O novo app de Kevin Rose serve para compartilhar miniaturas de fotos e vídeos

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15/9/14, 9h00 2 min Comente

Algumas categorias de apps dão uma canseira antes mesmo de descobrirmos qualquer coisa além disso. “Compartilhar fotos”, “editar fotos” e “previsão do tempo”, por exemplo: são tantos, e a maioria mais do mesmo, que é preciso um diferencial forte para quebrar a barreira da indiferença e chamar a atenção dos possíveis usuários.

O Tiiny, novo app de Kevin Rose, o fundador do Digg, serve para compartilhar fotos e vídeos que somem depois de 24h. Ele empresa ideias do Snapchat, Instagram e Imgur, tem a mesma dinâmica batida de quase todas as redes sociais (seguir/ser seguido, curtidas, mais populares etc) e embora apresente um design original e agradável, não é isso o que mais chama a atenção. Continuar lendo O novo app de Kevin Rose serve para compartilhar miniaturas de fotos e vídeos

WhatsApp enfim permite silenciar grupos por mais de uma semana

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9/9/14, 8h48 1 min 5 comentários

Grupos do WhatsApp às vezes torram a paciência, então foi com um misto de surpresa e regojizo que notei, dia desses, a inclusão de um novo período temporal nas opções de silenciar grupos:

Hoje foi a vez da versão para iPhone receber essa dádiva:

Silenciar grupos por um ano.

E não foi só. A nova versão, 2.11.9, traz arquivamento de conversas de grupos, acrescenta um botão de câmera para acesso rápido na linha de digitação de mensagens e mais recursos na hora de compartilhar fotos, vídeos e localização com contatos. O changelog da App Store está bem completo. Algumas coisas vieram do Android, outras, são exclusivas.

Ah, e tem essa também: o tique e tique duplo não são mais verdes :-/

Não são mais verdes.

Só falta agora o mítico “silenciar por um século“, que é praticamente um eufemismo para sair do grupo sem deixar aquela climão que fazem os remanescentes se perguntarem “mas o que aconteceu com ele? Tá bravo?”

O Hyperlapse do Instagram é incrível e já pode ser baixado

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26/8/14, 18h30 2 min 7 comentários

O Instagram lançou hoje o Hyperlapse, seu segundo app — o primeiro, Bolt, (mais) um clone do Snapchat, ainda está restrito a uma espécie de estágio beta em alguns poucos países. O Hyperlapse é um app minimalista de gravação de vídeos que tem como única função acelerá-los e suavizá-los, criando assim timelapses magníficos.

A Wired publicou com exclusividade um perfil do app. Nele, explica a trajetória dos pais do projeto, os engenheiros Thomas Dimson e Alex Karpenko, da ideia à engenhosa implementação utilizando-se do giroscópio e, depois, como o recurso acabou se tornando um app independente em vez de ser incorporado ao Instagram. O ponto mais importante, porém, é este:

O que antes só era possível com uma Steadicam ou equipamentos de US$ 15 mil agora está disponível no seu iPhone, de graça.

A qualidade dos vídeos é de cair o queixo. Duvida? Veja alguns:

O Hyperlapse é exclusivo do iPhone e essa história ilustra bem dois pontos fracos da Microsoft (Windows Phone) e Google (Android).

Há 15 dias a Microsoft publicou um projeto homônimo com resultados igualmente fascinantes, só que fora do alcance dos usuários. No material de divulgação, os criadores do Hyperlapse da Microsoft disseram estar trabalhando em um app para Windows. “Fiquem ligados”, pediram. Estou aqui ligado desde então e, até agora, nada. Não que eu esperasse um app pronto a partir de uma demonstração pública num intervalo de apenas duas semanas, mas a arte de insinuar coisas muito legais e demorar horrores para entregá-las lapidadas aos consumidores finais é típica da Microsoft.

Ao Google, a fragmentação do Android se revelou a vilã mais uma vez. O Hyperlapse para a plataforma não está nem em desenvolvimento porque são necessárias mudanças nas APIs do giroscópio e da câmera. E quando elas ocorrerem, toda a base se beneficiará? Será algo dependente do Google Play Services ou de uma nova versão?

O Hyperlapse é gratuito e está disponível na App Store.

A hipermetáfora do app de máquina de escrever do Tom Hanks

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18/8/14, 9h50 4 min 2 comentários

O app de máquina de escrever do Tom Hanks.

Tom Hanks, ator de filmes memoráveis e sempre disposto a fazer uma zoeira com os fãs, tem ele próprio seus ídolos. Máquinas de escrever, por exemplo. Hanks é aficionado por elas.

Junto com a agência Hitcents, Hanks lançou o Hanx Writer, um app gratuito (com compras in-app) para iPad. Ele imita com perfeição a digitação em máquinas de escrever. Aquele barulhinho característico? Está lá. O visual também: o teclado do iOS usa skins que imitam o visual original das máquinas. Opcionalmente, o usuário pode desabilitar a tecla backspace e o cursor digital. Até enroscar os tipos essa máquina de escrever digital enrosca. Só ficou faltando o feedback tátil, mas aí seria exigir demais.

Entendo a questão nostálgica, ou talvez a homenagem que Hanks quis fazer às suas amadas máquinas de escrever. Tirando esse detalhe da equação, o Hanx Writer serve como um ótimo exemplo de como a metáfora perfeita é, em última instância, uma imperfeição em si mesma. Continuar lendo A hipermetáfora do app de máquina de escrever do Tom Hanks

Secret: no Brasil, ele terá desabafos comoventes ou fofocas maldosas?

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22/5/14, 9h50 4 min 4 comentários

O Secret, um dos apps mais comentados dos EUA, finalmente liberou as amarras e expandiu-se para o mundo todo. Não só: no mesmo dia, também ganhou uma versão para Android. Desde que foi lançado ele já funcionou como gatilho de polêmicas, furos e barrigadas, sem falar na fofoca pura e deslavada que não acrescenta nada a ninguém, salvo humilhação e danos psicológicos. Essa história se repetirá no Brasil?

Mais um de uma lista crescente de apps anônimos, o Secret é como o Twitter, só que sem assinatura nos posts. Basta abri-lo, escrever uma mensagem, selecionar um fundo (opcional) e publicar. Seus amigos do Facebook saberão que alguém do círculo mandou a mensagem, mas não quem. Se repercute bastante, ela quebra a barreira dos amigos e chega a estranhos, apenas identificada pela cidade, estado ou país onde foi publicada.

Screenshot de um segredo no Secret.
Apenas mais um segredo compartilhado no Secret.

A mesma lógica é seguida por outros, como o WUT. Outra linha desses apps vai além: não pede informação alguma e se baseia em um cadastro, ou nem isso, para liberar o acesso, usando a localização dos usuários para destacar mensagens, casos do Whisper, Yik Yak e FireChat. Em comum, o estímulo à divulgação de fatos e opiniões que, não fosse o anonimato, jamais se tornariam públicos.

Alexis Ohanian, uma das investidoras do Secret, defende o lado terapêutico da experiência: “apps como o Secret viram saídas para as pessoas falarem honestamente sobre coisas que, de outra forma, resultariam em danos à carreira”. Esse uso é de fato recorrente lá — neste momento, por exemplo, a última atualização diz “Eu quero fugir e entrar no circo, mas aos 30, temo estar velho. Ainda tenho muito a aprender”. Só que entre desabafos sinceros, alguns comoventes, nada garante que não aparecerão fofocas perigosas ou maldosas.

A saída de Vic Gundotra do Google, muito antes de ser anunciada pelo próprio, vazou no Secret. Antes disso, uma brincadeira tola virou uma bola de neve: alguém entediado publicou que a Apple estaria desenvolvendo uma versão biométrica do EarPods, seus fones de ouvido. Parte da imprensa comprou o rumor e ele se alastrou rapidamente.

Esse burburinho no Vale do Silício gera consequências, mas é em círculos reduzidos, em pequenas comunidades ao redor do mundo, que os app anônimos têm o potencial de causar mais estragos, com marcas mais profundas e mais duradouras em pessoas comuns, como eu e você.

Screenshots de apps anônimos.
Da esquerda para a direita: WUT, Whisper e FireChat.

Will Haskell relatou na The Cut a devastação que o Yik Yak, outro app de mensagens anônimas locais, causou em sua escola: “Quando você assiste a um filme bobo sobre adolescentes no ensino médio, faz uma careta para a clássica cena em que os corredores estão cheios de estudantes, todos sussurrando as mesmas fofocas. Foi exatamente o que aconteceu na tarde de quinta na [escola] Staples.” Meninas e meninos chorando pelos corredores, chamando por suas mães, mudando de escola foram vistos naquela quinta. Nem o diretor, que já havia lidado com outros casos (sexting via Snapchat e bullying no Facebook), conseguiu conter a situação.

O anonimato enche as pessoas de coragem e, em certa medida, libera os grilhões do comedimento. A sensação de impunidade tem esse efeito colateral, e… bem, na real? O que temos testemunhado é que nem é preciso esconder o nome para que as pessoas revelem suas facetas sombrias. Basta ver as atrocidades que muita gente publica no Facebook. Se nem a cara, o nome completo, o local de trabalho e os amigos do cidadão assistindo ao espetáculo são capazes de frear comportamentos absolutamente reprováveis, o que esperar de apps como o Secret?

Se ele pegar por aqui, em breve descobriremos. Não é o primeiro do gênero; WUT e Whisper estão disponíveis faz tempo, mas até onde se sabe não ganharam tração. O Secret, pela fama que fez rapidamente nos EUA e sua dinâmica, parece ter algo diferente, único. Nessa primeira noite disponível por aqui, já foi possível perceber uma movimentação local.

Imagine o estrago quando uma fofoca polêmica estourar lá dentro, talvez uma relacionada à política, e envolverem a justiça no rolo, artigo 5º da Constituição, essa coisa toda.

Marco Civil, prepare-se: você está prestes a mostrar a que veio.

Foto do topo: Tambako The Jaguar/Flickr.

O Secret não é tão secreto quanto parece

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7/8/14, 19h12 3 min 3 comentários

Que vida dura.

Em apenas uma semana, o número de contatos meus usando o Secret triplicou. O app, que permite publicar e comentar anonimamente, chegou ao Brasil faz algum tempo e só agora quebrou a barreira do mainstream. Com mais gente, mais mensagens estão aparecendo e, entre elas, difamações e injúrias, claro.

Caso isso aconteça com você, o procedimento para remoção de conteúdo impróprio do Secret é relativamente simples. Existem duas ações que podem ser feitas:

  • Sinalizar o post. Arraste o dedo da direita para a esquerda em cima do post e toque em “Flag”.
  • Enviar o link do post para [email protected].

O ideal é realizar as duas ações concomitantemente.

Fernando “Gravz” Gouveia foi vítima de um comentário maldoso no Secret e publicou a resposta que recebeu do suporte em sua página no Facebook. Além da presteza e rapidez no processamento da reclamação, chamou a atenção dele também o fato das identidades no serviço não serem, ironicamente, “secretas” em absoluto:

Segundo informa Jared, que atende essas demandas na empresa, a proteção da privacidade não abrange mandados judiciais/intimações. Por óbvio, eles guardam “log” com os usuários e informam quem escreveu cada coisa (por meio do devido processo legal, vale ressaltar).

A política de privacidade do Secret contempla essa e outras situações em que o anonimato cai. No tópico “Compartilhamento de informações”, o serviço se reserva ao direito de revelar informações “que às vezes podem incluir informações pessoais” em cinco situações. A que o Jared comentou com o Gravz está no terceiro item da lista. As outras são:

  • Com vendedores, consultores ou outros provedores de serviços que necessitem dessas informações para executar trabalhos em prol do Secret.
  • Durante negociações, fusões e outras manobras comerciais envolvendo o Secret.
  • Se algum conteúdo se mostrar razoavelmente ilegal, ou se promover ou instigar tais atividades. O Secret pode repassar essas informações às autoridades.
  • Com o consenso do usuário, caso o Secret queira usar o conteúdo para sabe-se lá o quê.

É de se esperar que o Secret não ceda informações pessoais tão facilmente, mas presumir que ele garantirá a privacidade acima de tudo, que baterá de frente com uma ordem judicial? Se nem o 4chan faz isso, por que uma startup que mês passado recebeu US$ 25 milhões em investimentos faria diferente?

Use com responsabilidade.

***

Atualização (8/8, 11h40): se eu desvincular os posts da minha conta, não serei responsabilizado? Não é bem assim…

Atualização (11/8, 18h40): ouça o nosso podcast sobre o Secret e outros apps anônimos.

O Secret pode ser secreto, afinal

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8/8/14, 11h35 3 min 9 comentários

Ontem escrevi aqui que, sob certas circunstâncias, o Secret pode revelar a identidade do autor de posts no serviço. É uma garantia legal e perfeitamente compreensível, por mais que a premissa do app dê a entender o contrário. Existe, porém, uma saída para dizer qualquer bobagem e não ser responsabilizado: desvincular todos os posts.

O botão de desespero do Secret.

Essa opção consta no app e é meio como se fosse um “botão do desespero”: ao acioná-la, o vínculo com posts já publicados some. Eles passam a não ter autoria e o responsável original deixa de receber notificações, além de não conseguir mais apagá-lo. Isso só vale para posts já publicados e seu uso não pode ser frequente. A opção de desvincular publicações não alcança curtidas e comentários em outros posts.

Na política de privacidade, o Secret diz (tradução livre):

A única maneira de tornar seus posts indetectáveis é usando nosso recurso “desvincular”, descrito em mais detalhes abaixo no [tópico] Suas Escolhas, o que elimina qualquer ligação entre seu post e sua conta.

A desvinculação de posts foi implementada no Secret em fevereiro, junto com uma série de outros recursos básicos, como marcar posts como impróprios, apagá-los do sistema (!) e os movimentos laterais de interação. A descrição oficial não dá conta da ação de desvínculo como uma saída para se livrar da responsabilidade por comentários maldosos ou até criminosos, mas como uma forma de aliviar a consciência:

É preciso muita coragem para compartilhar seus pensamentos e sentimentos mais íntimos. Se você se preocupa com algo que já publicou, agora existe um “grande botão vermelho” que removerá qualquer associação entre você e todos os seus posts antigos nos nossos servidores.

A grande questão é que independentemente da atribuição de culpa ou do modo como o Secret funciona, não ser babaca é uma boa opção de vida. Caso você seja um, considere mudar. Não use o app para difamar, injuriar ou expôr, de qualquer forma, quem quer que seja.

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Atualização (15/8, 12h50): Jared, o funcionário do Secret que responde pelas questões legais, respondeu minha pergunta:

Desvincular posts é uma ação que um usuário pode tomar para desassociar sua conta de posts ou comentários antigos e recomeçar. Por exemplo, ele poderá voltar a um post publicado anteriormente e comentar como se fosse outro usuário. Atente ao fato de que isso não muda a infraestrutura de como o app funciona. Embora envolva algum trabalho no nosso lado, há momentos em que somos obrigados por lei a cumprir intimações e ordens judiciais e fornecer informações adicionais sobre um post. Note-se que as “informações pessoais” que podemos fornecer são limitadas com base no que o usuário escolhe compartilhar com o app e no que o app exige para funcionar.

Não é uma resposta muito clara e meu pedido por um esclarecimento acerca dela foi ignorado, mas a sensação é de que, afinal, o Secret não garante sigilo absoluto sobre os autores mesmo após esses desvincularem seus posts, desde que, claro, haja uma ordem judicial no meio.