Acompanhe ao vivo a gravação do podcast do Manual do Usuário

Por
10/7/14, 10h35 1 min Comente

Duas boas notícias, pessoal. A primeira é que após um breve hiato o nosso podcast voltará! A outra, é que agora será possível acompanhar a gravação ao vivo, mandar perguntas, interagir durante o papo.

A gravação do primeiro podcast do nosso retorno será hoje (10/7), às 21h40. Para acompanhá-la, é preciso ser assinante o Manual do Usuário — e esse é apenas um dos benefícios, além de viabilizar o funcionamento disso tudo aqui.

Nos vemos lá!

A maldição das pessoas inteligentes

Da startup que cobrava US$ 15 por US$ 10 em moedas para a lavanderia ao Facebook e seu experimento que fazia as pessoas se sentirem miseráveis “pela ciência”, não são poucos os exemplos de desconexão da realidade saídos do Vale do Silício. Por que falta tanta sensibilidade em quem faz os gadgets, apps e a Internet que o mundo inteiro usa e adora?

Uma das culpadas é a obsessão por números, pela lógica. Para que computadores consigam entender seres humanos, precisamos ser reduzidos a números. No processo de “conversão”, claro, muitas nuances, particularidades, poréns e outros aspectos mais específicos são reformatados, simplificados. Esse assunto é fascinante e o melhor texto que já li a respeito foi este, de David Auerbach.

Mas não é só isso, afinal por mais que números e o reducionismo que aplicam existam, eles não brotam da terra. Alguém os criam, alguém semelhante a nós. Pessoas.

Recentemente Avery Pennarun, um engenheiro do Google, descreveu o que considera esse outro culpado: o excesso de confiança e de sucesso de quem atua nessa indústria. O argumento parece ilógico e é justamente por isso que chama a atenção e tem sentido. Segundo Pennarun, pessoas racionalmente inteligentes, capazes de argumentar e provar todas as suas teorias, acabam perdendo o tato, ignorando a intuição. Provas lógicas de inteligência nem sempre encerram discussões ou são a solução para um problema.

Reviews ao vivo: mais um motivo para assinar o Manual do Usuário

Por
7/6/14, 17h22 3 min 1 comentário

Uma lente.
Foto: David Zeuthen/Flickr.

A assinatura do Manual do Usuário custa R$ 14 por mês. Foi uma forma que encontrei de ajudar a manter as coisas por aqui, incluindo eu que preciso comer, pagar o aluguel e me vestir, como todo ser humano, sem ter que recorrer a anúncios apelativos, que poluem o visual, deixam o site mais lento e avacalham sua privacidade. Alguns leitores já assinam o site, o que é bem legal!

O maior motivo para assinar o site é garantir a sua continuidade, mas quem se compromete com essa colaboração mensal ganha alguns benefícios também: um grupo fechado no Facebook onde rolam discussões construtivas e informações antecipadas do que acontece aqui; o direito a ter dúvidas respondidas por mim (se nunca respondi a sua dúvida, leitor não-assinante, eis o motivo); e eventuais promoções, descontos e brindes (nisso ainda estou devendo).

Estou sempre tentando trazer mais benefícios aos assinantes, e nesta semana um novo estreará: os reviews ao vivo. Na véspera da publicação de um review haverá uma vídeo conferência em grupo para mostrar o gadget, tirar dúvidas e jogar conversa fora sobre tecnologia. Eles serão agendados antecipadamente e disponibilizados depois, tudo isso apenas para assinantes.

Dia desses fizemos um teste de viabilidade. Veja como foi:

A iluminação ficou devendo, e faltou a caixa de diálogo, problemas técnicos que foram sanados. Também me orientaram a fazer a barba, mas esse requerimento ainda está em análise :-)

O primeiro review ao vivo será do Chromebook da Samsung, nesta terça-feira (10/06), às 19h. Para assistir, assine o Manual do Usuário. E se tiver alguma dúvida sobre isso, os comentários abaixo e o formulário de contato estão aí para saná-la.

Novas vozes no podcast, que entra em férias

O semestre letivo está acabando ou já acabou, quinta-feira começa a Copa e… bem, é hora de puxar o freio de mão e descansar: o podcast ficará em stand by até o começo de julho.

E, aproveitando o assunto, um aviso aos desatentos. Recentemente o Manual do Usuário ganhou novas caras, digo, vozes no podcast. Entraram para o quadro fixo de membros Alexandre Roldão, da Globo News e do Lab Mídia; Henrique Martin, do ZTOP; e Matheus Bonela, criador de caos no Twitter. Cada programa continua com três apresentadores, ou seja, nós seis (Paulo e Joel continuam no barco!) faremos rodízio, o que transforma o podcast em uma espécie de coletivo.

O podcast é a única parte do site que para em junho. As áreas restantes, do Recorte aos reviews, passando por notícias comentadas e textos especiais, continuam a pleno vapor. Na Rádio UEM, que veicula o podcast toda terça, à meia noite, faremos reprises dos melhores episódios do semestre — alguns nunca foram ao ar pela rádio.

 

Com quantos pixels se faz uma boa tela? Para a LG e seu G3, com muitos

Por
28/5/14, 10h42 6 min 5 comentários

Ontem a LG apresentou o G3 em Londres, a nova versão do seu smartphone topo de linha. Não é de agora que as fabricantes que usam Android promovem saltos em especificações a cada geração dos seus aparelhos, mas em um ano sem grandes novidades no principal concorrente, o Galaxy S5 da Samsung, a LG aproveitou a brecha para empurrar os limites da tecnologia móvel mais para cima. Nesse contexto e ante o que foi mostrado, talvez seja de bom tom perguntar: toda essa tecnologia é desejável ou mesmo vantajosa para o usuário?

Quantos pixels você tem, tela do G3!

G3, novo smartphone topo de linha da LG.
Foto: LG.

Pode soar “neoludista” ou mesmo desdenhoso, mas o questionamento recai, principalmente, na tela do novo G3. Ela tem 5,5 polegadas, tamanho que anula quaisquer distinções que ainda pudessem existir entre “smartphones convencionais” e phablets. Aliás, enterremos o nome “phablet”; ele não faz mais sentido.

Não é bem o tamanho físico que emana preocupações. Por maior que seja a tela, ela aproveita bem a área frontal do G3, ocupando 76,4% dela. O smartphone é grande, claro, mas parece que a mágica da Motorola com o Moto X, capaz de tornar um aparelho com tela de 4,7 polegadas bastante “segurável”, foi replicada pela LG. Quem esteve no evento e testou o G3 diz que ele é confortável e parece “menos ridículo” do que os números poderia fazer pensar, mais leve, menor e confortável do que se imaginaria apenas lendo as especificações. E vamos enfrentar os fatos: com smartphones de 6 polegadas, a LG ainda está dentro da margem segura de celulares gigantescos que as pessoas ainda compram.

Nas 5,5 polegadas da tela do G3 a LG espalhou 2560×1440 pixels, resolução QuadHD, chegando a uma densidade incomum de incríveis 538 PPI (pixels por polegada, no inglês). Durante a apresentação, Ramchan Woo, chefe de planejamento de smartphones da LG, retificou uma das falas mais citadas de Steve Jobs nos últimos anos, a da tela Retina. Segundo o falecido co-fundador da Apple, o olho humano é incapaz de perceber diferença em telas com mais 300 PPI. Para Woo, o El Dorado da resolução está em colocar 300 linhas de pixels por polegada, e para chegar a tanto é preciso dobrar a densidade.

As telas Full HD do ano passado em tamanhos menores, chegando a ~450 PPI, penderam mais para o posicionamento de Jobs. Mas será que indo além, mais pixels farão diferença?

Comparativo microscópico da tela QuadHD do G3 com outras.
A tela do G3, no microscópio. Foto: GigaOm.

É difícil dizer sem ver. Nos hands-on já publicados, os jornalistas foram cautelosos. Elogios de sobra à tela, uma área onde a LG tem mandado bem há anos, mas nada específico ou particularmente entusiasmado relacionado à resolução. Essas impressões iniciais meio que adiantam a resposta à pergunta acima: provavelmente não. E nem entraram no mérito, por falta de tempo mesmo, de eventuais impactos à autonomia que uma resolução quatro vezes maior que o HD pode causar.

De qualquer forma, reservo-me para tecer comentários mais incisivos sobre o tema quando colocar minhas mãos em um G3 — ou meus olhos, para ser mais exato.

Novo G3 traz Android mais limpo.
Foto: LG.

G3: software mais simples, câmera com laser

Em outra área a LG também dobrou a aposta em busca de satisfazer o potencial futuro comprador do G3: software. Ela consolida os motes que, segundo a empresa, guiaram o desenvolvimento do novo smartphone: “Simples é o novo esperto” e “Aprendendo com você”.

É crítica constante aqui o excesso de interferências que as fabricantes fazem no Android. Os aparelhos da LG disputam com os da Samsung a liderança no segmento destruição de interfaces, com modificações estéticas de gosto bem duvidoso, configurações esquisitas e outras que, apesar de bem pensadas, vêm inexplicavelmente desativadas por padrão.

No G3, a LG parece ter contornado alguns desses problemas. O visual está “flat” e, pelas fotos e vídeos, menos horrendo que nos smartphones da empresa de 2013. Quanto às configurações, o aparente temor em confundir o usuário foi deixado de lado. O novo app da câmera seja o que talvez melhor representa essa nova mentalidade: com uma interface absolutamente enxuta, ela traz apenas dois botões discretos e transforma todo o viewfinder em disparador. Confiança no taco, era isso o que faltava!

Novo app de câmera do G3 é bem simples.
Câmera simplificada. Foto: The Verge.

Embora eu prefira experiências mais limpas, alguns recursos trazidos pelas fabricantes são de fato úteis. No caso da LG, o KnockOn/Knock Code, que libera o smartphone com dois toques na tela, os apps flutuantes, o de controle remoto para TV e outros aparelhos domésticos… A lista cresce e com ela cresce também o apelo da experiência original junto a usuários mais experientes. Já vi gente que discute em fóruns e comentários de blog de tecnologia, esse espécime difícil de agradar, dizendo preferir a ROM da LG a fazer root e instalar o CyanogenMod, graças aos mimos exclusivos. O G3 traz alguns novos, como o Smart Notice, um assistente do aparelho que indica apps que não estão sendo usados e dá outras dicas, e um teclado com altura personalizável.

É nesse sentido, investindo pesadamente em diferenciais, que a LG e outras fabricantes podem ganhar o amor dos usuários e se distanciarem do estigma de bloatware que impregna o Android desde sempre. O veneno que consumia a reputação delas pode, em doses cavalares, acabar sendo o antídoto para curar a desconfiança do público. Como bônus, o G3 traz recursos meio abandonados nas safras recentes de smartphones de ponta, mas apreciados: slot para cartão microSD e bateria removível.

Disponível em cinco cores, o sucessor do bem recebido G2 deve, de qualquer forma, chamar a atenção positivamente quando for lançado. A recepção morna do Galaxy S5 deu espaço para a LG em 2014 e ela está sabendo aproveitar o momento: de pequenos vazamentos controlados a números enormes, ainda que não seja lá tudo aquilo na prática, só pelo barulho que está fazendo já dá para considerar o G3 uma pequena vitória na intrincada guerra dos smartphones.

Preço e disponibilidade

Na Coreia do Sul, lar da LG, o G3 começa a ser vendido hoje. Nos demais países chega em junho, ancorado por 170 operadoras. Ainda não há data especificada, nem preço, para o Brasil, mas em breve a subsidiária local da LG deve anunciar esses e outros detalhes.

Apresentando a seção Recorte: as notícias mais importantes do dia, todo dia

Por
13/5/14, 8h20 2 min 4 comentários

Começa hoje uma série permanente de posts diários, sempre nas manhãs de terça a sábado, no Manual do Usuário. Batizada de Recorte, ela é mais uma tentativa de cumprir a missão principal do blog: manter você, leitor, informado sobre o que acontece de mais relevante no mundo da tecnologia.

No final de 2013 disse que tornar isso realidade seria a principal meta para esse ano. Tentei com a newsletter, funcionou em parte. O problema é que ela é semanal e nesse meio tempo muita coisa acontece. Tem também o espaço, já que a newsletter não pode, para mim, ser muito longa — e mesmo com essa ideia na cabeça ela geralmente equipara-se aos tempos publicados aqui no blog em comprimento.

Na seção Recorte, farei um recorte (!) do noticiário de tecnologia. Toda manhã, de terça a sábado, você terá consolidado em um texto as notícias mais importantes do dia anterior, com links para a fonte oficial e/ou a mais bem redigida. Eventualmente, como na edição de hoje, artigos e vídeos com curiosidades poderão entrar — depende do volume de coisas boas que aparecer na web e do tempo, esse item tão escasso.

A nova seção também vai de encontro com o pedido mais recorrente na pesquisa com os leitores que fiz mês passado: ter mais conteúdo. A linha editorial segue intacta, ou seja, de três a cinco posts por semana; o Recorte vem para acrescentar e garantir pelo menos um post por dia aqui. Espero que gostem e acompanhem!

 

[Ofertas #1] Kindle e Kobo com descontos saborosos

Por
25/4/14, 8h42 3 min 8 comentários

Carrinhos de compras à noite.
Foto: KayVee.INC/Flickr.

A missão do Manual do Usuário é filtrar o noticiário de tecnologia e levar ao leitor apenas o que realmente interessa, e isso também se aplica na hora de ir às compras. Não é raro eu receber pedidos de indicação de aparelhos e lojas, vindos de leitores e amigos próximos quando estão em busca de um novo gadget.

Unindo o útil ao agradável, a partir de hoje teremos a seção Ofertas no blog: toda sexta, um post com os melhores descontos das principais lojas do varejo nacional.

Alguns links têm código de referência, o que garante uma pequena comissão para o Manual do Usuário sem alterar o preço para o cliente. É uma das frentes a que recorro para manter o blog no ar.

Versões básicas do Kindle e Kobo

Kindle básico.
Foto: Rodrigo Ghedin.

A versão básica do Kindle está com um desconto generoso, de ~33%, em todas as lojas autorizadas. É um produto básico, de uma categoria em que ser básico ou avançado não altera muito a experiência de uso — escrevi um review dele no Gizmodo.

  • Kindle, Wi-Fi, tela de 6″. De R$ 299 por R$ 199

Outro Kindle, o Paperwhite 3G, também está saindo mais barato. O problema é que se trata da primeira geração, e não a segunda, disponível no Brasil apenas com Wi-Fi e analisada aqui no blog. Se 3G for imprescindível, é uma boa.

O concorrente direto do Kindle, o Kobo Touch, também está saindo com desconto Livraria Cultura. A vantagem em relação ao Kindle de mesma categoria é a tela sensível a toques e o suporte a ePUB, formato mais disseminado e usado por praticamente todas as lojas fora a Amazon.

  • Kobo Touch, Wi-Fi, tela de 6″ sensível a toques. De R$ 399 por R$ 299

Smartphones

 Vídeo

Notebooks e tablets

Acessórios

Apps

  • Cerberus, sistema anti-furto para Android. De ~R$ 9,20, de graça pelas próximas horas.

Livros

Se você sentiu falta de alguma promoção, os comentários estão aí (também) para isso!

Quem é você, leitor?

Por
4/4/14, 13h03 1 min Comente

Multidão para o Global Day of Prayer, em West Ham, Inglaterra.
Foto: H/Flickr.

Quase todo site realiza pesquisas periódicas para conhecer melhor o público, com o Manual do Usuário não seria diferente. É uma necessidade para o braço comercial, aquele que permite às coisas continuarem funcionando de maneira sustentável, e de quebra acaba respingando no editorial também, dando apontamentos importantes para quem escreve (eu, no caso).

A primeira pesquisa do tipo no Manual do Usuário é rápida e praticamente indolor. Sete perguntas, todas as obrigatórias de múltipla escolha, e você não precisa se identificar. Responda ai, é importante:

A pesquisa terminou em 10 de abril, às 8h. Obrigado a todos que responderam!

Se tiver alguma dúvida, os comentários estão abertos.

O novo visual do Manual do Usuário

Por
3/1/14, 18h25 1 min

Deixei as outras novidades do Manual do Usuário para fevereiro a fim de colocar logo no ar o novo layout do blog. E aí, gostou?

Ele é responsivo, o que significa que se adapta automaticamente às telas menores de tablets e smartphones. É nas grandonas, porém, que o layout brilha — dê uma olhada no review do Moto X, já adaptado. Dá para colocar fotos enormes no meio do texto, vídeos, preencher as laterais com gráficos e imagens menores… Fica lindo.

Alguns detalhes precisam ser arrumados, como o “Responses”/”Comments” não traduzido, mas o grosso está pronto. Se flagrar alguma coisa fora do lugar, deixe um comentário aí embaixo.

E não ache que isso é tudo. Tem mais coisa boa a caminho. 2014 será divertido.

O que esperar da tecnologia (e do Manual do Usuário) em 2014

Por
30/12/13, 13h45 6 min 16 comentários

Embora não tenha colocado nenhum rótulo ou outro indicador aqui, o Manual do Usuário ainda está se encontrando. Achar esse norte não é fácil, acredite. O ano prestes a acabar poderá ser visto, no futuro, como o ponto de transição na forma com que encaramos a Internet e o oceano de informação que despejamos nela diariamente. O Manual é um pequeno exercício nesse sentido.

O stream de informações atingiu seu ápice em 2013. O agora, o eternamente em construção, o falar de tudo e o não querer perder nada. Na bela coluna em que observa e discute esse fenômeno, Alexis Madrigal diz acreditar que em breve as pessoas cairão na real e pedirão a volta de conteúdo estruturado, atemporal, duradouro.

Será? As manchetes forçadas do Upworthy e as infinitas listas de temas óbvios do Buzzfeed lotando linhas do tempo e feeds de notícias permeadas por reclamações e reclamações de reclamações colocam essa esperança contra a parede. O que a salva é que a Internet é um lugar bem grande. Da mesma forma que o conteúdo apagável começa a ser seriamente considerado, o duradouro também pode fazer seu retorno triunfal. Já vem fazendo, na realidade, com features, longform e o Slow Web em alta. Em 2014 haverá mais diversidade no que passa pelo stream — e mais vida fora dele.

Previsões, ou desejos para 2014

Em seu livro A Estrada do Futuro, Bill Gates resume a sinuca de bico que é fazer previsões:

“(…) Este livro pretende ser um livro sério, embora daqui a dez anos possa não parecê-lo. Tudo aquilo que eu tiver dito de certo será considerado óbvio. O que estiver errado será considerado cômico.”

Encare o que vem a seguir mais como desejos do que previsões — assim ganho o direito de errar sem ter dedos apontados lá na frente :-)

Nunca me agradou esse clima de torcida na tecnologia, ver o “seu” sistema ganhar dos outros, dar risada e se sentir genuinamente feliz com o tropeço de uma empresa. Menos disso ano que vem, por favor. Não dou bola para picuinhas do tipo aqui e fico feliz em ver que vocês, leitores, também não entram nessa pilha.

A passos incrementais, mas evoluindo sempre, a tecnologia segue firme como ditadora e distração da vida moderna. Se até ontem queríamos smartphones mais potentes e telas mais densas, o próximo passo é a computação contextual: sistemas que se antecipem às nossas vontades usando sinais secundários. Coisas que eram de ficção científica alguns anos atrás já fazem manchetes surpreendentes, como a do drone da Amazon, e o que era excitante até então se transforma em commodity. Nada de errado, porém, em ver o iPhone e o Galaxy S virarem lugar comum; os preços caem, o smartphone se populariza e mais gente ganha acesso a essas telinhas legais.

O afogamento na tecnologia me parece um caminho sem volta. A computação vestível e a Internet das coisas conectará tudo e todos. Não sei quando, mas acredito que em breve. Na mesma proporção virão as críticas sobre o excesso de tecnologia e sobre o excesso de produção de conteúdo. Encontrar o meio termo disso tudo será um dos grandes desafios nessa segunda metade da década.

Talvez um bom parâmetro para o momento seja o garotinho do comercial da Apple. Registrar bons momentos é legal, vê-los todos através de um celular, privando-se deles com a justificativa do relato, não. Já disse aqui que bom senso é relativo. Com as mudanças comportamentais que a tecnologia estimula, saber quando deixar o celular de lado será, mais do que um traço de bom senso (seja lá qual for a sua medida disso), uma habilidade valiosa e apreciável.

E quando estivermos com o celular na mão, vamos… pensar melhor no que publicar, no que opinar. Embora o Facebook nos pergunte incessantemente o que estamos pensando, não é preciso dizê-lo a todo momento, sobre todo e qualquer assunto. Lá, no Twitter, em qualquer lugar que nos incite a opinar usando um gadget, que pensemos (mesmo!) duas, três, várias vezes antes. Se vale a pena mesmo discutir e se a discussão é, no fim das contas, salutar.

Michel Laub clama por um guia que nos ensine como não falar sobre as amenidades da vida e as notícias do cotidiano:

“Algumas coisas são inegociáveis, claro, mas nem toda ponderação é sinônimo de relativismo covarde. Assim como nem toda omissão. Pierre Bayard escreveu um ensaio divertido chamado ‘Como Falar dos Livros que Não Lemos’ (Objetiva).

Gostaria que alguém escrevesse um com a tese oposta: como resistir em falar dos livros que lemos, dos filmes que vimos, do que aparece na TV ou do que comemos no almoço, e do trânsito e da poluição e da péssima qualidade dos serviços na cidade e assim por diante.”

Parece brincadeira. Se for, é uma amargamente verdadeira. Faz falta um guia desses.

Planos para o futuro

A premissa do Manual do Usuário, este pequeno espaço na Internet que gerencio, é abordar tecnologia e comportamento derivado dela com os dois pés no chão e uma boa dose de crítica. Não falar de tudo é parte do serviço que presto: a privação do ruído faz um bem enorme, permite que você se alimente mais com o que importa e deixe o banal de lado.

Essa curadoria às avessas será cada vez mais importante. Se antes o trabalho era garimpar conteúdo nas escassas pedreiras da Internet, hoje ele abunda de todos os lados e a maior dificuldade é peneirá-lo em busca do que faz a diferença. Daí a excepcional resposta de quem se aventura com newsletters: conteúdo com começo, meio e fim, ponto. As pessoas sentem falta disso e quando encontram essas pequenas pepitas de ouro em meio a tanto pedregulho, apreciam-nas.

Ainda estou em busca do ponto de equilíbrio para o Manual do Usuário. Fazendo uma análise de fim de ano, acho que nesses dois meses de vida do blog fui bastante rígido com a linha editorial do blog. Em 2014 devo publicar mais posts. Nem todos serão enormes como os que já foram ao ar, mas cada um deles será importante. Considere isso uma resolução de ano novo.

Encerro hoje os trabalhos no Manual do Usuário em 2013. Para o ano que vem, além desse refinamento na linha editorial o blog ganhará um novo layout (está ficando lindão!) e tentarei torná-lo sustentável de maneiras não muito… convencionais. Vocês participarão mais também, e acho que essa será a parte mais bacana.

Boas festas e nos vemos em 2014!

Imagem do topo: SpectralDesign/Flickr.