Resultado do desafio ou mulheres & tecnologia

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13/7/17, 22h57 13 min Comente

Cobrir tecnologia e ser mulher não é tarefa fácil. Não só porque historicamente o assunto interessa mais a homens do que a mulheres — isso já mudou bastante, felizmente –, mas porque essa ausência de mulheres escrevendo sobre, lendo e comentando o assunto na internet ou nas mesas de bares passa a impressão errada de que mulheres não gostam de tecnologia. Gostamos, sim, e muito. Mas talvez não da mesma forma que a maioria dos homens e menos ainda da maneira como os homens imaginam, apenas se interessando pelo cor do rosa do iPhone ou pelos apps de embelezamento.

Foi por isso e por outros motivos que propus esse desafio. E por um acaso do destino, afinal, os jurados Samir Salim Jr. e Natasha Madov não sabiam o nome nem o gênero de quem escreveu os textos, a vencedora foi uma mulher: Cecília — a única participante o sexo feminino, aliás. Como sempre, recebemos relatos tão incríveis que todos merecem ser publicados e compartilhados com essa comunidade tão interessada e interessante. Vamos a eles! Antes, a vencedora.

A mulher e a tecnologia por Cecília Fialho

A mulher em questão é minha tia, que na terceira idade descobriu ser soropositivo. Ela é uma pessoa curiosa e muito interessada em novos gadgets e tendências entre os jovens — talvez usando desse fator para se sentir mais próxima dos sobrinhos adolescentes e young adults. Ela é a única entre 9 irmãos que não tem filhos.

Quando recebeu o diagnóstico, e passada a fase de confusão mental e desespero inicial, ela resolveu acessar essa curiosidade e o pouco que sabe sobre inovações tecnológicas direcionadas a pacientes médicos para estabelecer uma assistência virtual paralela ao acompanhamento de seu clínico geral.

Foi então que minha irmã a apresentou o Medisafe, um app que a auxilia na agenda de ingestão de remédios, dosagens e a ensina alguns check-ups simples para fazer em casa.

Deu muito certo.

Ela se habituou a dividir as responsabilidades do tratamento com a plataforma virtual e, desde então, direcionou sua curiosidade e interesse pela tecnologia para a descoberta de diferentes mecanismos que auxiliam soropositivos e outros tipos de pacientes no acompanhamento de suas doenças.

Minha tia descobriu, e isso foi muito significativo considerando sua idade e geração, que a tecnologia, principalmente via recursos como um computador ou celular, pode ser grande aliada na manutenção de sua saúde, que os registros são confiáveis e uma maneira muito fácil e segura de dividir seu dia a dia e a evolução de sua doença com os médicos.

Ela agora estuda novos gadgets e plataformas online capazes de ajudar outros parentes da família que são hipertensos e diabéticos. O mote dela é usar a tecnologia como meio de acessar a doença fugindo dos diagnósticos complicados, gerar uma ferramenta ou um recurso que lhe traz segurança e lhe ajuda a se sentir melhor.
Ela está bem feliz e a gente também.

A mulher e a tecnologia, por Bruno Cavalcante

Para os propósitos do desafio, a mulher presente na minha vida é minha namorada. Ela se chama Juliana, tem 23 anos, e é estudante de psicologia.

Ela não é uma leitora assídua do MdU, mas volta e meia eu apresento a ela as matérias que acho que ela provavelmente vai se interessar. No caso, como estudante de psicologia, o assunto que ela mais se interessa é sobre as relação do uso da tecnologia com a mente humana. Mais especificamente, quais alterações o uso da tecnologia podem ocasionar em nós.

Então assuntos como que tipos de relações podem ser traçadas entre o uso do smartphone e a depressão, utilização de redes sociais relacionado ao sistema de recompensa e ao ego, e por aí vai. E o porque acho que já está bem claro. Como alguém que gosta muito de psicologia e convive diariamente com tecnologia, nada mais natural do que se interessar por esses temas.

A mulher e a tecnologia por Carlos Gabriel Arpini

Minha análise vai fugir um pouco da regra por que a investigação foi feita basicamente por meio de observações. A pessoa objeto de análise não foi muito prolixa quando questionada quais assuntos da tecnologia mais a interessa. Mas a falta de interesse nas respostas é justificada, afinal ela tem só 4 anos e a Netflix não para. É a Maria Eduarda, minha filha.

Primeiro, como ela cresceu em um ambiente altamente tecnológico — usa o iPad desde que aprendeu a mexer os dedinho com alguma coordenação — e tem pai e mãe imersos em tecnologia, o processo de dependência é claro e óbvio. Ela se interessa basicamente por tudo que é digital e nada remotamente analógico. Acho que tenho a única filha que não curte nem um pouco álbuns de figurinhas. Em compensação, desde os 3 anos ela “aprende” inglês em um app, já sabendo cores e números.

O uso no aprendizado é bastante interessante, mas também desafiador, pois as mesmas distrações as quais estamos submetidos, ela também está. O consumo de conteúdo é o que mais ocorre e plataformas como Netflix e YouTube Kids ajudam no processo, mas vários apps legais e interativos também são usados, sendo os da Fisher Price e da Lego campeões de audiência. Os educativos também tem papel fundamental nesse processo e o uso ocorre naturalmente. Outro bem legal é o Mini Zoo, com desenhos feitos a mão e os musicais, de teclado e bateria.

A comunicação com alguns amigos é feita com WhatsApp e FaceTime, com declarações de saudades e algumas mensagens de áudio trocadas, o que sempre rende muitas risadas. Apesar do uso do controle remoto da Apple TV já ser usual (ajuda o fato de que ao ser ligada já liga a TV e pula para a entrada HDMI certa) ela se perde nas idas e vindas de alguns aplicativos e sempre rola um “papaaaaaai” quando necessário. Jogos do Mario no Wii também são paixões herdadas do papai. Em casa, Mario Party é uma… errr… festa!

Outro uso interessante da tecnologia é a exploração do desconhecido, do sofá de casa. O app de mapa-múndi da National Geographic é sensacional e quando bem usado se torna ótimo para explicar a distância em que os padrinhos moram e que não dá para ir ao Parque da Mônica amanhã. Ah! Ela morre de vergonha de falar com os assistentes virtuais… e não pega táxi, pede um Uber.

O observado é que na tecnologia não há um assunto de interesse. É difícil falar da vida — até de uma criança de 4 anos — sem falar de tecnologia. Música, vídeos, transporte, educação, diversão, tudo hoje envolve tecnologia e, sem esse suporte, boa parte dessas atividades seriam diferentes ou até inexistentes. Para o bem e para o mal, temos o mundo na palma das (pequenas) mãos.

A mulher e a tecnologia por Daniel Dias

A mulher que vou apresentar a vocês é minha namorada Aline. Ela é administradora e tutora EAD. Mas sua paixão mesmo é a corrida. A Aline começou a correr há pouco mais de três anos e sempre sonhou em correr uma maratona, objetivo alcançado esse ano.

Bom, mas sem mais rodeios, vamos ao assunto que desperta interesse nela: tecnologia do esporte. No começo, como a maioria dos atletas amadores, o que a Aline gostava e costumava usar era seu smartphone e aplicativos de corrida. Com o passar do tempo e sua evolução nas corridas, os apps já não eram tão precisos e carregar o telefone nas corridas — cada vez mais longas — já estava desconfortável.

O que fez diferença mesmo foi utilizar um Garmin, relógio capaz de registrar tudo o que ela faz numa corrida (distância, frequência cardíaca, etc) e depois parear com o smartphone. Tenho certeza que o assunto que vai despertar interesse na Aline e em várias mulheres são artigos ligados à tecnologia e ao esporte. Assuntos que tragam novidades tecnológicas que possam auxiliar nas atividades físicas desempenhadas por mulheres, wearable, smartwatch, aplicativos, sites, blogs, enfim, tudo que possa efetivamente ajudá-las na prática do esporte que preferirem.

A mulher e a tecnologia por Leonardo G. de Souza

Vamos lá: conversei com a Maria Carolina, minha esposa (e leitora do MdU) e essa foi a resposta dela: “Sempre me interessei pelo mundo da tecnologia e, apesar das possibilidades da impressão 3D e da nanotecnologia estarem no meu top 3, um assunto que tem me intrigado ultimamente diz respeito às “assistentes” virtuais. Siri, Alexa, Cortana… Porque são todas mulheres? Enquanto que por um lado podemos ter aí uma intenção de representatividade, por outro me parece algo como que inserindo mulheres no bom e velho papel de secretária, não? Mas além disso, gostaria de saber o que (realmente) motivou seu surgimento. Será que existem só para agregar funcionalidades ou há um motivo obscuro, uma invasão de privacidade que estamos contentes em ignorar? Se elas estão sempre ouvindo e aprendendo, estaríamos alimentando um monstro? Uma inteligência artificial super conectada que tem tudo para fugir do nosso controle? O que acontece com toda esse big data? Por que/para que as corporações poderiam usar tamanha informação obtida de nosso dia-a-dia? E a influência delas sobre crianças que enxergam ali um papel materno? Dúvidas que podem soar um tanto conspiratórias de minha parte, mas me interessa justamente pelo pouco caso, pela falta de aprofundamento… Às vezes parece que essas assistentes surgiram da noite para o dia e nós, simplesmente, as introduzimos em nossas vidas sem qualquer preocupação e quase nenhuma informação, satisfeitos em apenas aceitar os Termos e Condições…”

A mulher e a tecnologia por Otávio Sousa

Me chamo Otávio e vou contar para vocês a ligação entre a tecnologia e a Lara, minha noiva. Ela é arquiteta e a parte da profissão que ela mais se identifica é a modelagem em 3D. Ela gosta muito de transformar as plantas dos projetos que foram feitas no Autocad em imagens tridimensionais. O resultado fica muito bom, quase como uma foto. As pessoas com quem ela trabalha elogiam muito a qualidade do serviço. Para os clientes, pessoas leigas, é ótimo, pois eles conseguem se transportar para sua nova casa, escritório, apartamento, loja, etc. Assim, fica mais fácil a comunicação entre o profissional da arquitetura e o destinatário do projeto.

Pelo que converso com ela, acredito que os temas que ela gostaria de saber mais são: a evolução dos softwares (Autocad, Revit, SketchUp etc), comparativos entre eles e, principalmente, o impacto que a inteligência artificial pode ter na sua profissão, pois as vezes noto que ela fica com receio de que o trabalho que ela atualmente desenvolve possa vir a ser feito por uma máquina.

Bom, é isso. Espero que tenha consigo captar bem a forma como a tecnologia se relaciona com a profissão da minha noiva e que esse meu relato seja de alguma forma útil para o Manual do Usuário.

A mulher e a tecnologia por Pablo Dinella

Confesso que eu não era assinante do MdU, apesar de em tempos em tempos estar sempre acessando para ver o que há de novo. E desde que bati o olho nesse desafio numa dessas visitas soube que eu tinha de participar. E cá estou!

Minha esposa, Karina, é arquiteta. Não se empolga com esses assuntos tanto quanto eu que sou programador, mas ela gosta de jogos e acaba vendo os vídeos do YouTube que eu vejo quando estamos próximos. E não foi difícil achar um assunto pelo qual ela tivesse interesse. Logo depois de ler o post eu virei e contei do desafio e ficamos pensando sobre que poderíamos falar, até que lembrei que o primo dela abriu uma empresa mapeamento geográfico com drones, o que é um assunto que tem muito a ver com o tema do desafio e a profissão dela.

Porém, apesar de ter tudo a ver com o trabalho dela, ela se interessou mais sobre os drones em si do que topografia com drones. Afinal, eu estou sempre assistindo Casey Neistat e outros youtubers que estão sempre mostrando o Phantom 4, Mavic Pro e agora o Spark (que é incrível), e é até capaz da minha esposa saber o nome deles só vendo. Alguns dias atrás vi um review do Spark e comentei com ela sobre tudo que ele fazia, e ela achou super legal também! (Quem sabe um dia a gente possa ter um, hehe).

Mas o melhor está por vir: recentemente vimos um jogo de realidade virtual (Gorn), e adivinha o que minha esposa falou depois de conversarmos sobre drones? “Seria legal se tivesse como sobrevoar um lugar com um drone e botar um prédio lá com realidade aumentada…”

Genial! Imagina voar o drone sobre uma região e filmar ou até mesmo ver em tempo real no app do celular um prédio desses feitos com SketchUp inserido no terreno. Seria muito mais legal (e talvez útil) que ver imagem estática feita no computador, além de permitir ver de diferentes ângulos e distâncias!

E, curiosamente, há poucos minutos eu vi um vídeo do Tecnoblog no Facebook sobre o ARKit anunciado na WWDC 2017, mostrando justamente o quê aos 39 segundos? Uma casa em tamanho real sobre um terreno! Agora é só usar um iPhone com um drone e pronto (imagino eu, e se for possível usar outro app que não o do drone em específico).

Enfim, este é o meu relato. Espero que gostem ;)

A mulher e a tecnologia por Wellington Albertini

Uma mulher presente em minha vida? Fácil! A mais linda e que hoje é a mais próxima da minha vida: minha esposa, melhor amiga e companheira de todas as horas: Débora Bruna. Me conquistou desde os seus 15 anos, nos casamos há 4 anos, tem formação técnica em farmácia e superior em pedagogia, além de tocar flauta transversal docemente. S2

Sobre qual assunto de tecnologia ela gostaria de ler e saber mais? Tem várias coisas, mas atualmente, por questões de trabalho, ela tem feito perguntas sobre novas profissões e especializações criadas pela tecnologia e como se preparar para a eliminação das várias profissões que a tecnologia e a automação trarão. Robôs vão tirar o emprego de todo mundo, como o pessoal vive dizendo no Twitter? Nossa geração precisará de um “novo pacto social” para lidar com isso, como disse o Zuckita Da Galera em seu discurso em Harvard?

Brincadeiras à parte, ela gostaria de saber como se preparar melhor para isso. Quais seriam as habilidades necessárias para não perder ou conquistar uma profissão do futuro? Existe alguma habilidade necessária ao futuro? Dá para aplicar às carreiras que ela já tem formação ou será preciso começar a estudar uma nova?

Obrigada a todos e todas!