usá-lo para interagir com diversos aparelhos da casa. Testei com uma TV Samsung e funcionou muito bem. Como é mais fácil perder o controle remoto do que o celular, é um recurso bem-vindo.

O Optimus G Pro vem com um sensor infravermelho.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Na lateral esquerda reside algo ainda mais único, um botão configurável. Por padrão ele ativa o QuickMemo, outro app da LG que, no caso, transforma a tela que está sendo exibida em um caderno de desenhos. Dá para fazer anotações, setas, desenhar, enfim, o que quiser e, depois, salvar o trabalho no Caderno, o app que gerencia essas anotações, ou compartilhá-lo — só faltou uma stylus para aproveitar melhor isso, né? (Outra forma de abrir o QuickMemo é clicando no primeiro slider da área de notificações.)

Nas opções do Android, a Tecla rápida, como a LG a chama, pode ganhar funções variadas, inclusive abrir e servir de disparador para a câmera, como é padrão nos Windows Phones.

Por fim, o LED de notificações é enorme. Na verdade, ele é a borda do botão home frontal, que é grande, logo… Chama a atenção, talvez até demais. Prefiro soluções mais sutis como a do Nexus 4.

Solta o som e desligue as luzes: que bela tela você tem!

Tela fantástica do Optimus G Pro.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Se você precisa de algum motivo para comprar este phablet (ou explicar aos amigos por que comprou um), aposte na tela. A LG talvez seja quem faça as melhores telas de celulares hoje e o Optimus G Pro é o ápice dessa arte: 5,5 polegadas, resolução de 1920×1080, densidade de 401 pixels por polegada, painel IPS. Traduzindo: uma tela estonteante.

Esperta que só, a fabricante ainda inclui alguns vídeos demonstrativos que fazem pulsar a telona. A qualidade dessa tela é assombrosa de tão boa. Graças ao SoC poderoso, lidar com vídeos na resolução nativa, Full HD, não é problema. O que talvez cause um gargalo aqui é o espaço de armazenamento, de apenas 16 GB na versão brasileira (lá fora é de 32 GB), pouco para vídeos de alta resolução. Essa escassez de espaço pode ser remediada com o uso de um cartão microSD de até 64 GB.

A sonzera sai de um alto-falante solitário ao lado da câmera. Não impressiona, no volume máximo se notam distorções bem aparentes, mas na falta de fones de ouvido, quebra o galho.

Por falar em fones, os que acompanham o produto são bem bacanas. Bom isolamento acústico, graves ok e atenção aos detalhes. São feios que doem, mas oferecem boa qualidade sonora.

Desempenho e bateria

O Optimus G Pro tem tampa removível.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Não há muito o que reclamar do hardware do Optimus G Pro. Com um Snapdragon 600 composto por um processador quad-core de 1,7 GHz e GPU Adreno 320, mais 2 GB de RAM, ele voa. Nem mesmo a skin esquisita da LG afeta o desempenho do phablet, que é notável. Ele é rapidíssimo, inclusive em jogos intensivos como Real Racing 3.

A bateria tem 3040 mAh e uma tecnologia que a LG chama de SiO+. Ela acrescenta partículas de silício na composição da bateria que, segundo o site oficial do Optimus G Pro, aumentam sua densidade. O resultado é uma recarga mais rápida e duração estendida de 5% a 25% em comparação a uma bateria similar sem essa tecnologia.

No mundo real, a autonomia do Optimus G Pro agrada. Diferentemente do que 3040 mAh nos leva a pensar, ela não se converte em dias de despreocupação com recarga, como no RAZR MAXX, da Motorola, ou no Honor, da Huawei. A tela provavelmente compromete a bateria, mas não a ponto de torná-la sequer mediana. Dá para passar um dia longe da tomada sem sustos.

O Optimus G Pro é enorme.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O aparelho é compatível com bases de recarga da bateria por indução que sigam o padrão Qi — o mesmo que a Nokia usa bastante na linha Lumia.

Câmera

O Optimus G Pro vem com uma câmera traseira de 13 mega pixels, sensor de 1/3,06 polegada e lente com abertura f/2,4. Ela não traz nada espetacular como as câmeras PureView, mas gera resultados satisfatórios e o software se aproveita do poder de processamento do Snapdragon 600 para oferecer diversos truques, uns curiosos, outros úteis.

Anote aí: disparo por voz, captura prévia de imagens (tira fotos antes e depois do disparo para o usuário escolher as melhores), modo panorama VR (igual o PhotSphere do Android 4.2), câmera dupla para fotos e vídeos, modo automático inteligente, focagem manual ou automática (com um incomum slider no primeiro) e estabilização de imagem para filmagens.

A câmera é rápida, as fotos saem boas, considerando ser um smartphone, e enormes na configuração padrão, graças aos 13 mega pixels. Em certas circunstâncias as imagens saem um pouco lavadas e em condições extremas, como cenários naturais com muitas folhas ou outros elementos pequenos em grande quantidade, perde-se um pouco de definição. No geral, porém, as fotos são acima da média, com imagens bem definidas e bonitas. À noite, mesmo com pouca iluminação é possível obter resultados aceitáveis.

Crop de 100% de uma foto em ambiente interno, com iluminação natural:

Droidinho: bem definido pela câmera do Optimus G Pro.
Crop de 100% em uma foto.

O HDR também é legal (lado esquerdo normal, lado direito com HDR ativado):

Comparativo de HDR.
Foto: Rodrigo Ghedin.

E algumas amostras em condições variadas:

Optimus UI

Optimus UI, a skin para Android da LG.

As fabricantes sul coreanas têm certo fascínio pela natureza. A Samsung usa muito esse tema na promoção e inclusão de recursos da linha Galaxy S e a LG, com a nova Optimus UI, também recorre a campos verdejantes, gotas d’água e nuvens no tapa visual que dá no Android.

O Optimus G Pro vem com o Android 4.1.2 profundamente modificado. Dos elementos de interface às opções, tudo passou por um tratamento de beleza. Um tanto duvidoso, diga-se de passagem.

Embora a combinação de hardware potente com anos de trabalho tenha acabado com a fama de lentidão das skins de fabricantes, é difícil superar o trabalho de UI/UX e design do Google — é difícil superar o Android puro. Em alguns pontos a Optimus UI mais confunde do que ajuda e, em termos estéticos, é raro encontrar alguma parte dela que seja mais bonita do que a do visual base do sistema.

Um local emblemático é a área de notificações. Boa parte do espaço dela se perde para atalhos rápidos, os aplicativos QSlide (que flutuam sobre a tela e rodam em paralelo com outro app) e o slider de brilho. Tudo bem que a tela é enorme, mas as notificações também o são e, nessa alteração, quase metade da área destinada a elas é ocupada por elementos intrusos.

Área de notificações do Optimus G Pro.

Outra coisa que incomoda deveras é a preocupação exagerada com RAM, gerenciador de tarefas, administração de apps. Parece um viagem no tempo, de volta aos anos 1990 a bordo de um Windows 98. A LG destina um widget específico para mostrar quanto dos 2 GB de RAM está em uso, criou um app dedicado à administração de apps abertos e coloca, na tela de multitarefa, atalhos rápidos para forçar o fechamento de todos os apps que estão na memória.

De verdade: não precisa de nada disso.

2 GB de RAM sobra para o Android hoje. Fosse em um aparelho comprometido nesse aspecto, com… sei lá, 512 MB, seria compreensível — ainda que o adjetivo “vantajoso” permaneça questionável. No Optimus G Pro, isso tudo é bobagem. O Android gerencia a memória bem e o único efeito que saber quanto de RAM está em uso tem no usuário é o de paranoia ao ver muito dela está ocupada. Normal: memória existe para ser usada, não economizada.

A LG redesenhou profundamente o Android.

As intervenções visuais na Optimus UI são, na maioria das vezes, deselegantes. As nuvens no app drawer, os ícones redesenhados, os seletores dos menus, a animação ao alternar as telas iniciais, tudo é esquisito, parecem partes distintas que não conversam entre si e destoam drasticamente das diretrizes de design do Android que, nos apps (bem feitos), aumentam ainda mais essa sensação de estranheza e distanciamento visual.

Algumas intervenções felizes da LG.

Está tudo perdido? Não. Há coisas para se gostar na Optimus UI. A tela de desbloqueio possui atalhos rápidos bem úteis e os apps QSlide oferecem um workflow multitarefa bastante versátil. O recurso que mantém a tela ativa monitorando o olhar do usuário é bacana, bem como o que pausa um vídeo quando quem o assiste olha para outra direção — infelizmente, esse só funciona no player nativo.

As opções, aliás, merecem um pente fino: várias configurações interessantes ou mal definidas por padrão se escondem ali. Exemplo? O teclado, que por padrão vem com o método swipe de escrita e a correção automática desativados.

Um grande phablet

LG Optimus G Pro.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Como todo bom Android, três meses após ser lançado por aqui o Opimus G Pro, cujo preço sugerido é de R$ 2.099, já pode ser encontrado por menos de R$ 1.600 em lojas virtuais confiáveis. É um preço bem tentador para um aparelho que ainda é capaz de segurar o status de high-end, e que fica ainda mais interessante quando comparado ao seu concorrente direto, o Galaxy Note 3, cujo preço sugerido é de R$ 2.800. Ouch!

Existem poucos motivos para desgostar do Optimus G Pro, mas esses poucos podem ser insuportáveis. O tamanho é o primeiro e mais óbvio: nem todo mundo gosta de andar com um negócio tão grande e destacado no bolso. Colocá-lo no rosto para conversar (ah é, ele faz ligações também, e nada a reclamar nesse ponto) é quase cômico. Em contraponto aos vídeos de tirar o fôlego e joguinhos imersivos proporcionados pela sua bela e grande tela está o tamanho físico, que afugenta quem prefere tamanhos mais manuseáveis e dificulta o uso.

A outra baixa é a personalização do Android. É feia e esquisita, um choque para quem, como eu, está habituado ao sistema puro, como concebido pelo Google. Pelo menos não notei engasgadas ou travadas de qualquer espécie, algo que, no passado (e, dizem, com alguns modelos atuais de outras fabricantes) era um problema crônico derivado das skins de fabricantes. O Optimus G Pro é um foguete.

O Optimuns G Pro não caiu no lago durante a produção dessas fotos.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Apresentam-se como opções de phablets no mercado nacional o Optimus G Pro e o Galaxy Note 3. No custo-benefício, o modelo da LG é imbatível. Além do preço, em termos gerais ele é ótimo. Se phablets forem a sua praia, é um aparelho a se considerar bastante.

Compre o Optimus G Pro

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[Review] Asha 501: smartphone barato? Sim, mas com dignidade

Por
31/10/13, 18h30 14 min 21 comentários

Um dos maiores mitos da tecnologia de consumo é o produto de entrada para os “não iniciados”. Um smartphone barato não é apenas um smartphone barato, é também um destinado a quem está vindo de um celular simples, que nunca teve contato com sistemas modernos e seus milhares de apps. É o que dizem, pelo menos, parte da imprensa e parte das fabricantes.

Para mim, isso é bobagem. Se duvida, faça um teste: dê um Galaxy S 4 e um Galaxy Y para alguém que se encaixa nesse perfil e veja com qual dos dois ele se sai melhor. Os entraves que um equipamento de baixo custo impõe ao usuário são contornáveis por quem tem familiaridade com o assunto. Para o leigo, não passam de empecilhos, camadas extras de dificuldade para se fazer o que tem que ser feito com o gadget. Para qualquer um, todos nós, limitações irritantes.

Androids baratos sofrem muito desse problema. A linha Asha, da Nokia, tem por objetivo ocupar essa faixa de preço apostando em características diferentes das dos modelos com Android de mesmo preço. Em vez da infinidade de apps combinada com hardware medíocre, ela mantém essa última parte da equação mas coloca um software adequado ao hardware em que será executado.

Dá certo? É cada vez mais raro justificar a compra de um featurephone. Smartphones low-end estão melhorando e já não é mais impossível achar modelos decentes na faixa dos R$ 500. Para quem não pode pagar isso e não quer um Nokia lanterninha, a única opção é se jogar nesse espaço nem sempre agradável que separa as duas categorias — e torcer para não se arrepender.

A última investida da Nokia na sua linha básica, o Asha 501, chegou ao Brasil no final de julho de 2013. Esse aparelho é, no geral, uma evolução notável do que vinha sendo feito até então — testei um Asha 311 no começo do ano e… não era de se jogar fora, mas mesmo com hardware teoricamente superior, ele fica atrás do novo modelo. Ainda assim, o Asha 501 é suficiente para agradar quem está curto de grana? Você confere a resposta no primeiro review (sério!) do Manual do Usuário.

Vídeo

Óun, que celular bonitinho esse Asha 501!

A repaginada no Asha 501 se nota logo de cara graças ao design emprestado dos modelos mais caros da Nokia, os da linha Lumia. A parte de trás, feita de plástico e com cinco opções de cores, dá um ar jovial e alinhado à identidade visual da empresa. Pena que, no Brasil, apenas as sóbrias opções preto e branco chegaram.

A qualidade de construção é surpreendentemente boa para um produto dessa categoria. A tampa de trás é firme e, ao mesmo tempo, suave ao toque. Ela fica presa com firmeza ao aparelho (muito, até; é um pouco difícil desencaixá-la) e meio que “abraça” o Asha 501. Na frente, bordas grossas ao redor da tela e a presença de apenas um botão físico, o de voltar.

Todas as entradas e saídas do Asha 501 ficam na borda superior.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Asha 501 é econômico em botões e entradas/saídas. Além do botão frontal, ele tem outros três na lateral esquerda — dois para volume, um para ligar/desligar. No topo ficam a saída de áudio, a porta micro USB e uma entrada de energia proprietária da Nokia — desnecessária, já que o aparelho recarrega a bateria pela interface USB também. Embaixo e à esquerda, nada.

Pesando apenas 98,2 g, o Asha 501 não incomoda na mão. Suas dimensões são bem pequenas, exceto na espessura 12,1 mm. Esse tamanho diminuto esbarra, pois, na grossura do aparelho — quase chega a ser mais incômodo no bolso da calça do que smartphones Android e Windows Phone com telas bem maiores.

Asha 501 é um celular dual SIM -- aceita dois chips de operadoras.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O modelo analisado possui suporte a dois SIM cards simultâneos. A configuração deles, atrás, é a seguinte: o principal fica embaixo da bateria, logo é preciso removê-la para acoplar o SIM card ali. O outro, bem como o slot para cartão SD (um de 4 GB vem na caixa), fica na lateral do aparelho. Ainda exigem a remoção da tampa, mas não a da bateria — e o mais legal é que além do SD card, o segundo slot para SIM card funciona em modo hot swap, ou seja, não é preciso desligar o celular para que o sistema reconheça um novo inserido ali. Clientes de três operadoras que vivem alternando dois SIM cards devem aproveitar bastante essa facilidade.

Mas essa tela aí…

Quando se liga o Asha 501, a tela joga na cara do usuário o preço pago por ele. Com 3 polegadas e uma resolução baixíssima, de apenas 320×240, não é, nem de (muito) longe, uma tela Retina. Os pixels são bem visíveis e qualquer texto menor tem sua legibilidade comprometida. Que pese a favor, a Nokia foi generosa na interface usando ícones e tipografia grandes para compensar esse problema de resolução.

Brilho e cores (256 mil) são aceitáveis, não incomodam. Não espere fidelidade absoluta, mas perto de aparelhos bem superiores que abusam da saturação, é de se questionar até que ponto a naturalidade da paleta de cores é um ponto positivo ou negativo. Ah, e trata-se de uma tela capacitiva. A sensibilidade aos toques (multitouch de dois toques) não chega perto da de um smartphone high-end, mas perto das resistivas, usada em vários Ashas no passado, é um progresso e tanto.

Tela ruim do Asha 501.
Foto: Rodrigo Ghedin

Não sou do tipo que reclama de ângulos de visão estreitos em celulares, afinal é um tipo de gadget que, salvo raras exceções, se utiliza olhando de frente. A tela do Asha 501, porém, tem um estranho comportamento quando vista da direita: as cores praticamente se invertem, ao passo que em todas as demais direções ela segura a onda, mantendo-as inalteradas. Talvez seja um defeito da minha unidade de testes — na verdade, torço para que seja o caso.

Áudio bacana, câmera horrível, e nada de 3G

Se no vídeo o Asha 501 deixa muito a desejar, no áudio ele mostra um bom serviço. A saída de áudio é mono, fica atrelada ao botão que desengata (dada a dificuldade, parece o termo mais adequado) a tampa de trás do aparelho. O volume é alto, bem alto, e mesmo no máximo praticamente não se notam distorções. O alto-falante para ligações também é excelente.

A câmera simples do Asha 501 não impressiona.
Foto: Rodrigo Ghedin.

A satisfação volta a cair a níveis difíceis de engolir quando passamos à câmera. Com 3,15 mega pixels, não espere muita coisa dela. As fotos saem com um ruído forte, o equilíbrio de branco é pífio e o foco, fixo, inviabiliza a captura ideal de muitas situações. E é bom ficarmos longe do vídeo; a menos que seja um momento muito desgraçado que você queira registrar, a resolução (QVGA, os mesmos 320×240 da tela) e a velocidade (15 qps) são capazes de destruir qualquer registro feliz captado por essa lente.

Confira uma galeria:

A pedrada final é a ausência de 3G. Longe de um ponto de acesso Wi-Fi, o Asha 501 só se conecta à rede da operadora via EDGE, padrão que chega a, em média, 400 Kb/s. E leeeento, mas não chega a ser um gargalo para usuários dos planos pré-pagos nacionais — até dia desses a TIM limitava a velocidade desses clientes a 300 Kb/s –, e… bem, é difícil imaginar alguém capaz de bancar uma conta pós-paga comprando um Asha 501. De qualquer modo, apps de terceiros que usam dados, como Facebook e Twitter, ficam absurdamente lentos quando dependem da rede da operadora.

Software básico, mas competente

O Asha Software Platform 1.0 equipa o Asha 501.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Asha 501 serve de palco de estreia para o Nokia Asha Platform 1.0, primeira versão do sistema que, daqui em diante, será a base desses modelos básicos. Ele é uma evolução bem-vinda do datado S40 que equipava modelos antigos da linha, e apesar de bem diferente, por baixo do capô dá para verificar algumas convenções do passado que ainda resistem, como a ausência de multitarefa — compensada, é verdade, por notificações push para alguns apps principais.

É de se suspeitar que tenha havido algum trabalho de otimização por baixo dos panos. Entrando rapidamente no tecniquês, o Asha 501 tem só 64 MB de RAM e processador desconhecido — a Nokia não revela, mas é bem provável que seja algo bem mais lento, por exemplo, que o de 1 GHz que move o Asha 311. Ainda assim, a fluidez do sistema agrada bastante. As transições são suaves, os dois painéis principais se alternam sem engasgos e apps nativos, com uma ou outra exceção, abrem com velocidade satisfatória e funcionam a contento.

A reorganização da interface foi bem feliz. A Nokia exumou o cadáver do MeeGo e trouxe para o Asha 501 diversos gestos, bem explicados no primeiro uso do aparelho, para navegar pelo sistema, além de umas sacadas elegantes, como notificações na tela de bloqueio e o toque duplo na tela para desbloqueá-la (que nem sempre funciona).

Fastlane e Home, as telas principais do Asha.
Foto: Rodrigo Ghedin.

A interface principal divide-se em dois painéis, o Home, que consiste no grid de ícones/apps tradicionais a la Android e iOS, e o Fastlane, uma central de notificações bombada. Essa última contempla ligações, apps recém-abertos e instalados, mensagens recebidas, fotos tiradas, notas, aniversários e compromissos da agenda em uma linha do tempo em ordem cronológica inversa — os mais recentes, no topo. De muito bom gosto, e bastante funcional. Para alternar entre os painéis, basta deslizar o dedo sobre a tela lateralmente a partir de uma das bordas.

Curiosamente, ainda existe uma tela de notificações na cortina do topo. Ela traz menos notificações (coisas do Facebook, por exemplo), dá informações mais detalhadas dos SIM cards em uso e traz utilíssimos botões para Wi-Fi, Bluetooth, conexão de dados da operadora e modo silencioso. O gesto aqui é como nos outros sistemas (Android e iOS): arrastar o dedo de cima para baixo

O último gesto que sobra, de baixo para cima, funciona em alguns apps e serve para revelar opções estendidas ou o menu principal.

Notificações e botões rápidos na cortina.
Foto: Rodrigo Ghedin.

É fácil acostumar-se com essa dinâmica. São poucos comandos para memorizar e a interface como um todo emana simplicidade. No começo dá para se perder, mas a curva de aprendizado é bem curta. Com algumas horas de uso dá para dominar o manejo do Asha 501.

A oferta de apps é singela. O básico vem coberto de fábrica, com apps para calendário, agenda de contatos, alarmes, música, vídeo, email, navegador (Nokia Xpress), calculadora e gravador, e até uns mais elaborados, como Contadores (para monitorar o tráfego de dados na rede da operadora), uma central de contas em redes sociais, app de notas e um gerenciador de arquivos simples.

Simplicidade é o que norteia e, acho eu, garante o bom funcionamento de todos esses apps. Eles não fazem nada que faça o usuário suspirar e bater palmas emocionado com o progresso tecnológico da humanidade, mas essa auto-limitação tem como aspecto positivo uma experiência confiável. Uma grata surpresa dessa leva de apps nativos é o bom gosto: alguns, como os apps de música, alarmes e calendário, são muito bonitos.

O belo app de música do Asha 501.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Quando apps de terceiros entram na jogada, aí a coisa fica feia. O Asha 501 traz alguns pré-instalados, como Facebook, Twitter, The Weather Channel e joguinhos. Eles são lentos e não têm lá muita preocupação com visual — o do Facebook é o caso mais grave; parece a primeira versão do app lançada para iPhone, lá em 2008. A loja de apps é carente de qualquer coisa relevante hoje, com exceção de Foursquare, WeChat, HERE Maps (sem GPS, apenas com Wi-Fi e triangulação de torres) e, em breve, WhatsApp — uma ausência sentida, especialmente pelo histórico do app em featurephones da Nokia.

Por falar em apps de bate-papo, outra coisa que agrada em cheio é o teclado virtual. Mesmo no aperto das 3 polegadas, ele é confortável de se usar, traz correção automática e a vírgula está disponível de cara, sem precisar segurar uma tecla ou alternar o teclado para outro modo — deveria ser assim no Android, Google.

O grande trunfo: bateria

Mesmo com apenas 1200 mAh, a bateria do Asha 501 dura.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Nokia ainda é, na cabeça de muita gente, sinônimo de durabilidade e autonomia. Não fiz testes de resistência com o Asha 501, do tipo derrubá-lo no chão ou passar com um carro sobre ele (acontece…), mas no quesito bateria ele faz jus à fama da fabricante finlandesa: dura, e dura muito.

A Nokia promete 26 dias em stand by, e até 17 horas de conversação. Com Wi-Fi e rede de dados ligados e se alternando, tirando algumas fotos, usando redes sociais, poucas ligações, email, essa coisa toda que se faz em celulares atualmente, a bateria do Asha 501 chegou ao segundo dia de uso com mais da metade da carga. Não existe smartphone no mercado capaz de fazer frente. E veja que impressionante: tudo isso com uma bateria de apenas 1200 mAh — a média dos smartphones, hoje, gira em torno de 1800~2000 mAh.

Bateria é um dos pontos que levariam alguém a comprar um Asha 501. Para quem precisa passar longos períodos longe da tomada, é uma característica matadora.

Barato sim, mas com dignidade

O pequeno e belo Asha 501.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Asha 501 é simpático. Ele é pequeno, leve e bonito. E barato também: com preço sugerido de R$ 329, já é fácil encontrá-lo bem abaixo disso — na data de publicação deste review algumas lojas ofereciam o aparelho por até R$ 219.

Os pontos fortes desse aparelho são bem claros: autonomia assombrosa, visual moderno e um sistema que se comporta bem, ainda que seja severamente limitado. É um passo além dos celulares de lanterninha, mas uma experiência bem mais simples que a oferecida por um smartphone de verdade.

Eu gostei do Asha 501, mas não me vejo usando um a não ser por necessidade. Para quem é menos exigente, que só quer um celular competente, que passe muito tempo longe da tomada e vez ou outra gosta de dar uma conferida no email, Facebook e Twitter, ele é uma boa pedida — começando pela faixa em que se insere; é difícil encontrar nela concorrentes de marcas conhecidas equiparáveis em recursos e qualidade.

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