Não, o Facebook não boicotou a Greve Geral

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28/4/17, 17h58 2 min Comente

Na tarde de quinta-feira (27), véspera da Greve Geral, surgiram rumores de que o Facebook estava excluindo o botão Compartilhar de postagens relativas a Greve Geral. Em posts de alguns amigos compartilhados apenas com amigos (os dois bonequinhos que aparecem ao lado da foto do usuário indicam essa configuração de privacidade) por vezes aparecia o botão de Compartilhar, por vezes não. Hum, estranho. Conversei com alguns amigos que repararam no mesmo problema, fiz testes com o Facebook de outras pessoas, mas a inconsistência persistia, especialmente na versão desktop. O que aqueles posts sem botão Compartilhar tinham que outros não tinham? No app para Android, não encontrei o mesmo problema: todos os posts só para amigos já não tinham o tal botão de Compartilhar.

Nessa sexta-feira (28), após verificar a mesma inconsistência que eu, a assessoria do Facebook retornou meu pedido de ajuda e disse que se trata de um aperfeiçoamento na plataforma que vem sendo feito desde o início de abril para que os posts compartilhados apenas com os seus amigos não possam ser compartilhados. Ou seja, se você quiser que as pessoas compartilhem seus posts terá que deixar ele público sim ou sim (o mundinho que aparece ao lado da foto indica que o post é público). Antes, até dava para compartilhar, alguns amigos em comuns viam, mas era muito comum aparecer aquele aviso de “anexo indisponível” quando ia para terceiros. Ou seja, praticamente um bug. A assessoria do Facebook garantiu que essa mudança vem sendo feita há quase um mês, em todo o mundo e para todo o mundo, e que deve ser concluída muito em breve. E que não tem relação com greve alguma, não.

Aqui está o posicionamento oficial do Facebook sobre a mudança no botão Compartilhar: “Nós respeitamos a privacidade das publicações das pessoas e estamos sempre procurando melhorar sua experiência no Facebook. Quando alguém faz uma publicação restrita a seus amigos, esses amigos não podem compartilhar esse conteúdo com outras pessoas. Por isso, lançamos uma experiência que deixa isso mais claro para todas as pessoas que estão usando o Facebook”.

Prevendo o futuro da notícia: a perspectiva de um diretor de tecnologia

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12/4/17, 18h12 12 min Comente

Nota da Editora: convidado recente do Guia Prático #113, Fabricio Vitorino está de volta ao Manual do Usuário para compartilhar conosco seus conhecimentos sobre jornalismo & tecnologia. E fica a sua dica: “Invista nos seus jornalistas, pois meu software pode ajudá-los a produzir mais”. 

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A vitória da Nokia (e da nostalgia) no MWC 2017

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2/3/17, 19h30 9 min 39 comentários

O calendário da tecnologia tem algumas constantes. O ano abre com a CES, em Las Vegas, e no mês seguinte acontece o Mobile World Congress, em Barcelona, onde a maioria das fabricantes de smartphones revela suas apostas para os meses seguintes. Em 2017, em vez de um celular super poderoso, foi um carente de recursos básicos em qualquer smartphone que roubou a cena. Em 2017, a nostalgia falou mais alto. Continuar lendo A vitória da Nokia (e da nostalgia) no MWC 2017

O Facebook está pedindo seu RG? Como lidar com essa situação

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28/10/13, 23h48 5 min 92 comentários

Atualização (4/9/2014): Se você chegou aqui por causa do “desafio do RG” que está rolando no Facebook, um aviso: o post abaixo não trata disso. E um pedido: tudo bem mostrar a foto 3×4, mas não divulgue outros dados do seu documento, nem por brincadeira. Isso pode acabar em problemas.


Imagine estar usando o Facebook quando, de repente, o site trava a sua conta e, para liberá-la, exige um documento oficial. Complô com a NSA? Parceria com o IBGE para fazer o próximo Censo? Nada disso: é apenas a verificação de identidade em ação.

Não sei a dimensão dessa onda de verificações, mas pelo menos nos meus círculos de amizades, ela atingiu bastante gente. Horas depois, porém, o Facebook informou por meio de um porta-voz que um erro motivou a disparada de verificações desnecessárias para uma pequena parte da base de usuários. Nesses casos, bastava esperar que a conta era reativada sem que fosse preciso fazer nada.

Ainda assim, o pedido de documento oficial é real e pode acontecer uma hora ou outra. Quando esse obstáculo surge, ele se apresenta da seguinte forma:

Facebook, para que você quer meu RG?

O Facebook pede um documento de identificação que “deve incluir seu nome, data de nascimento e foto”, sugerindo em seguida alguns aceitos, como RG, passaporte e CNH.

Por que isso? Devo me render ao sistema ou resistir e ir para o Google+? Calma, a situação é menos alarmante do que parece à primeira vista.

Por que o Facebook quer saber meu RG?

A primeira reação é de indignação, e é compreensível. A exigência de um documento oficial é exagerada, especialmente para quem não faz negócios no Facebook e está ali só pelo aspecto de rede social do serviço, pelo entretenimento. É seguro mandar essa cópia de documento para lá? Não sei, mas não é bem isso que é pedido.

Como se sabe, o Facebook exige o uso de nomes reais. A política nesse sentido é bem rígida por motivos claros — a veracidade das informações, ali dentro, é um ponto de venda da rede para anunciantes e um fator importante para os seus objetivos. Há indicações de sobra ressaltando esse cuidado, os termos de uso dizem explicitamente que é preciso ser honesto pelo menos nessas três informações:

“Os usuários do Facebook fornecem seus nomes e informações reais, e precisamos da sua ajuda para que isso continue assim.”

Na página inicial/de cadastro, uma caixa suspensa explica por que a exigência se estende à data de nascimento:

Fornecer sua data de nascimento ajuda a assegurar que você receba a experiência certa para sua faixa etária. Você pode optar por ocultar essa informação de sua linha do tempo mais tarde se desejar.

Embora essa abordagem focada em nomes, data de nascimento e documentos oficiais não seja muito antiga (o mais longe que cheguei foi a este post de 2010), desde o principio existia a preocupação de lidar com gente real, de carne, osso e número de identificação. Antes, porém, o mecanismo usado para esse controle era o email universitário.

Como dizer ao Facebook que você é você mesmo

Existe uma página de ajuda no Facebook para elucidar exclusivamente essa dúvida. Ali, o site diz que a forma mais simples de ter sua conta verificada é atrelando-a a um número de celular. Isso explica, talvez, por que não recebi esse pedido de documentação.

A minha conta está atrelada ao meu número e, pela autenticação em duas etapas que isso permite, recomendo que você faça o mesmo — basta ir nas configurações de mobilidade e ativar o recurso. A verificação é um efeito colateral que o poupará dessa dor de cabeça envolvendo RG e outros documentos. E não se preocupe, ocultar o número de todos os estranhos e até mesmo seus contatos é fácil.

Mas ok, você não fez a tempo e agora estão te pedindo um documento. O que fazer? Envie-o, mas tome precauções antes. Mesmo com a promessa de que as fotos são destruídas após a verificação ser concluída, nunca se sabe. E é um mandamento básico não compartilhar seus dados pessoais com qualquer um, certo? Muito menos o Facebook.

A própria rede social pede para que toda informação que não as três exigidas (nome completo, data de nascimento e foto) seja ocultada. Use o Photoshop, o Paint, qualquer editor simples para ocultar informações mais sensíveis. Há até um modelo na já referida página de ajuda:

É assim que você deve mandar seu RG para o Facebook.
Imagem: Facebook/Reprodução.

Esta página traz algumas diretrizes sobre formato, tamanho e outros detalhes da foto.

Isso demora?

Pode demorar. Há relatos de gente que teve que esperar até nove dias para ter a conta restabelecida. Ouvi, ainda, pessoas falando em três dias, mas também outras dizendo que tiveram que esperar algumas horas apenas. Imagino que hoje a espera não tome tanto tempo, mas mesmo que seja o caso, aguarde.

Não faça outro perfil/conta, isso não adiantará muito. Ela também exigirá verificação e, além de se deparar novamente com esse problema cedo ou tarde, haverá ainda a agravante da duplicidade — o item 4.2 dos termos de uso diz que “você não deve criar mais de uma conta pessoal”.

É chato esperar? Imagino que sim. Mas é o preço que se paga, além dos anúncios na cara o dia todo, para usar o Facebook.