[Review] L80 ou L90, qual dos dois intermediários da LG é o melhor?

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27/8/14, 10h43 7 min 7 comentários

Em maio a LG lançou no Brasil, de uma tacada só, nove smartphones por preços que iam de R$ 350 a R$ 950. A linha L, que abrange os modelos de entrada e intermediários, nunca foi tão populosa quanto nesta terceira geração e, com tantos membros, era inevitável que alguns se sobrepusessem em características e preços. O caso da dupla L80 e L90 talvez seja o que mais se destaque.

Coloquei os dois lado a lado para determinar qual é a melhor escolha. O L80 saiu aqui com preço sugerido de R$ 950, e o L90, por R$ 900. Hoje, três meses depois do lançamento, dependendo da loja e da promoção os preços variam, girando a casa dos R$ 650~800, mas o L80 continua custando mais ainda que por uma margem quase irrelevante. O preço tem um peso importante nos segmentos de entrada; quando ele perde peso no processo decisório e deixa às configurações essa responsabilidade, o que acontece se essas são similares? É o que você confere agora.

L80 ou L90, qual compensa mais?

Não é preciso ser um gênio da matemática para saber que 90 é maior que 80. A superioridade estampada no nome perde muito do seu efeito quando se tem ambos os smartphones, L80 e L90, nas mãos. Com muitos recursos idênticos e exclusividades equilibradas, hierarquizá-los é bem mais difícil do que apontar o número maior. Continuar lendo [Review] L80 ou L90, qual dos dois intermediários da LG é o melhor?

[Review] Acer C710: quando o pioneirismo não sustenta o produto

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25/8/14, 14h56 6 min 13 comentários

Primeiro Chromebook a chegar ao Brasil, o Acer C710 está perto de completar um ano no país e dois desde que foi lançado lá fora. Com sucessores já disponíveis em outros países e cada vez mais difícil de ser encontrado nas lojas daqui, optei por fazer um review mais sucinto em vez daquele tradicional. Há algo que se destaque neste equipamento? Venha comigo para descobrir.

Não fosse pelo logo do Chrome na tampa, o C710 seria facilmente confundido com os melhores netbooks — apesar de soar contraditória essa descrição. É um projeto bem conservador, com conexões legadas, um teclado bem esquisito e visual familiar. Bem familiar mesmo: pelo menos lá fora trata-se de um sabor do Aspire One, a linha de notebooks de entrada com Windows, que passou por um processo de rebranding.

As configurações são bem básicas: processador Celeron 1007U dual-core rodando a 1,5 GHz, 2 GB de RAM e um SSD de 16 GB. Todo de plástico, o Acer C710 herda algumas virtudes e uns tantos defeitos dos antigos netbooks. Continuar lendo [Review] Acer C710: quando o pioneirismo não sustenta o produto

[Review] Xperia Z2, mais do mesmo só que melhor

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30/7/14, 13h46 12 min 6 comentários

Demorou apenas seis meses para a Sony atualizar seu smartphone topo de linha. As mudanças não são tão expressivas à primeira vista e, vendo o Xperia Z2 de relance corre-se o risco de confundi-lo com seu antecessor, o Xperia Z1. Tamanha semelhança tira o brilho do grande aparelho da empresa para 2014? É o que veremos nesta análise. Continuar lendo [Review] Xperia Z2, mais do mesmo só que melhor

Lumia 520, Optimus L4 II, Razr D1 ou Xperia E: qual o melhor smartphone abaixo de R$500?

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13/12/13, 14h00 14 min 8 comentários

O mercado brasileiro está recheado de smartphones para todos os gostos e bolsos. De modelos de ponta (e caríssimos) até os valentes celulares de entrada, que sofrem para rodar o pouco que oferecem, a variedade nunca foi tão grande por aqui.

Infelizmente não é todo mundo que pode se dar ao luxo de comprar um iPhone ou um Galaxy S. Na medida em que o preço cai, as especificações dos aparelhos definham também e chega um ponto onde as frustrações que eles geram no uso ultrapassam o tolerável. Qual é esse ponto? Difícil dizer, mas estimo que a faixa dos R$ 400 a R$ 500 seja uma boa aposta.

Com isso em mente, ou seja, pagar o mínimo possível por uma experiência aceitável, surgiu a ideia de realizar esse comparativo. O Natal se aproxima, logo, creio que será importante também para quem está em busca de um novo celular, próprio ou para dar de presente, que não comprometa o décimo terceiro. Espero que seja útil.

Cadê a Samsung? Desde o início a minha intenção era ter cinco celulares neste comparativo. Faltou um, da Samsung, que mesmo após insistentes pedidos meus não se dispôs a enviar um Galaxy Young Duos para testes. A resposta da assessoria foi de que eles não enviam aparelhos dessa faixa de preço para a imprensa. Uma pena.

Os competidores

Os quatro competidores, lado a lado.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O comparativo envolve quatro aparelhos:

  • Lumia 520, da Nokia.
  • Optimus L4 II, da LG.
  • RAZR D1, da Motorola.
  • Xperia E, da Sony.

Todos foram usados por mim, usando um SIM card da Claro — à exceção do Lumia 520, testado na rede da TIM. São três Androids e um Windows Phone e tentei diminuir ao máximo os desvios que a mudança de plataforma poderia ocasionar. Como? Usando os mesmos apps (ou similares) em todos eles, definindo configurações idênticas (como brilho da tela) e outros pequenos ajustes visando a paridade.

Não é um teste científico, não rodei benchmarks, nem cronometrei ações nos aparelhos. Não é essa a pegada do Manual do Usuário porque não acho que tal abordagem tenha tanta importância no mundo real. Por exemplo: o Optimus L7 II, testado recentemente aqui, tem menos RAM que o RAZR D1, que integra esse testes, mas nem de longe é um aparelho inferior. Faria sentido dizer o contrário baseado em um mero número, ignorando completamente a experiência de uso? Eu acho que não.

Antes de colocar nossos competidores em choque, é válido dar uma passada por cada um deles — em ordem alfabética.

Lumia 520, da Nokia

Lumia 520,da Nokia.
Foto: Rodrigo Ghedin.

De todos, o Lumia 520 é o que tem mais cara de produto superior. O acabamento, a exemplo dos demais, é de plástico, mas aquele de toque mais suave característico de alguns aparelhos da Nokia.

Este smartphone se beneficia da rigidez que a Microsoft impõe a quem decide usar o Windows Phone. O SoC é um Snapdragon S4 Plus, com processador dual core de 1 GHz e GPU Adreno 305. Não é um foguete, mas segura bem as aplicações do sistema.

O que compromete um pouco é a memória disponível, apenas 512 MB, limitação que cobra seu preço na multitarefa: espere ver com alguma frequência a tela “Retomando…” ao voltar a algum app aberto recentemente. A sensação de lerdeza é amenizada pela interface fluída do Windows Phone; você sabe que demora, mas a espera parece menos dolorosa com as transições suaves e bonitas do sistema.

O Windows Phone dá uma força em outra área: a tela. Com 4 polegadas e resolução de 480×800, ela se distancia das demais testadas neste comparativo, mas ainda assim fica longe das melhores do mercado. O padrão visual fortemente angular e a tipografia grandona do sistema da Microsoft ajudam bastante a ocultar as deficiências da tela — que, em outros aspectos, como brilho, ângulos de visão e cores, é bem competente para essa faixa de preço.

Optimus L4 II, da LG

Optimus L4 II, da LG.
Foto: Rodrigo Ghedin.

De longe, o mais curioso. Não bastasse ter sinal de TV digital (como o RAZR D1, aliás), esse modelo intermediário da linha Optimus L, da LG, aceita três SIM cards simultaneamente. Não um, não dois; três!

O corpo gordinho não é muito mais grosso que os demais, mas passa a sensação de que sim. Ele também parece ser meio “achatado”, a ponto de deixar em dúvida a proporção da tela — seria esse um filhote do bizarro Vu, também da LG, o phablet com proporção de tela 4:3? Não é o caso. Aqui, temos uma tela de 3,8 polegadas e resolução de 320×480. O L4 II tem a tela com menor densidade de pixels de todos os modelos testados e isso afeta a percepção do usuário, mas mesmo em um equipamento tão barato e simples a LG colocou um bonito (e destoante) painel IPS.

No que diz respeito ao desempenho, temos um SoC single core de 1 GHz da Mediatek, combinado com 512 MB de RAM. As mesmas deficiências apresentadas pelo Xperia E, que compartilha uma configuração similar, são vistas aqui: os apps mais simples até abrem relativamente bem, mas gerenciar dois já sobrecarrega o sistema.

RAZR D1, da Motorola

RAZR D1, da Motorola.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O simpático aparelho da Motorola é mais poderoso do que se poderia imaginar. Lançado junto ao D3 no primeiro semestre, chamou a atenção pelo custo-benefício e ainda hoje é uma compra muito boa no cenário abaixo dos R$ 500.

Embora não seja fator determinante, quando as outras características empatam com celulares nessa faixa de preço, a RAM dele se destaca. Dos modelos testados aqui, é o único com 1 GB disponível, característica impressionante para um smartphone de entrada.

A favor também está o Android (4.1.2 Jelly Bean) praticamente intacto que a Motorola usou aqui. Há pequenas alterações, a maioria útil, que não comprometem a saborosa experiência de usar o sistema como concebido pelo Google.

De ponto fraco, a tela talvez seja o maior. Ela tem 3,5 polegadas e resolução de 320×480, o que dificulta a leitura de textos menores e deforma ícones mais delicados, como os da barra de notificações.

Xperia E, da Sony

Xperia E, da Sony.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Cada aparelho dos testados herda algumas características de modelos mais avançados de suas respectivas marcas. No caso do Xperia E, o que se destaca é o botão de liga/desliga e desbloqueio da tela reforçado. Seria legal se todo celular tivesse esse detalhe, já que sendo algo usado o dia todo, é um do tipo que faz diferença.

A tela do Xperia E é a mais esquisita, com reflexos além do aceitável, um aspecto meio lavado e pouco brilho mesmo com essa configuração no máximo. A personalização da Sony, que já é de se questionar nos Xperias maiores, é particularmente ruim para a tela de 3,5 polegadas desse modelo. O app drawer, por exemplo, exibe poucos ícones por página e as alterações estéticas, que visam dar um ar mais sofisticado ao Android, são meio cafonas em um aparelho de entrada nada sofisticado.

Comparando detalhes

Vídeo comparativo

Quer vê-los mais de perto do que só em fotos? Temos um vídeo também:

A batalha dos chips

O L4 II aceita três chips de operadoras simultaneamente.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Dar suporte a mais de um SIM card está virando padrão em smartphones low-end e mid-range. Nossos competidores não fazem feio e, com exceção do Lumia 520, todos conversam com mais de uma operadora ao mesmo tempo — o L4 II, com três! O Lumia 520, aliás, é o único dos quatro a trabalhar com micro SIM.

Câmeras

Aqui é briga de foice para ver quem se sai menos pior. Com aparelhos tão comprometidos em tantas áreas, era de se esperar que as câmeras não fizessem maravilhas na hora de registrar momentos.

Nas amostras que fiz, as câmeras do Xperia E e L4 II não demoraram a se revelarem ruins. As outras duas agradam, dentro das limitações da situação. A do D1 é bastante saturada, mas tem boa definição. Já a do Lumia 520, apesar de um ou outro estouro ocasional em áreas claras, é a mais fiel em cores e entrega, na média, resultados bem legais. Veja esse primeiro comparativo em ambiente externo com bastante luz natural:

Comparando as câmeras dos smartphones em análise.

Em ambiente interno com iluminação natural a discrepância foi menor. LG e Sony parecem aplicar um pós-processamento mais pesado, algo perceptível na parte sombreada do Droid, abaixo. A definição da câmera do L4 II ficou surpreendentemente boa nesse exemplo, mas não sem sacrificar a qualidade — há um ruído perceptível naquela área.

Foto interna com luz natural.

Neste último comparativo, vemos o detalhe de uma placa. Aqui, as câmeras da LG e Sony mostram, novamente, que são fracas e acabam recorrendo a correções incapazes de equiparar os resultados aos das câmeras da Nokia e Motorola. Este exemplo também evidencia a inclinação da Motorola por imagens mais quentes e saturadas.

Detalhe em uma placa.

O álbum abaixo traz todas as fotos acima em tamanho natural, ordenadas e identificadas:

No geral, fiquei bem dividido entre as câmeras do Lumia 520 e do RAZR D1. A do smartphone da Nokia tem um tiquinho a mais da minha preferência por ser mais fiel em cores, sem puxar tanto para as quentes, ou saturá-las, como as do D1 — que, a seu favor, leva vantagem em definição.

Note que, como dito no início, aqui o objetivo não é encontrar a melhor câmera, mas a menos ruim. É relativamente difícil conseguir boas fotos com qualquer uma das quatro.

Bateria

Todos os quatro têm baterias modestas, suficientes para passar um dia longe da tomada desde que não se exagere no uso dos recursos. A do Lumia 520 é a menor de todas, com capacidade de apenas 1300 mAh — os demais giram em torno de 1700. Na prática, o Windows Phone parece ser menos gastão e a autonomia não difere tanto quanto essa diferença numérica sugere.

É difícil encontrar smartphones com baterias que se destacam. Quando acontece, geralmente a própria fabricante ressalta isso — como no RAZR MAXX, da Motorola, ou o Honor, da Huawei. Ainda que bem próximos dos preços de dumbphones mais elaborados, no quesito bateria os smartphones de entrada são parecidos com modelos mais caros. O que, nesse caso, é uma pena.

Acabamento

Plástico, plástico para todo lado! Mas alguns bons, especialmente o do Lumia 520. Ele se sobressai e ganha, sem muita dificuldade, o título de celular mais bonito deste comparativo. A ergonomia também é bacana (é o maior dos quatro), com bordas arredondadas atrás e um acabamento suave na tampa traseira.

O Xperia E também aposta em um tipo de plástico diferente, com uma textura rugosa que dá firmeza no uso. Além da ergonomia, o design dele dá uma valorizada estética ao conjunto. Fica em segundo lugar nesse critério.

Detalhe interessante no design do Xperia E.
Foto: Rodrigo Ghedin.

L4 II e D1 usam um plástico mais simples, pouco inspirado. As tampas traseiras são levemente texturizadas, mas de forma ruim ou indiferente. O D1 imita o acabamento em Kevlar dos RAZR mais caros, mas é plástico mesmo e dos mais simples.

Desempenho

A exemplo da câmera, aqui também a briga é feia. Todos eles te fazem esperar para abrir apps, todos se enrolam na multitarefa, nenhum tem desempenho capaz de distanciá-lo dos demais. Adquirir um smartphone por menos de R$ 500 é, antes de qualquer coisa, um exercício constante de paciência.

O RAZR D1 leva vantagem pela RAM extra, mas é uma vantagem que se mostra mais em situações de uso atípicas. É notadamente mais rápido que os outros dois Androids, mas na maior parte do tempo ter mais RAM que os outros não impacta tanto assim — o Android capenga bastante com 512 MB, mas não faz muito melhor com o dobro disso e um SoC ruim.

O Lumia 520 tem a vantagem do Windows Phone: ele transita pela tela com mais harmonia, passando a sensação de ser mais ágil que os concorrentes com Android e é efetivamente mais rápido que os outros. Mas, no geral, é só sensação mesmo: em um teste direto, abrindo apps similares simultaneamente nos quatro logo após reiniciá-los, o tempo de carregamento foi muito parecido em todos, com o smartphone da Motorola levando uma ligeira vantagem na maioria das vezes e o Lumia 520 vindo logo atrás.

Nessa disputa, desempenho é um fator que não pesa tanto na hora da escolha — todos são, infelizmente, fracos. Considere outras coisas na hora de decidir pelo seu.

E o vencedor é…

De cara, pelo acabamento, desempenho e outros detalhes já citados, Optimus L4 II e Xperia E ficaram pelo caminho. O páreo foi duro, porém, entre o Lumia 520 e o RAZR D1. São dois aparelhos que não parecem custar o que custam dada a qualidade que oferecem. Verdadeiras pechinchas que servem muito bem o usuário sensível a preços.

No fim, feitos mais testes e gasto mais tempo refletindo, ganhou a minha preferência o aparelho da Nokia. Na faixa entre R$ 400 e R$ 500, o Lumia 520 é a indicação do Manual do Usuário.

Botões frontais do Lumia 520.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Lumia 520 levou pelo acabamento, muito mais premium que os demais, a tela, a maior fisicamente e com resolução mais alta de todos, e o Windows Phone, que em modelos de entrada está em melhor forma que o Android — cenário que pode mudar com a chegada do KitKat — e já não sofre tanto da escassez de apps, um problema crônico até ano passado. É disparado o Lumia que a Nokia mais vende, e dá para entender o porquê: é um smartphone e tanto.

RAZR D1 no detalhe.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O RAZR D1 fica em segundo, mas por uma cabeça de distância. Mais especificamente, por uma tela ruim. Para quem prefere a multiplicidade de apps do Android ou o sistema em si (com a promessa de atualização para o começo de 2014), porém, é a melhor pedida. Trata-se de um smartphone bem competente para o que custa, com uma experiência próxima à do Android puro e extras técnicos interessantes em relação ao Lumia, como suporte a dois SIM cards e TV digital.

O D1 tem, agora, um grande concorrente doméstico, o Moto G. Apesar do preço sugerido de R$ 649, na Black Friday diversas lojas venderam a variante de entrada por R$ 550 e não será surpresa se já no Natal esse valor se repetir, ou cair ainda mais. Entre os dois, a disputa é covardia. Vá de Moto G sem pensar meia vez.

É bem provável que o varejo brasileiro empurre os preços desses modelos ainda mais para baixo nas festas de fim de ano. O bom é que, hoje, quem tem pouco para investir em celular não fica tão comprometido quanto alguém há dois anos com o equivalente a esse valor de hoje — comentamos isso em um podcast, aliás. O avanço das configurações e o uso de tecnologias antes de ponta em celulares de entrada gera esse benefício na ponta de baixo da tabela e, no fim, ganha todo mundo.

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[Review] SmartBand SWR10, a pulseira da Sony que quer saber tudo da sua vida

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22/7/14, 14h18 9 min 6 comentários

Enquanto LG, Motorola e Samsung se aventuram com relógios com Android Wear que ainda precisam provar terem cérebros competentes, a Sony apresentou um gadget vestível mais prosaico, uma pulseira que conta passos. A SmartBand SWR10 não faz muito, mas promete fazer bem o que se propõe. Consegue na prática? É o que descobriremos. Continuar lendo [Review] SmartBand SWR10, a pulseira da Sony que quer saber tudo da sua vida

[Review] Xperia E1: um ano e recursos melhores fizeram bem ao smartphone básico da Sony

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5/5/14, 10h00 11 min 4 comentários

A matemática nos smartphones de entrada é ingrata. Conciliar bom desempenho com preços baixos é um trabalho difícil e que raramente alcança o resultado desejado – vimos isso na prática com o teste de smartphones abaixo de R$ 500. Um deles, o Xperia E, amargou uma das últimas posições. Se o mesmo comparativo for feito com a safra 2014 de modelos baratos, porém, é bem provável que seu sucessor, o Xperia E1, se saia melhor. A Sony aprendeu a lição, melhorou pontos-chave no seu modelo mais simples e conseguiu chegar a um smartphone barato e bem honesto.

Além do preço, o marketing da Sony aposta muito em música para destacar o Xperia E1. Ele tem um alto-falante de 100 decibéis, os tratamentos de áudio de modelos superiores, como xLOUD e Clear Phase, e um botão físico no topo que abre o player de música Walkman mesmo quando o sistema está bloqueado.

Vídeo

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Do Xperia E para o Xperia E1, melhorias significativas

Cortina de notificações do Android no Xperia E1.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Era difícil encontrar pontos positivos no Xperia E, o antecessor do Xperia E1, lançado em 2013. A resolução da tela era baixíssima, o processador, fraco além do aceitável. Usá-lo, mesmo para as ações mais banais, era uma tarefa frequentemente irritante.

Nesse intervalo de um ano que separou as duas gerações do Android de entrada da Sony, a empresa tratou de sanar alguns dos pontos mais críticos. Eram muitos e, nessa, uma ou outra coisa evoluiu pouco ou permaneceu estagnada (casos da câmera e RAM, idênticas em ambos). As partes que mais fazem diferença no dia a dia, porém, receberam a atenção devida e o resultado disso é um smartphone que não chega a ser um deleite, mas que responde bem a maioria dos comandos do usuário.

Saiu o processador de um núcleo rodando a 1 GHz do Xperia E. Em seu lugar, temos um Snapdragon 200 com CPU dual core rodando a 1,2 GHz. Em conjunto com GPU, uma versão mais moderna da Adreno (302, contra a 200 do anterior), o processador principal dá conta de abrir apps, alternar entre eles e até rodar alguns jogos mais ou menos intensivos, como Subway Surfer, sem engasgos.

Se tivesse mais RAM, talvez o Xperia E1 entrasse naquela categoria de smartphones surpreendentes. Não é o caso, já que ele manteve os 512 MB da geração passada e, embora exista a promessa de atualização, saiu de fábrica com o Android 4.3 – a última versão, 4.4, alivia o uso de memória para permitir que smartphones com restrições nesse departamento rodem melhor. Não dá para prever como será seu comportamento após receber essa atualização, mas tomando por base o que ele já oferece, as expectativas são boas.

A falta de memória cobra seu preço, sem surpresa, onde ela é mais requisitada: navegação web e multitarefa. A câmera também sofre um pouco para abrir e se tornar usável; são alguns poucos segundos que podem ser demais para registrar um momento. Apesar desses problemas pontuais, no geral o desempenho do Xperia E1 é satisfatório para o que ele custa e em algumas situações, como ao digitar na tela sensível a toques, gera respostas melhores do que modelos superiores, como o Xperia C da própria Sony (esse, com um SoC MediaTek quad core de 1,2 GHz). Curiosamente, também em espaço interno o Xperia E1 fica na dianteira: ele traz os mesmos 4 GB de memória, mas disponibiliza 2 GB para o usuário, contra 1,2 GB no Xperia C.

O potente alto-falante do Xperia E1.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Outro ponto em que deixa o irmão mais velho citado acima para trás é a tela. É menor, sim, mas 4 polegadas é um tamanho legal. A resolução também é pouca coisa menor, 480×800; feitos os cálculos para determinar a densidade de pixels por polegada, o Xperia E1 se sai vitorioso com 233 contra 220 PPI. Nada que salte à vista, mas no fim a tela desse aqui é superior – por ser fisicamente menor, os pixels ficam mais unidos e menos distinguíveis.

É uma tela bacana. Não excepcional, mas longe de ser ruim. O que pode desapontar muita gente é aquele velho problema da linha Xperia com os ângulos de visão. O painel usado na construção da tela do Xperia E1 é de TFT, tecnologia que, nas mãos da Sony, gera ângulos bem limitados sob a pena da perda de contraste caso alguém decida encará-la de lado.

Por fim, a bateria. Ela cresceu um pouco, saindo dos 1530 para 1700 mAh. Na prática, dá para passar um dia de uso normal sem se preocupar com tomada, e sem recorrer ao modo Stamina, um comando nas configurações do sistema que desativa várias conexões e reduz a frequência do processador para economizar bateria. Em comparação ao parâmetro “um dia longe de casa” que uso nas análises subjetivas do Manual do Usuário, a bateria do Xperia E1 se mostrou um pouco acima da média.

Som na caixa!

Botão Walkman do Xperia E1.
Foto: Rodrigo Ghedin

A menos que você esteja em casa sozinho ou com amigos que estão na mesma vibe, ouvir música no alto-falante do smartphone é, no mínimo, deselegante com as outras pessoas no recinto. É sempre bom ter isso em mente, mas com um Xperia E1, vale reforçar a mensagem: o áudio que sai da parte de trás do aparelho é alto, chega a 100 decibéis.

Player de áudio padrão nos smartphones da Sony.
Walkman.

Esse volume não é suficiente para animar uma festa, mas é capaz de se fazer ouvir. Com o xLOUD, uma tecnologia da Sony que dá um impulso nos graves das músicas, a sensação é de que o som é ainda mais alto. Fazer barulho é um dos chamarizes do Xperia E1, e algo tão incentivado que a Sony até incluiu um botão físico dedicado para abrir o player Walkman no topo do aparelho.

Não dá para discutir que o Xperia E1 toca música em uma altura considerável – praticamente a mesma do iPhone 5, cujo alto-falante é mesmo alto. Infelizmente, a qualidade não acompanha o volume mesmo em canções não muito elaboradas. Distorções são facilmente percebidas, há estouros recorrentes e na maioria das músicas ouvi-las em volume máximo é uma experiência desagradável.

A situação é análoga à recente onda de smartphones intermediários com tela gigante: não adianta nada trazer muitas polegadas se a resolução não acompanha. O que a princípio é uma vantagem acaba se tornando um estorvo, e as telas de Xperia E1 e Xperia C ilustram muito bem esse dilema. No áudio do Xperia E1, qual a vantagem de fazer barulho se não for com qualidade minimamente aceitável? Há quem goste, mas o apelo se perde totalmente entre aqueles que procuram um bom sistema de som móvel para curtir músicas, jogos e vídeos.

Acabamento – no hardware e no software

Botões físicos na lateral do Xperia E1.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Existe uma corrente que vê nas 4 polegadas o ponto perfeito de equilíbrio entre tamanho de tela e ergonomia do smartphone. Mesmo sendo mais grosso, mais largo e mais baixo que os últimos iPhones, o Xperia E1 meio que reforça essa corrente: é um aparelho confortável de segurar e carregar no bolso, sem comprometer a área real que os apps têm para exibir seus conteúdos.

As bordas são destacadas, mas menos que em modelos superiores da linha Xperia. Na verdade, está dentro do aceitável. Ele poderia, isso sim, ser um pouco mais fino, embora o acabamento arredondado das laterais ajude a melhorar a empunhadura. Todo de plástico, o da tampa traseira e beiradas tem uma textura áspera que ajuda a dar firmeza, ainda que isso sacrifique a estética – parece um negócio mais barato do que é de fato.

O Xperia E1 pesa 120g, o que é pouco. Na mão, parece muito pouco. A sensação é de que está faltando alguma coisa, talvez a bateria, o que explicaria a leveza além do confortável. Dá para removê-la sem maiores problemas, bem como espetar um cartão microSD de até 32 GB retirada a tampa, mas esse peso é com ele ligado e, obviamente, a bateria lá dentro.

O desenho desse smartphone é bastante conservador, a disposição das teclas segue o padrão recente da Sony e não existem surpresas. A grade do alto-falante traseiro é destacada, ainda que o local de onde sai o som mesmo seja uma área retangular menor.

A única coisa que foge do lugar comum é a presença de não um, mas dois LEDs. O de notificações fica no topo superior esquerdo, é pequenino e discreto. Outro, na borda inferior frontal, é acionado quando algum app em tela cheia da Sony, como o Walkman e o visualizador de fotos, é aberto. Ele é bem mais legal, e é estranho a Sony não tê-lo adotado como LED principal. Talvez para economizar bateria?

Este LED não é o de notificações.
Foto: Rodrigo Ghedin.

A abordagem pé no chão continua no software. A Xperia UI se faz presente mais uma vez e, como já disse em outras oportunidades aqui, apesar das falhas ela tem mais acertos do que erros.

Rolaram algumas adaptações para as limitações técnicas do Xperia E1, como a remoção dos apps flutuantes acessíveis a partir da tela de multitarefa, mas tudo o que se aplica levando em conta as restrições do hardware está disponível: os atalhos rápidos da cortina de notificações, os apps exclusivos para consumo/compra de conteúdo multimídia, temas, otimizações de áudio e (poucos) mini-apps da câmera.

A maturidade da Xperia UI chama a atenção. Ainda não usei um Android da Sony por períodos muito longos (leia-se qualquer tempo acima de dois meses); comparando essas mexidas com as de outras empresas nos prazos relativamente apertados que tenho para avaliar smartphones, as da Sony se sobressaem positivamente. Não supera o Android purista da linha Nexus e dos últimos aparelhos da Motorola, mas se for para modificar, que seja assim: com adições pouco intrusivas e realmente úteis no dia a dia.

Câmera

A câmera do Xperia E1 é a mesma do Xperia E.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Não preciso me alongar muito nesse ponto porque, como dito lá em cima, a câmera do Xperia E1 é a mesma do modelo anterior. Ela segue com foco fixo, resolução de 3,15 mega pixels e filmagem em WVGA (800×600). E, como é de se esperar em smartphones de entrada, cheia de ruídos e com definição baixíssimas. É o tipo de câmera que serve para flagrantes da vida, mas que lá na frente você se arrependerá de ter usado em momentos importantes.

Não dá para contar com o Xperia E1 na hora de fazer fotos, nem mesmo se forem apenas para redes sociais. A qualidade das imagens é baixa e nem uma pós-produção caprichada consegue amenizar as fraquezas dessa câmera. Como quase sempre imagens falam mais que palavras, e esse é um dos casos, alguns exemplos feitos com o Xperia E1 (no vídeo review, lá em cima, tem uma tomada em vídeo):

Falta definição.
A falta de definição é gritante nesta foto.
Exemplo de foto feita com o Xperia E1.
Cores um tanto lavadas.

Aqui tem uma galeria com essas e outras fotos em resolução natural.

Simples, honesto, direto

Xperia E1 no detalhe.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Xperia E1 começou a ser vendido no Brasil em abril. Ele está disponível em três cores (preto, branco e roxo), e em três versões: uma simples, com apenas um SIM card; outra, a testada aqui no Manual do Usuário, com suporte a dois SIM cards; e uma terceira, com dois SIM cards e receptor para TV digital. Preços? R$ 449, R$ 549 e R$ 599, respectivamente.

Pelo que cobra e pelo que entrega, é um aparelho bem bom. Geralmente, a faixa abaixo dos R$ 500 é tomada por modelos que, se não decepcionam como um todo, sempre trazem um ou outro aspecto que beira o inaceitável. Com o Xperia E1, isso não rola. Poderia ter mais RAM, e a câmera poderia ser melhor, mas de qualquer forma ele supera as expectativas. Para quem está em busca de um smartphone quebra-galho barato ou quer ter um Android que não dê nos nervos, é uma boa recomendação.

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[Review] Galaxy Note Pro 12, o maior tablet da Samsung

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15/7/14, 15h50 11 min 10 comentários

Olhando de longe, tablets parecem smartphones esticados. Essa era uma crítica recorrente quando o iPad surgiu e, não fossem as adaptações no software, seria uma correta. Se o tamanho maior da tela é o que justifica a existência dos tablets e o que fascina tanta gente, por que não apostar em telas ainda maiores? Provavelmente esse pensamento passou pela cabeça do engenheiro ou executivo que propôs o Galaxy Note Pro 12 na sala de reuniões da Samsung.

Dentro da infindável linha Galaxy existem algumas ramificações. “Neo”, por exemplo, indica produtos levemente inferiores. “Duos”, com suporte a dois SIM cards. O termo “Note” informa de pronto ao consumidor que uma stylus acompanha vem no pacote, seja ele tablet ou smartphone. Assim, o Galaxy Note Pro 12 é um tablet de 12,2 polegadas com uma canetinha grudada, a S Pen, e que tem como alvo clientes corporativos, gente que usa tablets para trabalhar, para produtividade.

Nada impede que eu ou você compremos um Galaxy Note Pro 12 para assistir Netflix e fazer desenhos no SketchBook. Afinal, são 12,2 incríveis polegadas! Mas mais é melhor? Ou há contratempos nessa vastidão de tela? É o que descobriremos agora. Continuar lendo [Review] Galaxy Note Pro 12, o maior tablet da Samsung