G Pad 7.0 V400 contra a luz.

[Review] G Pad 7.0 V400, o tablet mais simples (e barato) da LG

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29/10/14, 11h05 8 min 3 comentários

Todo novo iPad que a Apple anuncia se torna objeto de desejo por quem busca um bom tablet. A Samsung tem alguns diferenciais nos seus melhores modelos: o Galaxy Note Pro é praticamente um quadro para a canetinha bacana que vem junto, e o Galaxy Tab S, uma tela deslumbrante. A LG, por sua vez, aposta em custo-benefício e disso saiu com um dos melhores do Brasil, o G Pad 8.3. A Dell lançará em breve o surpreendente tablet mais fino do mundo.

Toda fabricante se esforça para, nos tiers superiores, oferecer o melhor da tecnologia atual a seus clientes. O único problema é que isso custo caro, precisa gerar lucro e, para fechar a conta, os preços passam longe de serem baratos. Como nem todos podem dar mais de dois salários mínimos em um tablet, a alternativa são os modelos simples que cabem em orçamentos apertados — se duvidar, até pagando à vista.

O G Pad 7.0 V400, da LG, é o membro mais barato da família de tablets da fabricante sul-coreana. Ele foi lançado no final de setembro com o preço sugerido de R$ 599. Hoje, já é encontrado por bem menos. Para quem busca um tablet para atividades simples, como navegação web e leitura, importa saber se a economia na compra cobra o preço durante o uso. Estive com uma unidade nas últimas semanas a fim de responder essa pergunta.

G Pad 7.0: definitivamente, um tablet de entrada

Comparativo de espessura com um iPad 2.
À esquerda, um iPad 2.

Quando se tem em mãos um gadget trabalhado em torno do custo, exigir acabamento de primeira é irreal. Assim, não esperava do G Pad 7.0 um definidor de mercados, ou algo de impressionar. Queria, apenas, um conjunto honesto.

Em grande parte ele bateu com essa expectativa. É um tablet pequeno, um pouco grosso, mas de construção firme. Mas algumas decisões que, creio, são contornáveis mesmo com recursos escassos, passaram batidas. São duas, em especial: os botões físicos e a textura do plástico da parte de trás.

Botões mal posicionados e ruins.

Os botões são lisos demais, mal posicionados e oferecem pouca resistência ao contato. Neste tamanho, é normal pegar o tablet com uma mão, como se faz com smartphones. Com o G Pad 7.0, tal gesto resulta em apertos não intencionais — ao menos no início; depois acostuma-se e o policiamento para mudar o jeito de pegá-lo vem naturalmente.

Atrás, na versão que testei, cor preta, a LG optou por um plástico fosco que não é bonito (e nem precisaria, não é o problema) e é… poroso? Ou pelo menos passa essa sensação. Não fiquei com os dedos manchados, mas a sensação era de que fosse acontecer. Não me lembro de outro tablet ou smartphone que tenha usado um plástico tão esquisito ao tato e… bem, o motivo é óbvio. É desagradável.

Tela quase boa.

A tela, com 7 polegadas e resolução de 1280×800, é boa. Ela se destaca em vários critérios, e o painel IPS da LG, presente até em dispositivos simples como esse, faz a diferença. Inexplicavelmente, ela escorrega levemente na definição. É estranho, já que a densidade de pixels (216 PPI) é próxima à de telas que não devem em nada nesse aspecto, como a dos modelos do iPad com tela Retina (264 PPI). Na prática, porém, o G Pad 7.0 mostra alguns ícones um pouco borrados e deixa textos menores praticamente ilegíveis. Fico imaginando como deve ser nas versões maiores do G Pad, de 8 e 10,1 polegadas, que mantêm os mesmos 1280×800 pixels.

Na parte sonora, não se iluda com os furos dos dois lados na parte de trás. A saída de som é mono. A câmera, como você deve ter suspeitado, é bem ruim. Tem 3,15 mega pixels, filma em HD (720p) e a capacidade de acrescentar ruído e destruir a definição de imagens em todos os cenários imagináveis. Detalhe legal e inesperado: existe, também, uma câmera frontal. (Veja mais fotos neste álbum no Flickr.)

Foto feita com o tablet G Pad 7.0.
Mesmo redimensionada a degradação na qualidade da imagem é evidente.

O G Pad 7.0 vem com um SoC Snapdragon 400, composto por um processador Cortex-A7 quad-core de 1,2 GHz e a GPU Adreno 305, combinado com 1 GB de RAM. É a mesma configuração visto em smartphones como o Moto G, e por isso me espantou os engasgos em cenários não tão complexos.

Usando o Feedly e o Chrome, por vezes páginas web comuns, como um review do Manual do Usuário, estressaram o tablet a ponto de eu ter que forçar o fechamento dos apps. Em uma ocasião, tive que recorrer ao hard reset para sair de uma tela travada. Sites podem ser complexos, pesados e darem trabalho até a hardware de ponta, mas esses desvios não são muito frequentes, ou não deveriam ser.

O G Pad 7.0 não chega a ser ruim. Ele lida bem com alguns jogos mais pesados e tem desempenho ok na maior parte do tempo. Mas em momentos pontuais ele te deixa na mão. Talvez seja o preço a ser pago pela economia na hora da compra.

8 GB + o espaço do microSD.

As duas últimas características, autonomia da bateria e espaço interno, são razoáveis. A bateria durou bastante, ainda que com o brilho sempre no médio — falta ao G Pad 7.0 um sensor de luminosidade para ajustar automaticamente essa importante configuração. E o espaço interno, embora restrito (8 GB, com 3,9 GB, ou menos da metade destinado ao usuário), pode ser expandido com um cartão microSD de até 64 GB. A exemplo da maioria (ou todos?) os tablets, este também não tem a tampa de trás removível, então a LG colocou o slot no topo do aparelho.

A interface do G3 em um tablet barato

O Android é o mesmo do G3.

A LG entrega essa nova linha de tablets já com Android 4.4 e com a nova camada de software que estreou no G3. Como já disse em outras ocasiões, ela é um avanço perto da antiga Optimus UI: mais elegante e com toques de usabilidade espertos, como os dois toques na tela para (des)ligá-la e a personalização dos botões de navegação do Android, até a quantidade maciça de recursos parece menor e mais coerente dada a forma como as configurações são apresentadas.

Se no G3 as minhas ressalvas foram poucas, aqui é de se questionar até que ponto a profunda interferência da LG afetou o desempenho do G Pad 7.0. Estamos falando de uma configuração mais fraca, logo mais sensível a software não otimizado. Não dá para cravar que essa seja a origem do gargalo em desempenho, mas fica a desconfiança.

O G Pad 7.0 vale a pena?

Site exibido no Chrome do G Pad 7.0.

Depende. Pelo preço cheio, não. O G Pad 8.3, da própria LG, vez ou outra aparece abaixo dos R$ 599 sugeridos ao modelo menor e é um tablet muito superior. Com apenas dois meses à venda, o G Pad 7.0 já ganhou descontos bem grandes que o levaram para baixo dos R$ 400. E aí, nesse patamar, ele faz sentido.

O problema é que a concorrência é pesada. Lenovo, Samsung, HP e players nacionais, como a Philco, oferecem tablets nessa faixa de preço. Não testei eles, e não é o caso de dizer que são melhores que a oferta da LG, mas são alternativas equiparáveis, por vezes mais baratas e com nomes tão tradicionais quanto. Quando as opções são tão parecidas e o preço pesa, são detalhes que definem a compra — visual mais bonito, TV digital, histórico do cliente com a marca. Ou o que estiver à mão no momento da compra, talvez.

Aos que optarem pelo G Pad 7.0, tirando as ressalvas comentadas no texto a experiência será legal. É um tablet simples e honesto, que funciona bem para atividades igualmente simples, ainda que tenha o temperamento um pouco sensível. Sabendo lidar com essas limitações, ele se torna uma boa segunda tela ou um equipamento de leitura decente.

Compre o G Pad 7.0.

Compre o G Pad 7.0 V400

Comprando pelos links acima o preço não muda e o Manual do Usuário ganha uma pequena comissão sobre a venda para continuar funcionando. Obrigado!

Todas as fotos por Rodrigo Ghedin, salvo quando especificado.

  • Glauber Silva

    Eu tenho um Galaxy Tab 4 7.0 comprado numa promoção meses atrás por menos de 600 reais. Apesar das tranqueiras que a Samsung enfia em seus aparelhos, acho ele com custo-benefício excelente!

  • Maucartola

    Não concordei na parte da bateria, usando para jogos, aplicações, direto, aguenta umas 6 horas de tela tranquilamente, um canhão, se for ver o preço dele.
    A pegada dele é boa, não achei ruim, da até mesmo para ser segurado com uma mão só (e olha que minha mão é pequena).
    O sistema aqui, pelo menos, não travou em nenhum momento, o chrome funcionou normalmente como o esperado.
    Em duas semanas de uso, não precisei de nenhum hard reset também.. estranho.
    Até o momento, contrariando a sua opinião, o tablet não me deixou na mão ainda, eu to gostando bastante, paguei 380 reais na americanas. Não há nenhum outro tablet melhor por esse preço à altura dele, penso eu.

  • Pablo Pietro

    Sinceramente discordo de seu review, já estou usando o gpad por mais de duas semanas, não tive force close com nenhum app, bateria tem durado satisfatoriamente, me pareceu que antes mesmo do seu review já tinha uma opinião negativa ao tablet…pelo preço, creio não haver nada melhor no mercado. LG foi bem justa com a promessa dele, cumpre bem.