[Review] Moto X, o surpreendente smartphone pé no chão da Motorola

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17/12/13, 19h19 15 min 72 comentários

Em agosto de 2011 o Google anunciou a compra da Motorola Mobility, a parte da empresa responsável pelo que a tornou conhecida: celulares. O valor da aquisição foi de US$ 12,5 bilhões e o primeiro fruto dela levou dois anos para ser revelado. É o preço (e o tempo) de uma guinada na forma de se fazer smartphones, de se voltar às pranchetas, corrigir os erros e ressurgir com um aparelho no mínimo diferente.

O Moto X não é o smartphone mais poderoso do mundo, nem o mais caro, ou o mais bonito. Ele é equilibrado, provavelmente o mais razoável — características especialmente importantes no universo Android, insanamente obcecado por números enormes que na prática nem sempre se traduzem em uma experiência à altura.

Fazendo o arroz com feijão certinho e com alguns ingredientes secretos que dão sabor ao tempero, a Motorola descobriu a receita de como fazer um Android que agrada entusiastas e pessoas comuns. Como Joseph Volpe escreveu no review do Engadget, o Moto X é o iPhone do universo Android — na melhor acepção da comparação:

“O Moto X não tem aquela aura tecnológica como o Galaxy S 4 ou o HTC One porque ele é a soma das médias. Eis como eu o vejo: sabe aquelas pessoas que têm iPhones mas não sabem qual modelo e se referem a todos os celulares Android como Droids? Este smartphone é para elas.”

Vídeo

Menos robô, mais humano

Simples e competente.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Comparando o Moto X com outros smartphones, é difícil acreditar que ele tenha uma tela de 4,7 polegadas. Mas ele tem, sim, e o segredo para parecer menor está em… bem, em ser menor. A utilização de botões virtuais, como nos smartphones da linha Nexus, mais o encurtamento extremo das bordas frontais fazem com que ele seja pouca coisa maior que um iPhone.

O tamanho compacto ajuda na ergonomia e, nessa área, sobram elogios. O Moto X é, como bem definiu Daniel Junqueira no Gizmodo Brasil, o mais humanos dos Androids. Ainda que essa definição se deva em grande parte ao software (chegaremos lá), o design também conta colabora com alguns pontos de humanidade.

O Moto X se encaixa na mão. A parte de trás tem uma curvatura confortável, as bordas, embora anguladas, não incomodam e o material é agradável ao toque. Em todo o corpo existe apenas uma referência à Motorola, um vão nas costas com o “M” característico da empresa. Além de contribuir para um visual mais limpo, essa inscrição tem uma utilidade: naquele espaço repousa o dedo indicador. Um toque sutil de ergonomia que ao usuário transmite algo como “viu só como pensamos em tudo?”

A filosofia do Moto X se distancia muito da da antiga Motorola, aquela do RAZR e Droid/Milestone cheios de referências a robôs e uma linguagem visual agressiva, absortos na catastrófica skin Motoblur. Dos materiais usados ao tratamento dado ao Android, as duas se parecem muito pouco e o Moto X reflete tudo isso.

Quem precisa de especificações de ponta? Não o Moto X

O Moto X tem o tamanho certo.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Smartphones Android contemporâneos ao Moto X saíram de fábrica equipados com o SoC quad-core Snapdragon 800. A Motorola diz que seu aparelho vem com o Sistema de Computação Móvel X8 composto por oito núcleos, dentre eles os do Snapdragon S4 Pro.

São oito núcleos de fato, mas a terminologia parece confusa quando contraposta à padrão usada por outras fabricantes. Os oitos núcleos são dois do processador, um Krait 300 de 1,7 GHz; quatro da GPU Adreno 320; e dois exclusivos para ajudar nos recursos humanos do Moto X, os de computação contextual e linguagem natural.

Confusão à parte, nada disso importa muito na prática. Dual core, quad core, dois ou cinquenta núcleos, o que interessa, como sempre digo por aqui, é a experiência. E nisso o Moto X não deve nada a ninguém.

É impressionante o que a Motorola alcançou com o Moto X. O sistema é responsivo, não deixa o usuário esperando, não trava, não engasga. Smartphones topo de linha de outras fabricantes recebem queixas de problemas do tipo de alguns usuários — e suspeito que as interferências feitas no Android sejam as culpadas. Com o sistema limpo e bem otimizado, o Android desliza pela tela do Moto X.

Tela que para mim é a única parte do hardware conciso do Moto X que dá uma derrapada. Não que eu quisesse um painel Full HD — ela tem 720p de resolução e é suficiente para seu tamanho físico, de 4,7 polegadas, números dos quais se extrai uma densidade de 312 pixels por polegada. É a tecnologia usada, AMOLED, que não me agrada. A tela é super saturada, com imagens vívidas. Demais, até. Quando surge alguma coisa vermelha ou laranja é como se ela estivesse em chamas.

A saturação exagerada da tela é um ponto fraco do Moto X.
À esquerda, a ótima tela do Nexus 4. À esquerda, a do Moto X, excessivamente saturada. Foto: Rodrigo Ghedin.

Há quem goste de telas saturadas e no caso do Moto X existe uma justificativa racional para seu uso: as notificações ativas. Uma das vantagens do AMOLED é que o preto é mais profundo porque dispensa o uso de energia — em vez de iluminar os pixels para mostrar essa cor, a tela simplesmente não os acendem. Dessa forma dá para mostrar as notificações ativas ligando apenas uns poucos pixels, o que não compromete a autonomia do smartphone. (Tela é um dos componentes mais gastões de energia.)

É uma troca válida. As notificações ativas, como explico mais abaixo, são um recurso excepcional, daquelas coisinhas que no dia a dia fazem uma diferença enorme. Eu entendo a opção feita, mas ainda assim me incomoda um bocado a saturação.

Câmera ClearPixel

Câmera do Moto X: software legal, porém limitado.
Foto: Rodrigo Ghedin.

É bom deixa claro desde já que a câmera ClearPixel do Moto X não é nada de outro mundo. Ela é competente dentro do que se esperaria de um topo de linha, mas não se excede como uma PureView da Nokia, ou mesmo as câmeras dos últimos iPhones.

O batismo da câmera se deve a uma tecnologia que, segundo a Motorola, permite a passagem de mais luz na hora de tirar fotos. Câmeras comuns possuem um filtro RGB que, com a passagem da luz, a absorvem de diferentes modos compondo a imagem final. No Moto X existe um filtro RGBC — e esse “C” é de Clear, como se fosse uma via exclusiva para que mais luz passe pela lente. Isso, somado a pixels maiores, de 1,4 µm, em tese deveria melhorar o desempenho da câmera em situações de pouca luz.

No papel a ideia é boa: com baixa luminosidade, o filtro RGB tem dificuldades em absorver luz. O RGBC deveria, em tese, amenizar essa deficiência e entregar fotos melhores em situações difíceis. Ele até consegue, mas seus resultados passam vergonha perto de outras câmeras que, com abordagens diferentes, acabam lidando melhor com o pepino que é fotos noturnas.

Fiz um rápido comparativo com o que tenho à mão aqui: um Lumia 920 e um iPhone 5. Ambos se saíram bem melhores que o Moto X. Confira no detalhe:

A câmera ClearPixel do Moto X deixa a desejar com pouca luz.
Comparativo de câmeras em situação de pouca luminosidade. (Clique para ampliar.) Fotos: Rodrigo Ghedin.

Não é como se fosse uma câmera horrível. Dá para fazer fotos muito legais com a do Moto X, ainda que algumas coisas, especialmente o alcance dinâmico, sejam difíceis de domar. Quando é exigida nessa condição, geralmente o resultado é oito ou oitenta: ou a foto sai escura, ou estourada. É o preço que se paga pela simplicidade.

Veja o exemplo abaixo:

Ou a foto sai escura, ou sai estourada. E o HDR nem deu sinal de vida.
Fotos: Rodrigo Ghedin.

Existe a opção de fazer fotos com HDR e ela vem no automático por padrão. Só que o software é meio imprevisível. O cenário acima grita pelo seu uso, mas ainda assim o Moto X não o ativou. Em situações menos extremas, em que o HDR teve menos impacto na foto final, ele… funcionou estando em automático. Felizmente a simplificação da interface da câmera não eliminou a ativação manual do HDR. Use-a.

Por falar em software, a Motorola jogou fora o app padrão de câmera do Android e fez um muito agradável. Simples de tudo, ele reduz a interface a dois botões (alternar entre as câmeras e gravar vídeo) e transforma o viewfinder inteiro em disparador, da mesma forma que é no Windows Phone.

As opções ficam em um disco oculto na margem esquerda. Arraste o dedo de fora para dentro da tela, e ele aparece. Não se anime muito, porém, já que elas são poucas.

Uma das mais importantes é o controle de foco e exposição que mudou drasticamente com a atualização para o Android 4.4. Antes, um toque na tela fazia os ajustes necessários e já disparava a foto, em uma tacada só. Agora, com essa opção ativa, um disco aparece na tela e pode ser arrastado para a área em destaque. Depois, com outro toque, a foto é feita. O que se ganha em controle perde-se em agilidade, com o complicador extra de ser mais complexo entender o lance do círculo. E ainda dizem que minimalismo é sinônimo de simplicidade…

Outra legal, ou quase isso, é a de vídeos em câmera lenta. Não é como no iPhone 5s: ainda que a resolução seja a mesma (720p), no Moto X o vídeo rola a 15 quadros por segundo. Na prática quer dizer ele é meio truncado e bem menos divertido.

Algumas fotos feitas com o Moto X:

Vídeos de exemplo constam no review em vídeo, acima.

Recursos inteligentes que a gente usa de verdade

Aqueles núcleos extras de computação contextual e linguagem natural servem para o Moto X desempenhar seus truques sem que a bateria seja drenada por eles. Bateria, aliás, que dura tranquilamente um dia longe da tomada com atividades normais, alternando entre Wi-Fi e 4G, como é de praxe em smartphones modernos.

O Moto X está sempre de ouvidos atentos, preparado para receber seus comandos. Ele sabe quando você o pega na mão e se apronta para informá-lo antes mesmo qualquer botão seja pressionado ou a tela, tocada. O acesso à câmera é feito por um gesto simples.

Não são como os recursos “espertos” da Samsung que fazem uma ponta na apresentação ao público do novo Galaxy e depois caem no ostracismos quando chegam às mãos do consumidor. Na prática, esses vários atalhos que a Motorola incluiu no Moto X são, além de muito legais, veja só… úteis!

Um dos recursos mais legais do Moto X.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Será difícil, por exemplo, voltar pegar meu smartphone do dia a dia e não dar de cara com o relógio e os ícones de notificações na tela de bloqueio quando tirá-lo do bolso. As notificações ativas fazem isso no Moto X: ao pegá-lo, a tela acende revelando o relógio e notificações pendentes. Toque no círculo para ter mais detalhes delas Arraste a última (círculo maior) para cima, e o app correspondente abrirá. O movimento para baixo desbloqueia o celular.

Isso funciona de uma maneira tão boa que o uso do botão físico de desbloqueio da tela é reduzido à metade. Não precisa dele: o Moto X sempre exibe a notificação ativa quando é necessário e dali leva ao desbloqueio. É assombroso e, como explicado acima, a tecnologia AMOLED da tela evita o desperdício de energia.

Não menos impressionante é o Google Now acessível por voz. Diga “Ok Google Now” e o Moto X se desbloqueia e se ajeita para ouvir a ordem do seu dono. Com as recentes adições ao portfólio de comandos aceitos em português, ele ficou bem mais útil — desde então só programo alarmes falando com o celular. A interpretação ainda falha (ele teima em entender o meu “sete” falado como “ct” e já desisti de “manual”, que sempre aparece como “manoal”), mas o índice de acertos pende para o lado positivo.

Por fim, o gesto para abrir a câmera. A melhor forma de descrevê-lo é como se você estivesse girando uma maçaneta duas vezes. A Motorola diz que é mais rápido do que desbloquear o celular e abrir o app da câmera, mas convenhamos: esses milissegundos fazem tanta diferença? Mas o que começa como curiosidade, com o tempo passa a ser natural. Dos recursos humanos do Moto X, o gesto de abrir a câmera é o mais difícil de aprender. Ultrapassada essa curva, ele se integra à rotina. Vale o esforço.

Android puro com pequenas adições

Moto X e sua caixa.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Rolou uma pequena decepção com o fato de o Moto X sair de fábrica com o Android 4.2.2 — na época, a versão 4.3 já estava disponível.

Ter a última versão do Android é, também, uma exigência um tanto geek. Ainda mais em minor releases, como foi a 4.3, a absência da última não é algo que faça o usuário comum cortar os pulsos. Grandes saltos, como foi do Android 2.3 para o 4.0, sim; mas não era o caso. E se fosse, tudo bem: o Moto X brasileiro já recebeu o Android 4.4, a última versão do sistema.

Independentemente da versão, o que mais chama a atenção aqui é a pureza do Android. A Motorola preservou a maior parte do sistema da forma como concebida pela empresa-mãe. É o certo a se fazer: ainda há de surgir modificação que supere o Android original. Se consideramos as mexidas tímidas da Motorola como uma, talvez seja ela essa precursora.

Em vez de modificar, a Motorola acrescentou recursos em cima do Android. Estendeu o Google Now para ser ativado por voz e incluiu uma série de apps sob demanda, cada um útil à sua maneira.

Algumas telas do Android puro do Moto X.

Desses, destaco o Assist, uma evolução do ótimo SmartActions. A diferença entre o eles é que o primeiro é mais restrito e automático. Em vez de dar a liberdade (e o trabalho) ao usuário de criar regras e condições, o Assist vem com três pré-definidas: dirigindo, reunião e dormindo. Elas são contextuais e se utilizam de diversos parâmetros, dos sensores do smartphone aos eventos da agenda, para entrar em ação. E, correndo o risco de me tornar repetitivo, o app simplesmente funciona.

Outros apps exclusivos são um assistente de migração de dados, uma coletânea de apps nacionais (exigência legislativa para que o Moto X se beneficie de isenções fiscais), um canal de comunicação direta com o suporte (Moto Care) e o Motorola Connect, que faz a ponte entre Moto X e Chrome para o recebimento de notificações e a troca de mensagens de texto pelo computador.

E pensar que dessa mesma Motorola, ainda independente e nos primórdios do Android, saiu a aberração do Motoblur, talvez a pior mexida que o Android já sofreu em toda a sua existência. O mundo dá voltas.

O smartphone a ser batido

As costas arredondadas do Moto X.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Não são muitos os donos de iPhone que sabem qual a velocidade do SoC ou quantos mega bytes de RAM o aparelho possui. Isso nunca importou muito porque, na redoma da Apple, a promessa é simples e direita (e, importante, cumprida): compre um iPhone e ele funcionará direito.

As fabricantes que adotam o Android adotam uma estratégia diferente. Gostam de mostrar números enormes, apresentam benchmarks sintéticos, adotam tecnologias experimentais. Não é como se não houvesse zelo, mas parece que na ânsia por superar as concorrentes, elas se esquecem de olhar para quem importa no fim das contas: o usuário.

O Moto X foge à regra. É um smartphone competente e isso é tudo que você precisa saber se quiser comprar um — e o recomendo irrestritamente a qualquer pessoa que queira um smartphone bom, ponto. E pelo que o varejo cobra por ele, com promoções recorrentes a R$ 1.000, é difícil justificar a compra de outro Android high-end que não esse.

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[Review] Xperia T2 Ultra Dual: às vezes, parecer é o suficiente

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20/6/14, 9h59 10 min 42 comentários

Uma das últimas tendências no miolo da escala de preços dos smartphones é a das telas grandes, com tamanhos que vão de 5 a 6 polegadas. São aparelhos enormes com telas que, na vitrine, chamam a atenção e no bolso, incomodam. O Xperia T2 Ultra Dual é a aposta da Sony nesse emergente filão.

Outra tendência é a dos smartphones dual SIM. Enquanto o mítico topo de linha com suporte a dois SIM cards não vem, os intermediários seguem melhorando. Com configurações modestas, mas surpreendentemente melhores do que se poderia esperar, Xperia T2 Ultra Dual chega perto desse estado de união entre o melhor dos dois mundos. Quão perto? É o que descobriremos em mais uma análise. Continuar lendo [Review] Xperia T2 Ultra Dual: às vezes, parecer é o suficiente

[Review Rápido] Optimus L7 II, o topo da linha mid-range da LG

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19/11/13, 10h03 7 min 11 comentários

Ano passado a LG apresentou a linha Optimus L, composta por smartphones low-end e mid-range com preços atraentes e desempenho agradável principalmente nos modelos mais simples. Em 2013, sem muita criatividade e com poucas mudanças, a LG lançou a segunda leva desses aparelhos chamando-a de L II.

Um review rápido é o que o nome diz: a análise de um gadget feita com menos detalhamento do que reviews convencionais. Como sou um só e às vezes o volume de aparelhos é maior do que a minha capacidade de analisá-los, a saída encontrada para falar um pouquinho do excedente sem correr o risco de fazer julgamentos precipitados foi encurtar esses reviews.

Optimus L7 II: Android intermediário da LG.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Optimus L7 II é o modelo mais robusto desses novos — o L9, que existia na primeira geração, não fez a transição para a atual. Ele conserva diversas características do seu antecessor e traz algumas melhorias interessantes, ainda que insuficientes para destacá-lo — o que, convenhamos, é bem difícil no mar de smartphones Android.

Nos Optimus L do ano passado o design angular era um diferencial questionável. Os aparelhos eram bem quadrados, impactando até a ergonomia. O L7 II é diferente, assemelha-se mais ao padrão de outros aparelhos e fabricantes, com cantos e bordas traseiras arrendondadas. Ele é confortável de segurar.

A tampa traseira com acabamento em black piano.
Foto: Rodrigo Ghedin.
O tamanho do Optimus L7 II em perspectiva.
Da esquerda para a direita: Nexus 4, caneta BIC, Optimus L7 II e iPhone 5. Foto: Rodrigo Ghedin.

O acabamento é todo de plástico e para desespero de quem tem TOC com limpeza a tampa de trás é em black piano, aquele ímã de impressões digitais. Ela sai com facilidade, revelando a bateria e os slots para o SIM card e cartão micro SD — um de 4 GB acompanha o aparelho. Há ainda, no mercado local, o L7 II Dual, com suporte a dois SIM cards.

Na frente, chamam a atenção a borda prateado e o botão principal que traz um LED multicolorido no seu contorno, como o Optimus G Pro. Vem desse phablet, aliás, outro toque exclusivo: o botão extra do lado esquerdo, acima dos de volume, configurável nas opções do sistema.

O Optimus L7 II herda alguns detalhes do Optimus G Pro.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Configurações medianas com dois destaques

A tela do L7 II mantém a tradição da LG de fabricar painéis bonitos. Ela tem 4,3 polegadas, painel IPS, boa fidelidade de cores. Só escorrega na resolução, de 800×480, o que não chega a incomodar na maior parte do tempo, mas revela serrilhados na hora de reproduzir vídeos, jogos e fontes pequenas àqueles com olhos mais atentos. De qualquer forma, com 217 pixels por polegada é uma tela bacana.

Detalhe curioso (e chato): não há controle automático do brilho. Isso passa numa boa em modelos de entrada, mas para um que se posiciona como mid-range é uma ausência estranha.

Botões frontais do Optimus L7 II.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Para mostrar o que aparece na tela e receber os comandos do usuário, o L7 II conta com um Snapdragon S4 Play, um SoC mediano com processador Cortex-A5 dual core de 1 GHz, GPU Adreno 203 e 768 MB de RAM. Está longe de ser ruim; ele lida bem com o Android e as intervenções da LG no sistema, e na maior parte do tempo não é impedimento ao bom uso do smartphone. Mas basta exigir um pouco mais, com um jogo ou intensificando o uso da multitarefa, que algumas engasgadas se fazem notar.

Optimus UI: piora em relação ao Android puro.

O L7 II não foge à regra e, a exemplo dos demais Androids da casa, vem com uma camada extra sobre o Android (4.1.2, no caso), a Optimus UI. Elementos visuais e configurações, quando aplicáveis, são os mesmos do Optimus G Pro, incluindo o QuickMemo – que em uma tela abaixo das 5 polegadas não faz lá tanto sentido. As críticas feitas à Optimus UI no último review se repetem aqui: as alterações são feias, a usabilidade é pior que a do Android puro e, ainda que existam, é difícil encontrar pontos onde ela se justificam no sentido de serem benéficas ao usuário.

A câmera de 8 mega pixels é o que se esperaria de uma topo de linha em celulares há dois anos: passável em ambientes com bastante luz, sofrível com luz artificial e proibitiva em locais com baixa iluminação. É relativamente fácil deparar-se com ruído e o baixo alcance dinâmico atrapalha. Novamente: para um mid-range, está de acordo. São fotos que ficam bonitas em redes sociais, redimensionadas, e que são suficientemente boas para guardar para a posteridade. O mesmo não pode ser dito dos vídeos, dada a incapacidade de filmar em alta definição. O L7 II só grava vídeos em 480p a 30 quadros por segundo, o que é uma pena.

Além da tela, a bateria é outro ponto que se destaca no L7 II. Ela tem 2460 mAh, um valor alto nesse patamar. A título comparativo, o modelo anterior tinha uma bateria de 1700 mAh e alguns concorrentes do atual, como o Xperia M, da Sony, e o Lumia 620, da Nokia, ficam bem abaixo do que o L7 II oferece — 1750 e 1300 mAh, respectivamente. Dá para ficar mais de um dia longe da tomada com esse smartphone, uma coisa sempre boa independentemente da faixa de preço em que ele se insere.

Como telefone o aparelho cumpre bem o que se espera de um. O alto-falante traseiro, porém, é um tanto ruim, com volume baixo e um som pobre, carente de detalhes e graves. Os fones de ouvido que vêm na caixa são bem ruins também.

Vale a pena comprar um Optimus L7 II?

Um bom smartphone intermediário.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Quando lançado no Brasil, em abril, o L7 II com suporte a um SIM card tinha o preço sugerido de R$ 929. Hoje é encontrado em lojas virtuais confiáveis por valores que variam de R$ 720 a R$ 800, o que o coloca em choque com aparelhos bem atraentes.

O Nexus 4, também da LG, está em promoção eterna no varejo local e, enquanto não esgotarem os estoques, é a melhor compra não só nessa faixa, mas de todas do mercado. A uma cabeça de distância aparece o Moto G, da Motorola, que bate o L7 II em praticamente todos os quesitos e tem preço sugerido quase R$ 100 mais barato que o aparelho da LG já com descontos promocionais aplicados. Outros modelos correm por fora, como o Lumia 720, da Nokia, e o Xperia L, da Sony.

Comprar o Optimus L7 II não é mais um bom negócio. E é compreensível: ele foi lançado há oito meses, uma eternidade em se tratando de smartphones que parece ainda maior entre os modelos de entrada e intermediários. Se vê-lo em alguma promoção agressiva, porém, de repente pode ser uma boa. Apesar das mexidas infelizes da LG no Android e do SoC mediano, tela e bateria ainda estão acima da média e são capazes de deixar qualquer dono de um L7 II bem contente.

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[Review] Optimus G Pro, o phablet amigo da natureza da LG

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12/11/13, 10h20 14 min 14 comentários

“Nossa, que grande!” é o que mais se ouve de quem vê o Optimus G Pro pela primeira vez. Lançado no Brasil no final de agosto de 2013, o telão de 5,5 polegadas realmente se destaca, mas há outras qualidades (e estranhezas) neste phablet da LG.

O Optimus G Pro foi anunciado durante o World Mobile Congress, na Espanha, em fevereiro deste ano. Na época, chamou a atenção por ser o primeiro smartphone com o então novo Snapdragon 600, SoC poderoso da Qualcomm, e por trazer diversas características superiores às do Galaxy Note II, da Samsung, concorrente direto na briga de grandões no universo Android.

A demora em chegar ao Brasil desgastou o brilho do aparelho? O que a LG fez para diferenciá-lo dos outros phablets? Com LG G2 e Galaxy Note 3 já disponíveis por aqui, ele ainda é uma boa compra? Tentarei responder essas e outras dúvidas neste review.

Review em vídeo

Amor e ódio com o tamanho

Como é atender uma ligação com um phablet.
Foto: Vitória “Toia” Santos Cruz.

Para meu alívio, o  Optimus G Pro coube em todas as calças e shorts em que tentei colocá-lo. Faltar espaço ali para colocar o phablet era o maior temor antes de receber essa unidade de testes, e um justificável, afinal são 150,2 x 76,1 x 9,4 mm.

Apesar da relação harmoniosa com os bolsos, o tamanho avantajado cobra seu preço em diversas situações. O manuseio com uma mão é difícil, mesmo com os truques de jogar os teclados para um dos lados da tela e as pequenas decisões de design que melhoram a empunhadura — bordas traseiras arredondadas, botões laterais colocados no meio do corpo, em vez do topo, e largura e moldura da tela mais finas. Alcançar o botão home (físico) e os táteis que o ladeia também é um exercício de malabarismo dos mais chatos, com o risco iminente de tocar a base da tela e desencadear algum comando sem querer. Bônus indesejado: a LG substitui o botão de multitarefa do design padrão do Android pelo de menu, e isso afeta a Action Bar de todos os apps. Afinal, para que seguir um padrão se podemos mudar tudo?

Quanto mais cedo se admite que o Optimus G Pro, a exemplo de todo phablet, é aparelho para duas mãos, mais rápida é a adaptação a ele.

Decisões estranhas de design da LG.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Embora tenham nomes parecidos, a LG posiciona o Optimus G Pro em uma categoria diferente da do Optimus G. A desse último seria a linha premium, que privilegia acabamento e design; a segunda, na qual se insere o Optimus G Pro analisado aqui, é a linha desempenho, com foco, também, em ergonomia.

Essa ruptura com o Optimus G, apesar da nomenclatura e visual similares, fica bem evidente quando se pega os dois na mão. O perfil fino, leve e com acabamento envidraçado dele (e do Nexus 4) cede lugar, no Optimus G Pro, ao plástico e soluções ergonômicas, citadas acima, para tornar o uso de um phablet mais natural.

São esforços válidos, mas em termos de design parece um passo atrás. O Optimus G Pro não é selado, ou seja, é possível remover sua tampa traseira e trocar a bateria, algo raro em smartphones topo de linha hoje. O plástico não tem um aspecto barato, parece resistente e tem até uma textura visual de quadradinhos brilhantes similar à dos irmãos com vidro menores, mas o conjunto é, de fato, menos “premium” que nesses outros. Ele também é pesado, com 172 g, embora seja algo esperado para um aparelho tão grande.

Acabamento mais simples no Optimus G Pro.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Bem servido de portas e botões, o Optimus G Pro guarda algumas invencionices legais. O conjunto básico está lá: porta micro USB, microfones (um normal, para falar, e outro para cancelamento de ruídos), botões de volume e liga/desliga e saída de áudio. Ao lado dessa última, começam as surpresas: um sensor infravermelho.

Alguns modelos high-end recentes, como Galaxy S 4 e HTC One, vêm com ele. No phablet da LG, o app QuickRemote pré-instalado permite usá-lo para interagir com diversos aparelhos da casa. Testei com uma TV Samsung e funcionou muito bem. Como é mais fácil perder o controle remoto do que o celular, é um recurso bem-vindo.

O Optimus G Pro vem com um sensor infravermelho.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Na lateral esquerda reside algo ainda mais único, um botão configurável. Por padrão ele ativa o QuickMemo, outro app da LG que, no caso, transforma a tela que está sendo exibida em um caderno de desenhos. Dá para fazer anotações, setas, desenhar, enfim, o que quiser e, depois, salvar o trabalho no Caderno, o app que gerencia essas anotações, ou compartilhá-lo — só faltou uma stylus para aproveitar melhor isso, né? (Outra forma de abrir o QuickMemo é clicando no primeiro slider da área de notificações.)

Nas opções do Android, a Tecla rápida, como a LG a chama, pode ganhar funções variadas, inclusive abrir e servir de disparador para a câmera, como é padrão nos Windows Phones.

Por fim, o LED de notificações é enorme. Na verdade, ele é a borda do botão home frontal, que é grande, logo… Chama a atenção, talvez até demais. Prefiro soluções mais sutis como a do Nexus 4.

Solta o som e desligue as luzes: que bela tela você tem!

Tela fantástica do Optimus G Pro.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Se você precisa de algum motivo para comprar este phablet (ou explicar aos amigos por que comprou um), aposte na tela. A LG talvez seja quem faça as melhores telas de celulares hoje e o Optimus G Pro é o ápice dessa arte: 5,5 polegadas, resolução de 1920×1080, densidade de 401 pixels por polegada, painel IPS. Traduzindo: uma tela estonteante.

Esperta que só, a fabricante ainda inclui alguns vídeos demonstrativos que fazem pulsar a telona. A qualidade dessa tela é assombrosa de tão boa. Graças ao SoC poderoso, lidar com vídeos na resolução nativa, Full HD, não é problema. O que talvez cause um gargalo aqui é o espaço de armazenamento, de apenas 16 GB na versão brasileira (lá fora é de 32 GB), pouco para vídeos de alta resolução. Essa escassez de espaço pode ser remediada com o uso de um cartão microSD de até 64 GB.

A sonzera sai de um alto-falante solitário ao lado da câmera. Não impressiona, no volume máximo se notam distorções bem aparentes, mas na falta de fones de ouvido, quebra o galho.

Por falar em fones, os que acompanham o produto são bem bacanas. Bom isolamento acústico, graves ok e atenção aos detalhes. São feios que doem, mas oferecem boa qualidade sonora.

Desempenho e bateria

O Optimus G Pro tem tampa removível.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Não há muito o que reclamar do hardware do Optimus G Pro. Com um Snapdragon 600 composto por um processador quad-core de 1,7 GHz e GPU Adreno 320, mais 2 GB de RAM, ele voa. Nem mesmo a skin esquisita da LG afeta o desempenho do phablet, que é notável. Ele é rapidíssimo, inclusive em jogos intensivos como Real Racing 3.

A bateria tem 3040 mAh e uma tecnologia que a LG chama de SiO+. Ela acrescenta partículas de silício na composição da bateria que, segundo o site oficial do Optimus G Pro, aumentam sua densidade. O resultado é uma recarga mais rápida e duração estendida de 5% a 25% em comparação a uma bateria similar sem essa tecnologia.

No mundo real, a autonomia do Optimus G Pro agrada. Diferentemente do que 3040 mAh nos leva a pensar, ela não se converte em dias de despreocupação com recarga, como no RAZR MAXX, da Motorola, ou no Honor, da Huawei. A tela provavelmente compromete a bateria, mas não a ponto de torná-la sequer mediana. Dá para passar um dia longe da tomada sem sustos.

O Optimus G Pro é enorme.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O aparelho é compatível com bases de recarga da bateria por indução que sigam o padrão Qi — o mesmo que a Nokia usa bastante na linha Lumia.

Câmera

O Optimus G Pro vem com uma câmera traseira de 13 mega pixels, sensor de 1/3,06 polegada e lente com abertura f/2,4. Ela não traz nada espetacular como as câmeras PureView, mas gera resultados satisfatórios e o software se aproveita do poder de processamento do Snapdragon 600 para oferecer diversos truques, uns curiosos, outros úteis.

Anote aí: disparo por voz, captura prévia de imagens (tira fotos antes e depois do disparo para o usuário escolher as melhores), modo panorama VR (igual o PhotSphere do Android 4.2), câmera dupla para fotos e vídeos, modo automático inteligente, focagem manual ou automática (com um incomum slider no primeiro) e estabilização de imagem para filmagens.

A câmera é rápida, as fotos saem boas, considerando ser um smartphone, e enormes na configuração padrão, graças aos 13 mega pixels. Em certas circunstâncias as imagens saem um pouco lavadas e em condições extremas, como cenários naturais com muitas folhas ou outros elementos pequenos em grande quantidade, perde-se um pouco de definição. No geral, porém, as fotos são acima da média, com imagens bem definidas e bonitas. À noite, mesmo com pouca iluminação é possível obter resultados aceitáveis.

Crop de 100% de uma foto em ambiente interno, com iluminação natural:

Droidinho: bem definido pela câmera do Optimus G Pro.
Crop de 100% em uma foto.

O HDR também é legal (lado esquerdo normal, lado direito com HDR ativado):

Comparativo de HDR.
Foto: Rodrigo Ghedin.

E algumas amostras em condições variadas:

Optimus UI

Optimus UI, a skin para Android da LG.

As fabricantes sul coreanas têm certo fascínio pela natureza. A Samsung usa muito esse tema na promoção e inclusão de recursos da linha Galaxy S e a LG, com a nova Optimus UI, também recorre a campos verdejantes, gotas d’água e nuvens no tapa visual que dá no Android.

O Optimus G Pro vem com o Android 4.1.2 profundamente modificado. Dos elementos de interface às opções, tudo passou por um tratamento de beleza. Um tanto duvidoso, diga-se de passagem.

Embora a combinação de hardware potente com anos de trabalho tenha acabado com a fama de lentidão das skins de fabricantes, é difícil superar o trabalho de UI/UX e design do Google — é difícil superar o Android puro. Em alguns pontos a Optimus UI mais confunde do que ajuda e, em termos estéticos, é raro encontrar alguma parte dela que seja mais bonita do que a do visual base do sistema.

Um local emblemático é a área de notificações. Boa parte do espaço dela se perde para atalhos rápidos, os aplicativos QSlide (que flutuam sobre a tela e rodam em paralelo com outro app) e o slider de brilho. Tudo bem que a tela é enorme, mas as notificações também o são e, nessa alteração, quase metade da área destinada a elas é ocupada por elementos intrusos.

Área de notificações do Optimus G Pro.

Outra coisa que incomoda deveras é a preocupação exagerada com RAM, gerenciador de tarefas, administração de apps. Parece um viagem no tempo, de volta aos anos 1990 a bordo de um Windows 98. A LG destina um widget específico para mostrar quanto dos 2 GB de RAM está em uso, criou um app dedicado à administração de apps abertos e coloca, na tela de multitarefa, atalhos rápidos para forçar o fechamento de todos os apps que estão na memória.

De verdade: não precisa de nada disso.

2 GB de RAM sobra para o Android hoje. Fosse em um aparelho comprometido nesse aspecto, com… sei lá, 512 MB, seria compreensível — ainda que o adjetivo “vantajoso” permaneça questionável. No Optimus G Pro, isso tudo é bobagem. O Android gerencia a memória bem e o único efeito que saber quanto de RAM está em uso tem no usuário é o de paranoia ao ver muito dela está ocupada. Normal: memória existe para ser usada, não economizada.

A LG redesenhou profundamente o Android.

As intervenções visuais na Optimus UI são, na maioria das vezes, deselegantes. As nuvens no app drawer, os ícones redesenhados, os seletores dos menus, a animação ao alternar as telas iniciais, tudo é esquisito, parecem partes distintas que não conversam entre si e destoam drasticamente das diretrizes de design do Android que, nos apps (bem feitos), aumentam ainda mais essa sensação de estranheza e distanciamento visual.

Algumas intervenções felizes da LG.

Está tudo perdido? Não. Há coisas para se gostar na Optimus UI. A tela de desbloqueio possui atalhos rápidos bem úteis e os apps QSlide oferecem um workflow multitarefa bastante versátil. O recurso que mantém a tela ativa monitorando o olhar do usuário é bacana, bem como o que pausa um vídeo quando quem o assiste olha para outra direção — infelizmente, esse só funciona no player nativo.

As opções, aliás, merecem um pente fino: várias configurações interessantes ou mal definidas por padrão se escondem ali. Exemplo? O teclado, que por padrão vem com o método swipe de escrita e a correção automática desativados.

Um grande phablet

LG Optimus G Pro.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Como todo bom Android, três meses após ser lançado por aqui o Opimus G Pro, cujo preço sugerido é de R$ 2.099, já pode ser encontrado por menos de R$ 1.600 em lojas virtuais confiáveis. É um preço bem tentador para um aparelho que ainda é capaz de segurar o status de high-end, e que fica ainda mais interessante quando comparado ao seu concorrente direto, o Galaxy Note 3, cujo preço sugerido é de R$ 2.800. Ouch!

Existem poucos motivos para desgostar do Optimus G Pro, mas esses poucos podem ser insuportáveis. O tamanho é o primeiro e mais óbvio: nem todo mundo gosta de andar com um negócio tão grande e destacado no bolso. Colocá-lo no rosto para conversar (ah é, ele faz ligações também, e nada a reclamar nesse ponto) é quase cômico. Em contraponto aos vídeos de tirar o fôlego e joguinhos imersivos proporcionados pela sua bela e grande tela está o tamanho físico, que afugenta quem prefere tamanhos mais manuseáveis e dificulta o uso.

A outra baixa é a personalização do Android. É feia e esquisita, um choque para quem, como eu, está habituado ao sistema puro, como concebido pelo Google. Pelo menos não notei engasgadas ou travadas de qualquer espécie, algo que, no passado (e, dizem, com alguns modelos atuais de outras fabricantes) era um problema crônico derivado das skins de fabricantes. O Optimus G Pro é um foguete.

O Optimuns G Pro não caiu no lago durante a produção dessas fotos.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Apresentam-se como opções de phablets no mercado nacional o Optimus G Pro e o Galaxy Note 3. No custo-benefício, o modelo da LG é imbatível. Além do preço, em termos gerais ele é ótimo. Se phablets forem a sua praia, é um aparelho a se considerar bastante.

Compre o Optimus G Pro

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[Review] Asha 501: smartphone barato? Sim, mas com dignidade

Por
31/10/13, 18h30 14 min 21 comentários

Um dos maiores mitos da tecnologia de consumo é o produto de entrada para os “não iniciados”. Um smartphone barato não é apenas um smartphone barato, é também um destinado a quem está vindo de um celular simples, que nunca teve contato com sistemas modernos e seus milhares de apps. É o que dizem, pelo menos, parte da imprensa e parte das fabricantes.

Para mim, isso é bobagem. Se duvida, faça um teste: dê um Galaxy S 4 e um Galaxy Y para alguém que se encaixa nesse perfil e veja com qual dos dois ele se sai melhor. Os entraves que um equipamento de baixo custo impõe ao usuário são contornáveis por quem tem familiaridade com o assunto. Para o leigo, não passam de empecilhos, camadas extras de dificuldade para se fazer o que tem que ser feito com o gadget. Para qualquer um, todos nós, limitações irritantes.

Androids baratos sofrem muito desse problema. A linha Asha, da Nokia, tem por objetivo ocupar essa faixa de preço apostando em características diferentes das dos modelos com Android de mesmo preço. Em vez da infinidade de apps combinada com hardware medíocre, ela mantém essa última parte da equação mas coloca um software adequado ao hardware em que será executado.

Dá certo? É cada vez mais raro justificar a compra de um featurephone. Smartphones low-end estão melhorando e já não é mais impossível achar modelos decentes na faixa dos R$ 500. Para quem não pode pagar isso e não quer um Nokia lanterninha, a única opção é se jogar nesse espaço nem sempre agradável que separa as duas categorias — e torcer para não se arrepender.

A última investida da Nokia na sua linha básica, o Asha 501, chegou ao Brasil no final de julho de 2013. Esse aparelho é, no geral, uma evolução notável do que vinha sendo feito até então — testei um Asha 311 no começo do ano e… não era de se jogar fora, mas mesmo com hardware teoricamente superior, ele fica atrás do novo modelo. Ainda assim, o Asha 501 é suficiente para agradar quem está curto de grana? Você confere a resposta no primeiro review (sério!) do Manual do Usuário.

Vídeo

Óun, que celular bonitinho esse Asha 501!

A repaginada no Asha 501 se nota logo de cara graças ao design emprestado dos modelos mais caros da Nokia, os da linha Lumia. A parte de trás, feita de plástico e com cinco opções de cores, dá um ar jovial e alinhado à identidade visual da empresa. Pena que, no Brasil, apenas as sóbrias opções preto e branco chegaram.

A qualidade de construção é surpreendentemente boa para um produto dessa categoria. A tampa de trás é firme e, ao mesmo tempo, suave ao toque. Ela fica presa com firmeza ao aparelho (muito, até; é um pouco difícil desencaixá-la) e meio que “abraça” o Asha 501. Na frente, bordas grossas ao redor da tela e a presença de apenas um botão físico, o de voltar.

Todas as entradas e saídas do Asha 501 ficam na borda superior.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Asha 501 é econômico em botões e entradas/saídas. Além do botão frontal, ele tem outros três na lateral esquerda — dois para volume, um para ligar/desligar. No topo ficam a saída de áudio, a porta micro USB e uma entrada de energia proprietária da Nokia — desnecessária, já que o aparelho recarrega a bateria pela interface USB também. Embaixo e à esquerda, nada.

Pesando apenas 98,2 g, o Asha 501 não incomoda na mão. Suas dimensões são bem pequenas, exceto na espessura 12,1 mm. Esse tamanho diminuto esbarra, pois, na grossura do aparelho — quase chega a ser mais incômodo no bolso da calça do que smartphones Android e Windows Phone com telas bem maiores.

Asha 501 é um celular dual SIM -- aceita dois chips de operadoras.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O modelo analisado possui suporte a dois SIM cards simultâneos. A configuração deles, atrás, é a seguinte: o principal fica embaixo da bateria, logo é preciso removê-la para acoplar o SIM card ali. O outro, bem como o slot para cartão SD (um de 4 GB vem na caixa), fica na lateral do aparelho. Ainda exigem a remoção da tampa, mas não a da bateria — e o mais legal é que além do SD card, o segundo slot para SIM card funciona em modo hot swap, ou seja, não é preciso desligar o celular para que o sistema reconheça um novo inserido ali. Clientes de três operadoras que vivem alternando dois SIM cards devem aproveitar bastante essa facilidade.

Mas essa tela aí…

Quando se liga o Asha 501, a tela joga na cara do usuário o preço pago por ele. Com 3 polegadas e uma resolução baixíssima, de apenas 320×240, não é, nem de (muito) longe, uma tela Retina. Os pixels são bem visíveis e qualquer texto menor tem sua legibilidade comprometida. Que pese a favor, a Nokia foi generosa na interface usando ícones e tipografia grandes para compensar esse problema de resolução.

Brilho e cores (256 mil) são aceitáveis, não incomodam. Não espere fidelidade absoluta, mas perto de aparelhos bem superiores que abusam da saturação, é de se questionar até que ponto a naturalidade da paleta de cores é um ponto positivo ou negativo. Ah, e trata-se de uma tela capacitiva. A sensibilidade aos toques (multitouch de dois toques) não chega perto da de um smartphone high-end, mas perto das resistivas, usada em vários Ashas no passado, é um progresso e tanto.

Tela ruim do Asha 501.
Foto: Rodrigo Ghedin

Não sou do tipo que reclama de ângulos de visão estreitos em celulares, afinal é um tipo de gadget que, salvo raras exceções, se utiliza olhando de frente. A tela do Asha 501, porém, tem um estranho comportamento quando vista da direita: as cores praticamente se invertem, ao passo que em todas as demais direções ela segura a onda, mantendo-as inalteradas. Talvez seja um defeito da minha unidade de testes — na verdade, torço para que seja o caso.

Áudio bacana, câmera horrível, e nada de 3G

Se no vídeo o Asha 501 deixa muito a desejar, no áudio ele mostra um bom serviço. A saída de áudio é mono, fica atrelada ao botão que desengata (dada a dificuldade, parece o termo mais adequado) a tampa de trás do aparelho. O volume é alto, bem alto, e mesmo no máximo praticamente não se notam distorções. O alto-falante para ligações também é excelente.

A câmera simples do Asha 501 não impressiona.
Foto: Rodrigo Ghedin.

A satisfação volta a cair a níveis difíceis de engolir quando passamos à câmera. Com 3,15 mega pixels, não espere muita coisa dela. As fotos saem com um ruído forte, o equilíbrio de branco é pífio e o foco, fixo, inviabiliza a captura ideal de muitas situações. E é bom ficarmos longe do vídeo; a menos que seja um momento muito desgraçado que você queira registrar, a resolução (QVGA, os mesmos 320×240 da tela) e a velocidade (15 qps) são capazes de destruir qualquer registro feliz captado por essa lente.

Confira uma galeria:

A pedrada final é a ausência de 3G. Longe de um ponto de acesso Wi-Fi, o Asha 501 só se conecta à rede da operadora via EDGE, padrão que chega a, em média, 400 Kb/s. E leeeento, mas não chega a ser um gargalo para usuários dos planos pré-pagos nacionais — até dia desses a TIM limitava a velocidade desses clientes a 300 Kb/s –, e… bem, é difícil imaginar alguém capaz de bancar uma conta pós-paga comprando um Asha 501. De qualquer modo, apps de terceiros que usam dados, como Facebook e Twitter, ficam absurdamente lentos quando dependem da rede da operadora.

Software básico, mas competente

O Asha Software Platform 1.0 equipa o Asha 501.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Asha 501 serve de palco de estreia para o Nokia Asha Platform 1.0, primeira versão do sistema que, daqui em diante, será a base desses modelos básicos. Ele é uma evolução bem-vinda do datado S40 que equipava modelos antigos da linha, e apesar de bem diferente, por baixo do capô dá para verificar algumas convenções do passado que ainda resistem, como a ausência de multitarefa — compensada, é verdade, por notificações push para alguns apps principais.

É de se suspeitar que tenha havido algum trabalho de otimização por baixo dos panos. Entrando rapidamente no tecniquês, o Asha 501 tem só 64 MB de RAM e processador desconhecido — a Nokia não revela, mas é bem provável que seja algo bem mais lento, por exemplo, que o de 1 GHz que move o Asha 311. Ainda assim, a fluidez do sistema agrada bastante. As transições são suaves, os dois painéis principais se alternam sem engasgos e apps nativos, com uma ou outra exceção, abrem com velocidade satisfatória e funcionam a contento.

A reorganização da interface foi bem feliz. A Nokia exumou o cadáver do MeeGo e trouxe para o Asha 501 diversos gestos, bem explicados no primeiro uso do aparelho, para navegar pelo sistema, além de umas sacadas elegantes, como notificações na tela de bloqueio e o toque duplo na tela para desbloqueá-la (que nem sempre funciona).

Fastlane e Home, as telas principais do Asha.
Foto: Rodrigo Ghedin.

A interface principal divide-se em dois painéis, o Home, que consiste no grid de ícones/apps tradicionais a la Android e iOS, e o Fastlane, uma central de notificações bombada. Essa última contempla ligações, apps recém-abertos e instalados, mensagens recebidas, fotos tiradas, notas, aniversários e compromissos da agenda em uma linha do tempo em ordem cronológica inversa — os mais recentes, no topo. De muito bom gosto, e bastante funcional. Para alternar entre os painéis, basta deslizar o dedo sobre a tela lateralmente a partir de uma das bordas.

Curiosamente, ainda existe uma tela de notificações na cortina do topo. Ela traz menos notificações (coisas do Facebook, por exemplo), dá informações mais detalhadas dos SIM cards em uso e traz utilíssimos botões para Wi-Fi, Bluetooth, conexão de dados da operadora e modo silencioso. O gesto aqui é como nos outros sistemas (Android e iOS): arrastar o dedo de cima para baixo

O último gesto que sobra, de baixo para cima, funciona em alguns apps e serve para revelar opções estendidas ou o menu principal.

Notificações e botões rápidos na cortina.
Foto: Rodrigo Ghedin.

É fácil acostumar-se com essa dinâmica. São poucos comandos para memorizar e a interface como um todo emana simplicidade. No começo dá para se perder, mas a curva de aprendizado é bem curta. Com algumas horas de uso dá para dominar o manejo do Asha 501.

A oferta de apps é singela. O básico vem coberto de fábrica, com apps para calendário, agenda de contatos, alarmes, música, vídeo, email, navegador (Nokia Xpress), calculadora e gravador, e até uns mais elaborados, como Contadores (para monitorar o tráfego de dados na rede da operadora), uma central de contas em redes sociais, app de notas e um gerenciador de arquivos simples.

Simplicidade é o que norteia e, acho eu, garante o bom funcionamento de todos esses apps. Eles não fazem nada que faça o usuário suspirar e bater palmas emocionado com o progresso tecnológico da humanidade, mas essa auto-limitação tem como aspecto positivo uma experiência confiável. Uma grata surpresa dessa leva de apps nativos é o bom gosto: alguns, como os apps de música, alarmes e calendário, são muito bonitos.

O belo app de música do Asha 501.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Quando apps de terceiros entram na jogada, aí a coisa fica feia. O Asha 501 traz alguns pré-instalados, como Facebook, Twitter, The Weather Channel e joguinhos. Eles são lentos e não têm lá muita preocupação com visual — o do Facebook é o caso mais grave; parece a primeira versão do app lançada para iPhone, lá em 2008. A loja de apps é carente de qualquer coisa relevante hoje, com exceção de Foursquare, WeChat, HERE Maps (sem GPS, apenas com Wi-Fi e triangulação de torres) e, em breve, WhatsApp — uma ausência sentida, especialmente pelo histórico do app em featurephones da Nokia.

Por falar em apps de bate-papo, outra coisa que agrada em cheio é o teclado virtual. Mesmo no aperto das 3 polegadas, ele é confortável de se usar, traz correção automática e a vírgula está disponível de cara, sem precisar segurar uma tecla ou alternar o teclado para outro modo — deveria ser assim no Android, Google.

O grande trunfo: bateria

Mesmo com apenas 1200 mAh, a bateria do Asha 501 dura.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Nokia ainda é, na cabeça de muita gente, sinônimo de durabilidade e autonomia. Não fiz testes de resistência com o Asha 501, do tipo derrubá-lo no chão ou passar com um carro sobre ele (acontece…), mas no quesito bateria ele faz jus à fama da fabricante finlandesa: dura, e dura muito.

A Nokia promete 26 dias em stand by, e até 17 horas de conversação. Com Wi-Fi e rede de dados ligados e se alternando, tirando algumas fotos, usando redes sociais, poucas ligações, email, essa coisa toda que se faz em celulares atualmente, a bateria do Asha 501 chegou ao segundo dia de uso com mais da metade da carga. Não existe smartphone no mercado capaz de fazer frente. E veja que impressionante: tudo isso com uma bateria de apenas 1200 mAh — a média dos smartphones, hoje, gira em torno de 1800~2000 mAh.

Bateria é um dos pontos que levariam alguém a comprar um Asha 501. Para quem precisa passar longos períodos longe da tomada, é uma característica matadora.

Barato sim, mas com dignidade

O pequeno e belo Asha 501.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Asha 501 é simpático. Ele é pequeno, leve e bonito. E barato também: com preço sugerido de R$ 329, já é fácil encontrá-lo bem abaixo disso — na data de publicação deste review algumas lojas ofereciam o aparelho por até R$ 219.

Os pontos fortes desse aparelho são bem claros: autonomia assombrosa, visual moderno e um sistema que se comporta bem, ainda que seja severamente limitado. É um passo além dos celulares de lanterninha, mas uma experiência bem mais simples que a oferecida por um smartphone de verdade.

Eu gostei do Asha 501, mas não me vejo usando um a não ser por necessidade. Para quem é menos exigente, que só quer um celular competente, que passe muito tempo longe da tomada e vez ou outra gosta de dar uma conferida no email, Facebook e Twitter, ele é uma boa pedida — começando pela faixa em que se insere; é difícil encontrar nela concorrentes de marcas conhecidas equiparáveis em recursos e qualidade.

Compre o Asha 501

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[Review] Aspirador de pó portátil em formato de joaninha

Por
28/10/13, 10h00 5 min 10 comentários

Sites de compras como DealExtreme e FocalPrice abriram as portas do varejo chinês para o ocidente. Em vez de apelar para lojas de R$ 1,99 ou Ciudad del Este, através dessas lojas virtuais é possível comprar direto da fonte por preços (ainda mais) irrisórios e frete grátis para qualquer parte do mundo.

Quando descobri esses sites, passei a fazer compras regulares lá, quase sempre encomendando produtos engraçadinhos dos quais nem precisava. Ainda bem que essa fase passa, né? Hoje só recorro a eles quando preciso mesmo de algo. Alavancas para os joysticks (maldito FIFA!), cabos que perdi, peças de reposição em geral. Na última compra, porém, tive uma recaída e encomendei um aspirador de pó portátil em formato de joaninha.

Brinquei na entrevista com o Mobilon que esse aspirador de pó tinha sido a melhor compra que fiz em 2013. Não chega a tanto, mas é uma mão na roda, acredite.

Apartamento pequeno + pão = sujeira

Vivo em um apartamento pequeno e adoro pão. Depois de comer, inevitavelmente sobram farelos na toalha de mesa e, nessa, livrar-se deles nem sempre era um trabalho limpo e livre de falhas.

Bater a toalha em uma lixeira de pia exige destreza e uma mira muito boa. No meu caso, farelos caíam na pia e no chão e… vamos lá, eu admito: pode ser bobagem, mas achava isso uma chateação enorme. O aspirador de pó em questão era, portanto, a solução para os meus problemas.

Aspirador de pó joaninha faz pose para a foto.
Foto: Rodrigo Ghedin.

*Toca a vinheta das Organizações Tabajara!*

Visão geral do aspirador de pó portátil em formato joaninha

Este aspirador de pó parece um mouse avantajado. O formato, somado às dimensões (10,6 cm x 8,6 cm x 6,9 cm) e peso (163 g), reforçam a semelhança. Minhas mãos não são muito grandes, mas consigo manuseá-lo com conforto. Ele se encaixa bem e desliza sem trepidações pela toalha.

A construção é das mais simples e, considerando um produto que custa menos de US$ 7 no varejo, frágil. A parte central consiste em um motor movido a duas pilhas AA. Ele fica protegido pela tampa superior, feita de um plástico fino. Na lateral esquerda está o botão de liga/desliga.

Construção simples e frágil do aspirador de pó.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Embaixo fica o compartimento de armazenagem do pó/farelo. No meio, o ventilador que suga eles. Há pequenas hastes distribuídas na base que ajudam a direcionar os farelos para o ventilador central. Ele lida com farelos pequenos e até alguns pedaços maiores, e além de aspirar, o ventilador também atua como um pequeno triturador. Coma um pão francês, que costuma soltar cascas e farelos maiores, aspire e depois abra o compartimento e eles terão sido reduzidos a um pó.

A tampa inferior é mais firme que a de cima, mas não é difícil de abrir — existe uma espécie de presilha na parte de trás que, apertada, permite removê-la sem maiores esforços. A base é bastante curta, então tome cuidado se ficar muito tempo sem limpá-lo. Pode acontecer dos farelos se espalharem caso estejam transbordando.

A base do aspirador de pó portátil.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Nas laterais da peça principal existe uma fina camada de papel, provavelmente para impedir que os farelos saiam pelos vãos. Não é totalmente eficiente, já que é comum ver um pouco deles saindo pelas laterais, e dificultam um bocado a limpeza. É meio nojento deixar essas coisas à mostra, ainda mais que o aspirador de pó, com esse design de joaninha, é vendido também como objeto de decoração. De gosto (bem!) duvidoso, mas isso vai de cada um. A dica, portanto, é não deixar acumular muito farelo ali.

Joaninha em ação

O aspirador de pó portátil funciona bem. Na descrição da loja, é dito que ele se destina a ser usado em mesas para aspirar poeira, cinzas de cigarro, cabelo, borra etc. Coloque nesse “etc” farelo de pão: apesar de não ser citado explicitamente, venho usando-o exclusivamente para essa finalidade há mais de um mês com sucesso.

A operação é muito simples. Existe apenas um botão de liga/desliga, e basta passá-lo sobre os farelos, mais de uma vez, para que ele faça seu trabalho. É um gadget barulhento, como você pode conferir no vídeo abaixo, mas pelo menos aqui, com uma mesa pequena, esse problema é amenizado porque o trabalho sempre é muito rápido.

Custo-benefício: nota 10

Como a maioria das bugigangas que se compra na DealExtreme, não espero que esse aspirador dure muito. A engenharia dele é rudimentar, ao abrir a tampa superior dá para ver como o motor e as pilhas foram colocados de maneira meio desleixada, o plástico é frágil e aquelas cortinas de papel… bem, são de papel.

Mas por US$ 6,20 com frete grátis, por que não? Comparando com meu método antigo de bater a toalha na lixeira, o aspirador de pó portátil em formato de joaninha é mais rápido, mais eficiente e não faz bagunça. Por essa pechincha, é algo que me vejo comprando novamente quando esse quebrar.

Aspirador de pó portátil: ótimo custo-benefício.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Todos os links do aspirador neste post têm código de referência. Isso significa que se você comprá-lo ou qualquer outra coisa na DealExtreme a partir desses links, eu ganho uma pequena comissão. O preço não muda com ou sem código, mas com ele eu faço uns trocado — e você continua sem ver propaganda por aqui :-)

Um ano e três meses depois, o estado do ultrabook Série 9, da Samsung

Por
10/12/13, 15h31 17 min 15 comentários

Não dando o azar de receber uma unidade defeituosa de fábrica, é quase certo que produtos novos funcionarão muito bem. Com hardware de ponta e sem as marcas de uso e dos acidentes do cotidiano, seria estranho se um smartphone novinho, ou um notebook que acabou de sair da loja, funcionasse mal.

É assim que praticamente todos os reviews publicados em sites, pequenos ou grandes, conhecidos ou obscuros, são feitos. Eu também faço isso, é praxe e há bons motivos para focar em lançamentos, mas e depois? Passados alguns meses, como aquele ultrabook bonitão se comporta? Depois de mais de um ano de uso contínuo, ele ainda segue em forma? Um produto não conta a história toda, mas ainda assim achei válido relatar aqui como está o meu notebook do dia a dia, um Samsung Série 9, passado um ano e três meses desde que o adquiri.

Este é um review em três partes:

  • A primeira, escrita com dois dias de uso do Série 9;
  • A segunda, com três meses de uso; e
  • A última, um ano e três meses depois da aquisição.

Delas, apenas uma é realmente nova. As duas primeiras são reformulações (em estilo e adequação ao formato) de textos que publiquei no meu blog pessoal. A última é inédita.

Antes, porém, um pouco de contextualização.

Na época em que comprei o Série 9, em setembro de 2012, ele já era um modelo ultrapassado. Equipado com um processador Core i5 de segunda geração (“Sandy Bridge”), naquela altura a sua atualização, com processador “Ivy Bridge”, já existia. Não no Brasil, onde ela só foi lançada há alguns meses. O que é estranho, já que esse anúncio se deu alguns dias depois do da novíssima geração do agora chamado ATIV Book 9 Plus, com tela sensível a toques, tela com resolução monstruosa, bateria com grande autonomia e um novíssimo Intel Core i5 “Haswell” dentro. Esse ainda não desembarcou no Brasil.

Voltando ao meu modelo, embora ultrapassado trata-se de um ultrabook com tudo o que se poderia esperar de um equipamento dessa categoria. A configuração se completa com 4 GB de RAM, um SSD de 128 GB e, hoje, rodando o Windows 8.1 (ele veio de fábrica com o Windows 7 Home Premium que foi atualizado para o Windows 8 e, recentemente, para a última versão do sistema).

Aperte os cintos e segure-se na poltrona: vamos começar nossa viagem no tempo!

Primeiras impressões do Samsung Série 9

Trecho escrito em setembro de 2012.

Visão de cima do Série 9.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Samsung Série 9 é uma lâmina negra de duralumínio. Com bordas cromadas e um visual bem sóbrio, acho que dá para descrevê-lo como bonito. É bem bonito, na realidade. O esmero começa pela embalagem: uma caixa luxuosa contendo, além do próprio notebook, o carregador, um adaptador para a porta RJ-45 e uma caixinha com manuais e um CD (!?) de recuperação.

Sobre o notebook em si, chama muito a atenção a espessura mínima e a leveza — apenas 1,16 kg. O desenho das bordas, que concentra perto das dobradiças as portas e conexões e vai “afinando” até a frente, passa a impressão de que o equipamento é ainda mais fino (na prática são 12,9 mm). É um notebook amigo da coluna.

Falando em portas, é aqui que a portabilidade cobra seu preço. São apenas duas portas USB (uma delas 3.0), saída micro-HDMI, outra minúscula de rede, uma mini-VGA, o conector de energia e saída de áudio “mista” (para fones e microfone, como nos celulares). Escondido em uma portinhola do lado direito, fica um leitor de cartões 4-em-1. Nada extravagante e tudo muito dependente de adaptadores — que não acompanham o produto com exceção do da porta Ethernet.

A proximidade das portas gera uma situação inusitada: a menos que o seu plug USB seja bem fino ele não pode ser encaixado junto com o carregador. Como as duas entradas ficam bem próximas, uma toma espaço da outra. Ah, e o conector do carregador se comporta de forma diametralmente oposta à do MagSafe, da Apple: ele fica muito bem preso ao notebook. Um esbarrão no fio não o remove de jeito algum e, se duvidar, leva notebook e tudo mais para o chão. Muito cuidado com o fio.

Avancemos para dentro do Série 9, para o teclado e touchpad. Com tudo se acostuma, mas à primeira vista não gostei muito do teclado — o que me leva a imaginar o quão ruim deve ser o da versão mais atualizada/com processador Ivy Bridge, cujo teclado o Gizmodo US detonou em review.

O confortável teclado do Série 9 foi estranho no primeiro contato.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O feedback tátil é ok, mas a altura das teclas é mais baixa do que o esperado e o espaçamento entre elas, um pouco grande; nessas primeiras horas de uso, por exemplo, tenho apertado muito o botão [ em tentativas de teclar Enter. De positivo, o teclado é bem limpo, com telas F1-12 como padrão, botões alternativos (Fn) diretos e um backlit sutil e automático de quatro níveis. Há indicadores de LED nas próprias teclas (Wi-Fi, trava do Fn, Caps Lock). De ruim, algumas invencionices da Samsung herdadas de outros modelos: / e ? acessíveis via Alt Gr e teclas Page Up/Down, Home e End nas setas direcionais, acessíveis via Fn — um saco para mim que uso muito elas; com esse layout, não consigo usá-las com uma mão.

Já sobre o touchpad, menos críticas. Uma coisa legal é que os gestos multitouch simplesmente funcionam. Correr páginas com os dois dedos, arrastar três para baixo para abrir a multitarefa, zoom com pinça… tudo isso é suave e responsivo, coisa que não se vê em notebooks mais simples. Ele inteiro é um botão (na parte inferior) e dependendo do lado onde se clica, aperta-se o botão esquerdo ou direito. Essa divisão é um pouco confusa e complica na hora de fazer alguma seleção com o botão apertado (ação para a qual, justiça seja feita, também há um gesto que facilita). Entre vantagens e desvantagens, achei ele bem agradável, a ponto de fazer com que aquela vontade de ter um mouse Bluetooth derivada de frustrações com o touchpad não se manifestasse.

Touchpad do Samsung Série 9.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Ainda nessa parte, reitero a sobriedade do layout. Em certo ponto, é sóbrio até demais — faltam LEDs indicadores de atividade do disco, por exemplo (embora o SSD não tenha me deixado esperando nada até agora). Mas mesmo com toda essa pegada premium e minimalista, senti falta de terem ido além e sumido com os adesivos chatos tão conhecidos de notebooks Windows. Em vez de fazer algo como a Dell com o XPS 13, que colocou essas coisas todas numa chapa na parte de baixo do notebook, a Samsung manteve os adesivos de processador e Windows. “Cinzas” e uniformes (ou seja, menos ruins, no padrão ultrabook), mas ainda assim…

E essa tela? Com 13,3″, resolução de 1600×900 e acabamento fosco, é um deleite. Mesmo não sendo uma tela Retina, é bem bacana. O brilho é muito bom e o ajuste automático, bastante funcional. Os ângulos de visão são incríveis. Se o Série 9 chama a atenção pela beleza externa, a tela mantém essa impressão quando a tampa é aberta.

No que diz respeito ao desempenho, ainda não fiz nada que exigisse muito dele. É um Core i5 2467M com 4 GB de RAM DDR3. Mas o que mais impacta o uso corriqueiro, nas atividades básicas (inicialização e abertura de aplicativos) é, sem dúvida, o SSD. É um de 128 GB (com muito espaço “desaparecido”, provavelmente para guardar arquivos de recuperação que não devem durar muito por aqui) e a velocidade encanta. Boot “frio” em menos de 20 segundos, aplicativos mais pesados abrindo instantaneamente. Isso é lindo. E olha que o SSD que equipa o Série 9 nem é dos mais rápidos.

O grande problema do Série 9 é o adaptador de rede sem fio. Não sei se é culpa do Centrino Advanced-N 6230 (que já sai de fábrica com driver atualizado) ou se a construção do notebook compromete a comunicação sem fios, mas essa chateação, somada a uma infeliz configuração padrão da Samsung nas configurações de economia de energia resultam em uma navegação web impossivelmente lenta, com quedas sucessivas do sinal Wi-Fi. Corrigir a configuração melhora muito as coisas (o Felipe Machado dá a dica), mas um teste básico de ping ainda releva desempenho aquém do esperado, principalmente em um notebook de ponta como o Série 9 se propõe a ser. Farei mais testes no decorrer da semana para ver se isso compromete o uso, mas até agora, com a alteração nas configurações de energia, ele tem se comportado bem.

O Samsung Série 9 (modelo NP900X3B-AD1BR) é um ultrabook extremamente leve, fino e, aparentemente, com desempenho adequado para tarefas básicas — navegação, digitação, aquele uso que boa parte das pessoas faz de computadores. Comprei o meu na FastShop por R$ 3.200.

Três meses depois, como vai o Samsung Série 9?

Trecho escrito em meados de dezembro de 2012.

Samsung Série 9 e alguns celulares espalhados na mesa.
Foto: Rodrigo Ghedin.

É fácil se afeiçoar ao Série 9, ultrabook topo de linha da Samsung. Mesmo com algumas falhas grotescas, eu adoro o meu.

Pouco mais de três meses depois, já trabalhei bastante com o Série 9, instalei o Windows 8, gravei e editei podcast, viajei, até joguei (se To The Moon for considerado jogo)… enfim, fiz praticamente tudo o que poderia fazer em um notebook. É hora de rever aquelas impressões iniciais.

Há três coisas irritantes no Série 9.

A primeira é o Wi-Fi. Com aquele hack citado no post anterior o problema é amenizado, mas o desempenho do sinal wireless é patético comparado a qualquer outro equipamento. Colocá-lo para baixar alguma coisa é um teste de paciência e uma sessão de dedos cruzados (na esperança de que a conexão não caia no meio do processo). É ruim, absurdamente ruim para um equipamento desse porte. Sempre tive notebooks baratos e todos, sem exceção, tinham módulos Wi-Fi melhores que o do Série 9. A única explicação plausível para a Samsung ter colocado no mercado um negócio tão podre é o Wi-Fi não ter passado por testes de (falta de) qualidade.

A segunda chateação é a bateria. Em média, consigo ficar cerca de quatro horas longe da tomada. Para um notebook de entrada seria fenomenal, para um ultrabook, é risível. Não sei se a limitação física (ele é muito leve e muito fino) impediu a Samsung de colocar mais energia ali dentro, mas essa autonomia pífia causa uma péssima segunda impressão.

Por fim, os sinais de uso. Sei que todo notebook fica com as teclas brilhantes após um tempo, mas poxa, dois meses? Até o touchpad já mostra marcas de batalha… As minhas mãos não suam tanto, não tenho problema com ácido úrico, nem uso o notebook enquanto como frango frito. Esperava maior durabilidade, ainda que seja apenas uma falha estética.

Marcas do tempo precoces no Samsung Série 9.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Bônus: o LED do carregador é muito brilhante, do tipo que ilumina o quarto à noite. É um detalhezinho de nada, mas me obriga a tirar o carregador da tomada para conseguir dormir.

Vou parecer mulher de malandro, mas mesmo com essas falhas, duas delas graves, ainda gosto do Série 9. A leveza e a espessura mínima são elegantes e deixam o manuseio super de boa. Não é raro eu segurá-lo aberto com apenas uma mão, pela borda frontal, sem fazer esforço. O material é rígido e emana firmeza, não se ouve nenhum tipo de rangido e ele não entorta.

O desempenho também segue ótimo, em muito impulsionado pelo SSD. A diferença desse sistema de armazenamento para um disco rígido com partes móveis é brutal. No uso cotidiano, aplicativos abrem instantaneamente, a manipulação de arquivos é rápida, a multitarefa, mesmo com 4 GB, é suave. Essa quantidade de RAM e o SSD, somados a um processador legal (Core i5), tornam a máquina um deleite. Leio, navego, assisto a vídeos, escrevo, até edito podcasts sem nenhum engasgo.

O teclado e o touchpad são bem bacanas. Quando comentei aqui as minhas primeiras impressões, reclamei do espaçamento das teclas. Era questão de costume mesmo. Hoje digito bem rapidamente e com poucos erros. Meus dedos deslizam no touchpad sem dificuldade e a superfície é bem responsiva, inclusive para os gestos multitouch. Se quando ele chegou eu descartei a compra de um mouse Bluetooth, hoje digo que nem se ganhasse ou tivesse um dando sopa aqui o usaria.

Outros pontos positivos? Tela estupenda, áudio bom para um portátil. Um pouco baixo, mas não dá para esperar muito. O Série 9 esquenta, mas não dissipa calor pelo teclado e a temperatura não chega a níveis “ficarei estéril se usar isso no colo por meia hora”.

Resistindo ao tempo

Trecho escrito ontem.

O Samsung Série 9 é como o vinho.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Desde janeiro de 2013 tenho usado o Série 9 com mais frequência. Depois que me mudei, transformei meu desktop, até então também usado para trabalhar, em uma estação multimídia ligada à TV. O notebook passou a ser o titular para minhas atividades profissionais.

O desempenho continua ótimo, pelo menos nas partes em que o SSD é exigido. Em outras atividades mais pesadas, porém, a diferença de poder para o desktop se faz notar e é, sim, sentida.

Nada muito extravagante ou que me faça desejar muito voltar ao computador de mesa, mas mesmo em coisas mais simples, como uma página web pesada (oi, Google+!), a fraqueza do conjunto móvel é sentida. Editar vídeo aqui? Não tente isso para não se frustrar. Para essa finalidade peço licença aos jogos e Netflix no desktop e subo o editor de vídeos lá mesmo, direto na TV.

Mas se estou até hoje trabalhando no Série 9, é porque ele, ao contrário do que o parágrafo acima pode dar a entender, está longe de ser ruim. Para navegação web, escrita e outras atividades menos intensivas, ele é um senhor equipamento. E é esse desempenho econômico, mas eficiente, somado às suas características físicas (leveza, beleza, ergonomia) que me fazem gostar tanto dele. É isso aí: o Série 9 é um notebook adorável.

Surpreendentemente, acho que o Série 9 melhorou com o tempo. O módulo Wi-Fi, que tanto irritava nos primeiros meses, melhorou da água para o vinho com o Windows 8 e novos drivers lançados pela Intel. Aquelas quedas intermitentes sumiram por completo e hoje tenho confiança o bastante para deixá-lo ligado à noite baixando alguma coisa ou fazendo uma atividade qualquer.

Do teclado, que causou estranheza a princípio, já fiquei íntimo. Digito com muita velocidade e pouquíssimos erros, da mesma forma ou até melhor do que fazia no teclado ergonômico da Microsoft que usava no desktop. O touchpad continua maravilhoso e reitero que prefiro ele a qualquer mouse. Aquela ideia de que touchpad em máquinas Windows não prestam, mais do que justificada pela presença maciça de modelos simplesmente ruins em máquinas mais baratas ou até da mesma categoria, tem lá suas exceções. O do Série 9 é, sem dúvida, uma delas.

Esse tempão com o Série 9 também serviu para extirpar velhos hábitos. Nas primeiras impressões reclamei da falta de indicadores de atividades, aqueles LEDs que apontam a atividade do disco, da rede, etc. A estabilidade do sistema e a velocidade derivada do SSD tornam essas coisas dispensáveis. Não é um tablet, mas a filosofia deles, de apenas funcionar da forma como se é esperada e sem engasgos, aplica-se aqui. E quem precisa de um LED de atividade do hardware em um tablet?

O desgaste precoce do teclado e touchpad, com apenas dois meses de uso, limitou-se àquilo. Não houve pioras nesse sentido. E chega a ser digno de nota, dado o tanto que já digitei nessas teclas, todas elas ainda estarem com a tinta dos caracteres fortes, sem sinais de que irão se apagar em breve.

Como uso-o majoritariamente em casa e, portanto, ligado à tomada, nunca exijo muito da bateria. Em viagens a trabalho acabei tendo que recorrer a ela e seus números, infelizmente, não melhoraram em nada — não que eu tivesse esperança de que milagrosamente a bateria passasse a dura algumas horas a mais, mas enfim. Consigo ficar de quatro a cinco horas mesmo longe da tomada. No que faço quando estou fora, ou seja, redigir algum texto, tomar notas em apresentações, cobrir feiras, dá para o gasto. Poderia sem melhor? Não, deveria ser melhor. Mas já estava ciente dessa limitação quando o comprei, logo seria injusto reclamar dela agora.

Valeu a pena?

Poucas conexões, mas o suficiente.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Sempre relutei bastante em recomendar o Série 9 com processador Sandy Bridge, mesmo custando bem menos do de um MacBook Air equivalente — o paradigma extra oficial para ultrabooks.

Hoje é difícil encontrá-lo no varejo, já que uma versão mais atualizada está disponível no Brasil. Algumas lojas ainda têm estoque; em uma rápida pesquisa no Buscapé, uma ainda o vende por R$ 2.500, valor que mesmo hoje é interessante para um notebook desse porte. O ATIV Book 9, com processador Core i5 “Ivy Bridge”, é encontrado na mesma loja por R$ 3.600. Vale a diferença? Difícil dizer. Embora goste muito desse ultrabook, recomendaria ao comprador em potencial erguer a cabeça e olhar a concorrência — Lenovo e Asus estão com modelos bacanas com valores equivalentes.

Quando decidi comprar um notebook a minha primeira opção era o MacBook Air. Acabei optando pelo Série 9 porque a diferença de preço entre eles era grande, de R$ 800. E como já estava acostumado com Windows, não teria curva de aprendizado e, de quebra, continuaria com meu workflow intacto. Meio comodismo, vá lá, mas é um ponto importante — imagino que ter a mesma desenvoltura que tenho no Windows, onde acumulo anos de experiência, no OS X não seria algo trivial.

Apesar dos problemas iniciais e de projeto, no longo prazo classifico essa como uma boa compra e estou satisfeito com o que o equipamento proporciona. Talvez o Samsung Série 9 seja exceção e de qualquer forma, ainda que longo para um review, um ano e poucos meses é um período mediano na vida de um gadget. Mas ele vem envelhecendo bem, até melhorando alguns aspectos com o tempo (e atualizações de software), e sem dar problemas de hardware. Continue assim por mais um ou dois anos e poderei dizer, enfim, que esta foi uma ótima compra.